Em meio a uma crise, a primeira coisa que se perde é a verdade.
É verdade? Você acredita?
Querido diário:
Uma das maiores frustrações do debate público moderno. Sim! Realmente parece “loucura” quando observamos isso de fora, mas, do ponto de vista da psicologia, da biologia evolutiva e da sociologia, esse Comportamento é um padrão humano altamente previsível. Vamos lá…
Falava Winston Churchil.
“É uma loucura como algumas pessoas não precisam de provas para acreditar em uma mentira, mas exigem provas infinitas para aceitar uma verdade”.
Bem: Essa assimetria brutal (aceitar a mentira facilmente e blindar-se contra a verdade) não é necessariamente uma falha de inteligência, mas um mecanismo de defesa emocional.
O cérebro humano é programado para economizar energia. Quando ouvimos uma mentira que valida o que já acreditamos (nossos medos, esperanças, inclinações políticas ou preconceitos), o cérebro pula a etapa do pensamento crítico.
Logo: A mentira não precisa de provas porque ela já se encaixa perfeitamente no “quebra-cabeça” da visão de mundo daquela pessoa. Ela soa como verdade, logo, é aceita como tal.
Aceitar uma verdade que contradiz uma crença profunda dói fisicamente no cérebro. Gera um estresse psicológico chamado Dissonância Cognitiva.
Assim… Para evitar a dor de admitir que estava errada (ou pior, que foi enganada), a pessoa entra em modo de defesa, usando o Raciocínio Motivado.
A exigência de “provas infinitas” não é uma busca genuína pela verdade. É uma tática de atraso. A pessoa continua movendo a linha de chegada da evidência para nunca ter que lidar com o desconforto de mudar de ideia.
Também temos as teorias conhecida como o “Princípio da Assimetria da Besteira”, essa lei cunhada pelo programador Alberto Brandolini diz o seguinte: “A quantidade de energia necessária para refutar besteiras é uma ordem de grandeza maior do que para produzi-las.”
Mentiras costumam ser simples, maniqueístas e emocionais. Elas apontam um vilão e um herói.
A verdade, por outro lado, costuma ser complexa, cheia de nuances, chata e exige esforço cognitivo para ser compreendida. Isso que estou fazendo aqui e agora!
Muitas vezes, acreditar em uma mentira específica é o “crachá de acesso” a um grupo social. Se você para de acreditar no que o seu grupo político, religioso ou ideológico acredita, você corre o risco de ser expulso dessa tribo. Entendeu? Para muitas pessoas, a pertinência social é muito mais importante do que a precisão factual. Exigir provas infinitas para a verdade é uma forma de demonstrar lealdade à própria tribo.
A loucura nasce do fato de que julgamos o comportamento alheio esperando que as pessoas operem pela lógica, quando, na verdade, operamos quase 100% pela emoção e proteção da própria identidade. Nós não exigimos provas para o que queremos que seja verdade, e exigimos provas impossíveis para o que tememos que seja.
Roberto Coelho é historiador e comunicólogo. No YouTube: Um lugar e suas histórias.









