Em meio a uma crise, a primeira coisa que se perde é a verdade.
ARTE E POLÍTICA ! MÍDIA E PODER!
Querido Diário !
O Museu de Arte de São Paulo (MASP) nasceu de uma união entre o poder midiático, a ambição de colocar o Brasil no mapa cultural internacional e o faro para oportunidades do mercado de arte pós-Segunda Guerra Mundial. Vou explicar!
Sua história está diretamente entrelaçada aos Diários Associados, o maior império de comunicação do Brasil na época (formado por jornais, revistas, rádios e, mais tarde, TV), comandado pelo jornalista e empresário Francisco de Assis Chateaubriand.
O MASP foi fundado oficialmente em 1947. Em vez de um prédio próprio, o museu nasceu no coração do império de Chateaubriand: no segundo andar do edifício dos Diários Associados, localizado na Rua 7 de Abril, no centro de São Paulo.
A idealização do museu foi feita em parceria com o jornalista e crítico de arte italiano Pietro Maria Bardi. Bardi trouxe o conhecimento técnico e curatorial, enquanto a arquiteta Lina Bo Bardi (esposa de Pietro) projetou e adaptou o espaço de 1.000 m² dentro do prédio comercial para abrigar as obras.
Ah! A verdade … A ligação do MASP com os Diários Associados foi muito além do espaço físico. A formação de um dos mais importantes acervos de arte europeia do Hemisfério Sul só foi possível graças à máquina de comunicação de Chateaubriand; vamos aos fatos :
Oportunidade Pós-Guerra: Com a Europa devastada após a Segunda Guerra Mundial, obras de arte valiosíssimas estavam sendo vendidas a preços muito abaixo do mercado. Bardi identificava as obras, e Chateaubriand precisava levantar os fundos. Usou de tudo para isso.
A “Tática Chatô”: Para comprar quadros de mestres como Rembrandt, Renoir, Monet e Van Gogh, Chateaubriand usava o peso de sua rede de jornais e rádios. Ele abordava os grandes industriais e barões do café brasileiros pedindo doações para o museu. Se o empresário doasse, ganhava reportagens elogiosas e títulos de mecenas nos Diários Associados.
Propaganda Constante: Cada nova obra-prima que chegava ao Brasil era anunciada com enorme alarde nos jornais, revistas (como O Cruzeiro) e rádios da rede, transformando a aquisição de arte em grandes eventos públicos e motivo de orgulho nacional.
Na década de 1950, o acervo já havia crescido tanto que o prédio dos Diários Associados não comportava mais o museu.
A prefeitura cedeu um terreno na Avenida Paulista, onde antes ficava o Belvedere Trianon, com a exigência de que a vista para o centro da cidade e para a Serra da Cantareira não fosse obstruída. Doce engano! Isso levou Lina Bo Bardi a projetar a atual e icônica sede do MASP: um edifício suspenso por quatro enormes pilares (hoje pintados de vermelho), criando o famoso vão livre de 74 metros.
A mídia ganhou a arte, a política ganhou um museu.
O novo prédio foi inaugurado em 1968. Ironicamente, Assis Chateaubriand faleceu meses antes da inauguração da nova sede, no mesmo período em que o próprio império dos Diários Associados começava a entrar em declínio financeiro devido a dívidas e à ascensão de novos concorrentes.
Roberto Coelho é historiador e comunicólogo. No YouTube: Um lugar e suas histórias.









