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Por que todo profissional deveria ter um hobby?

Mais que passatempo: como hobbies podem fortalecer carreiras, lideranças e conexões humanas

Em um mundo corporativo cada vez mais marcado por agendas lotadas, reuniões virtuais e relações profissionais aceleradas, uma pergunta aparentemente simples pode revelar muito sobre qualidade de vida, propósito e até liderança: você tem um hobby?

Esse foi o tema de uma conversa inspiradora no podcast CLT 4.0, conduzido por Sólon Cunha com o empresário e conselheiro Antonio Carlos Lopes, conhecido pelos amigos como Toninho. Sócio-fundador da ASCON Assessoria Contábil e conselheiro de diversas empresas, ele compartilhou uma visão que vai muito além da ideia tradicional de colecionar objetos ou praticar atividades no tempo livre.

Para ele, o verdadeiro valor de um hobby está nas pessoas.

Hobbies são sobre gente, não sobre objetos

Ao contrário do que muitos imaginam, um hobby não precisa estar ligado a uma coleção, a um item raro ou a um investimento financeiro. Segundo Antonio Carlos Lopes, o hobby funciona como uma ponte para conexões humanas.

“Os hobbies que eu escolhi na vida me trouxeram muitas alegrias e muitos amigos. Muito mais pelo lado humano do que propriamente pela atividade em si.”

A reflexão é especialmente relevante em uma época em que muitos profissionais acabam definindo sua identidade exclusivamente pelo trabalho. Quando a carreira muda de direção ou chega ao fim, surge uma pergunta difícil: quem sou eu além do meu cargo?

Para Lopes, hobbies ajudam justamente a construir essa identidade paralela, baseada em interesses, amizades e experiências que permanecem independentemente da profissão.

A tribo vem antes do objeto

Apaixonado por carros antigos, motocicletas clássicas, vinhos e máquinas em geral, Antonio desenvolveu ao longo da vida diversos hobbies. Mas ele faz um alerta curioso para quem deseja começar: Antes de comprar o objeto, conheça as pessoas.

Segundo ele, quem deseja entrar em um universo específico — seja o de carros antigos, vinhos, lambretas ou qualquer outro — deveria primeiro entender quem são os frequentadores daquele ambiente.

“Primeiro vêm as pessoas. Depois vem o objeto.”

Na prática, isso significa frequentar encontros, feiras e eventos, conversar com especialistas e descobrir se aquela comunidade faz sentido para você. Muitas vezes, nem é necessário possuir o objeto para participar daquele universo.

O hobby como escola de networking

Ao longo da conversa, ficou evidente como hobbies podem gerar relacionamentos valiosos, inclusive profissionais. Antonio contou que conheceu médicos, empresários, executivos e profissionais de diversas áreas por meio de seus interesses pessoais. Alguns se tornaram amigos, parceiros de negócios e até prestadores de serviços.

O fenômeno acontece porque as relações surgem de forma espontânea, sem a pressão típica dos ambientes corporativos.

“Eu tenho hoje vários clientes que vieram do hobby.”

A afinidade criada em torno de um interesse comum frequentemente gera confiança antes mesmo de qualquer conversa sobre trabalho.

Histórias que valem mais do que as coleções

Entre as muitas histórias compartilhadas, uma das mais emblemáticas envolve sua paixão por motocicletas antigas. Após restaurar dezenas de motos clássicas, Antonio passou oito anos organizando encontros de motos antigas no Pátio do Colégio, em São Paulo. O evento chegou a reunir cerca de 600 motocicletas e mais de 15 mil visitantes.

Mas o que mais o marca não são os veículos em si. Ele recorda com emoção os proprietários que entregaram peças raras, documentos históricos ou mesmo motocicletas inteiras porque acreditavam que ele daria continuidade ao legado daqueles objetos.

“Você não compra apenas uma moto. Você compra uma história.”

Em um dos casos, restaurou uma moto de corrida extremamente rara e reencontrou o piloto responsável por trazê-la ao Brasil décadas antes. Ao ver a motocicleta novamente em perfeito estado, o antigo proprietário se emocionou.

O valor dos hobbies na maturidade

A conversa também trouxe uma reflexão importante para profissionais em fases mais avançadas da carreira. Muitas pessoas constroem a vida em torno de duas grandes estruturas: trabalho e família. Quando uma delas muda — especialmente o trabalho — pode surgir um vazio difícil de preencher.

Nesse contexto, hobbies funcionam como uma importante fonte de propósito, atividade intelectual e relacionamento social. Além disso, criam novas oportunidades de aprendizado, desafios e até reinvenções profissionais.

O futuro das relações humanas

Ao ser questionado sobre o impacto do home office e das relações digitais, Antonio demonstrou confiança de que o contato humano continuará sendo valorizado. Para ele, embora a tecnologia facilite a comunicação, existe uma necessidade natural de convivência que permanece presente.

“O digital proporciona o impessoal. Mas as pessoas sentem necessidade do pessoal.”

Essa percepção se conecta diretamente ao universo dos hobbies, que continuam funcionando como espaços de encontro, troca de experiências e construção de comunidades.

Liderança também se aprende fora do escritório

Talvez uma das conclusões mais interessantes da entrevista seja que hobbies podem ensinar competências fundamentais para qualquer líder.

Organizar pessoas, construir comunidades, desenvolver relacionamentos, criar ambientes acolhedores e cultivar interesses em comum são habilidades que aparecem tanto em encontros de motociclistas quanto dentro das empresas.

Para Antonio, cultura organizacional não nasce de discursos prontos ou fórmulas importadas.

“Quem faz cultura é o líder.”

E líderes que compreendem pessoas — dentro e fora do trabalho — tendem a construir ambientes mais saudáveis, colaborativos e duradouros.

No fim das contas, a mensagem deixada pelo empresário é simples, mas poderosa: hobbies não são apenas uma forma de ocupar o tempo livre. Eles podem ser ferramentas para criar amizades, ampliar repertórios, fortalecer carreiras e, principalmente, lembrar que por trás de qualquer negócio sempre existem pessoas.

Porque, como resumiu o próprio Antonio Carlos Lopes durante a conversa:

“No final, tudo vira pessoas.”

Assista ao episódio do CLT 4.0 na íntegra: