Empresas começam a adotar executivos sob demanda para acelerar inovação e enfrentar mudanças do mercado
Em entrevista ao podcast “Você Está Contratado?”, Cris Mendes, fundadora da Chiefs Group, explica como o modelo de talentos sob demanda está transformando a forma como empresas contratam, desenvolvem lideranças e enfrentam desafios estratégicos.
A velocidade das mudanças no mundo dos negócios está obrigando empresas a repensarem a forma como montam suas equipes. Em um cenário marcado por transformações tecnológicas, inteligência artificial, novas exigências dos profissionais e mudanças constantes no mercado, contratar um executivo para permanecer anos na mesma posição já não é a única solução.
Essa foi uma das principais reflexões apresentadas por Cris Mendes, fundadora e CEO da Chiefs Group, durante participação no podcast “Você Está Contratado”, comandado por Jederson Beck e Marcelo Nóbrega. Segundo ela, o futuro do trabalho passa pela combinação inteligente entre equipes permanentes e profissionais altamente especializados que atuam sob demanda.
“Não precisamos escolher entre um modelo ou outro. O segredo está em fazer a combinação certa para cada momento do negócio.”
Da pandemia a um novo modelo de trabalho
A Chiefs Group nasceu em 2020, durante a pandemia, a partir da experiência de Cris como empreendedora e investidora em startups. Ao longo de sua trajetória, ela percebeu que muitas empresas fracassavam não por falta de recursos ou boas ideias, mas pela ausência do talento adequado para enfrentar determinados desafios.
Com essa visão, criou uma plataforma que conecta empresas a executivos experientes dispostos a atuar em formatos flexíveis, seja por projeto, por período determinado, por horas semanais ou em missões específicas. Hoje, a Chiefs Group reúne cerca de dois mil executivos seniores em sua comunidade, atendendo organizações de diferentes portes e segmentos.
O conceito da “nuvem de talentos”
Durante a entrevista, Cris apresentou um conceito que tem ganhado força internacionalmente: a chamada “nuvem de talentos”. Na prática, a empresa mantém um núcleo fixo de profissionais responsáveis pela cultura, pelos processos e pela continuidade do negócio, mas passa a acessar especialistas externos sempre que surge uma necessidade específica.
A lógica é semelhante à contratação de um especialista para resolver um problema complexo sem a necessidade de incorporá-lo permanentemente ao quadro de funcionários.
“Os desafios mudam o tempo todo. A estrutura de talentos também precisa ser capaz de mudar”, explicou.
Inteligência artificial acelera a necessidade de especialistas
A executiva acredita que a chegada da inteligência artificial tornou ainda mais evidente a necessidade de modelos flexíveis. Muitas organizações sabem que precisam incorporar IA aos seus processos, mas não possuem clareza sobre estrutura, governança ou mesmo sobre quais profissionais contratar.
Nesses casos, a contratação temporária de um especialista pode ajudar a empresa a desenhar sua estratégia antes de decidir qual será a configuração definitiva da área.
Segundo Cris, esse tipo de atuação permite que as organizações experimentem soluções e ganhem velocidade sem assumir compromissos permanentes antes de entender suas reais necessidades.
O profissional do futuro será um eterno aprendiz
Outro tema abordado foi o perfil dos profissionais que desejam permanecer relevantes no mercado. Para a CEO da Chiefs Group, não existe mais a possibilidade de alguém dominar todas as competências exigidas pelo ambiente corporativo atual.
Por isso, ela defende que os profissionais desenvolvam agilidade para aprender, desaprender e reaprender constantemente. Mais importante do que acumular conhecimento é reconhecer que ninguém conseguirá saber tudo.
“O profissional do futuro precisa entender que é incompleto e que isso faz parte do jogo.”
Empresas familiares também ganham acesso a grandes talentos
Embora o modelo seja frequentemente associado a grandes corporações, Cris destacou que empresas familiares e negócios localizados fora dos grandes centros podem ser alguns dos maiores beneficiados. Muitas vezes, essas organizações enfrentam dificuldades para atrair executivos de alto nível para posições permanentes.
Com o modelo sob demanda, elas conseguem acessar profissionais extremamente experientes sem precisar arcar com o custo integral de uma contratação tradicional. A estratégia permite que empresas de menor porte tenham acesso a competências que antes estavam restritas a grandes corporações.
RH precisa falar mais de negócios
Ao abordar o papel das lideranças de Recursos Humanos, Cris fez uma provocação importante. Na sua avaliação, o RH só conquistará espaço verdadeiramente estratégico quando estiver conectado aos resultados do negócio.
Isso significa ir além dos indicadores tradicionais da área e participar diretamente das discussões sobre crescimento, produtividade, rentabilidade e geração de valor.
“O RH precisa estar na mesa onde as decisões de negócio são tomadas.”
O futuro será híbrido
Para Cris Mendes, o futuro do trabalho não será formado apenas por colaboradores fixos nem apenas por freelancers ou consultores. O modelo que tende a prevalecer combina três elementos: equipes permanentes, especialistas sob demanda e ferramentas de inteligência artificial atuando de forma complementar.
Nesse cenário, as organizações mais competitivas serão aquelas capazes de acessar rapidamente os conhecimentos necessários para cada desafio. Mais do que uma tendência, a executiva acredita que essa flexibilidade já se tornou uma necessidade.
Assista ao episódio da Você Está Contratado com Cris Mendes na íntegra:










