Todos nós gostamos das feiras livres desde que elas não aconteçam na rua onde moramos, porque se for assim acontecem transtornos.
As feiras ocupam o espaço público, impedem o trânsito e interditam as saídas das garagens, depois que a feira termina fica aquele cheirinho e a sujeira.
O custo-benefício acaba sendo satisfatório, as frutas e verduras trazidas pelos feirantes são na maioria das vezes fresquinhas, perfumadas, saborosas.
As feiras livres não são de agora, existem em São Paulo desde o século 18, mas só foram regulamentadas em 1914, pelo então prefeito Washington Luís.
Tudo começou com os chacareiros vindos da Penha, Tatuapé, Pinheiros e Freguesia do Ó, eles mandavam seus produtos ao centro para serem vendidos.
As feiras daquele tempo não eram como as de agora, não havia coberturas de lona, um tabuleiro era montado e o vendedor ficava exposto ao sol e à chuva.
Geralmente não era o dono da chácara que vendia as frutas ou legumes, mas sim um escravizado idoso, cujo trabalho já não rendia bem na lavoura.
Esse trazia consigo algum outro escravo ajudante que já não enxergava bem ou por algum acidente perdeu parte dos movimentos.
Mulher escravizada que estivesse doente também se tornava feirante e no fim do dia, todos os lucros iam parar nas mãos dos chacareiros.
As feiras livres do século 18 não tinham esse nome eram chamadas de “quitanda”, por isso temos até hoje a Rua da Quitanda, uma tradição que ficou.
O Largo do Café também leva esse nome por causa da comercialização deste produto naquele ponto da cidade.
Por influência das feiras, é que surgiram na Pauliceia as ruas de comércio especializado, como a Santa Ifigênia e a Florêncio de Abreu, entre outras.
Desde os tempos da Piratininga de outrora, feirantes gritam o nome de seus produtos fazendo algazarra, dando risadas, lambuzando os pés no chão.
A primeira feira livre regulamentada aconteceu no Largo General Osório, a título, de experiência e contou com a presença de apenas 26 feirantes.
A segunda realizou-se no Largo do Arouche, com 116 feirantes e como os resultados foram positivos, as feiras expandiram-se pela cidade.
Atualmente são 953 feiras livres realizadas de terça a domingo entre 7 e 30 e 13 horas, diz a legislação, mas a chegada dos feirantes ocorre na madrugada.
Muitos reclamam do barulho que eles causam, mas toda essa movimentação faz parte do cotidiano e não se esqueça, feira livre boa; só na rua dos outros.









