Carreira

Dani Barbyeri revela por que saiu da MTV e recusou convite da Globo

Dani Barbyeri fez parte da primeira geração de VJs da MTV Brasil, mas sua passagem pela emissora terminou depois de um conflito envolvendo um comercial de cigarros. Em entrevista a Fernando Vítolo no New Rádio, a apresentadora relembrou a experiência na TV Cultura, contou por que recusou um convite da Globo e explicou como encontrou novos caminhos na arte e no yoga.

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A conversa, gravada no estúdio do New Rádio, em São Paulo, revisita a trajetória de uma comunicadora que começou diante das câmeras ainda adolescente e, décadas depois, trabalha com arte e práticas corporais. Entre as lembranças, estão decisões que Dani hoje avalia de maneira diferente e oportunidades que preferiu não aceitar.

De bailarina a apresentadora da TV Cultura

Dani contou que começou a trabalhar aos 15 anos, quando foi descoberta por profissionais que procuravam novos talentos para campanhas publicitárias. Seu primeiro comercial foi para uma marca de calçados. A inexperiência diante das câmeras exigiu ensaios, mas ela continuou gravando anúncios e acumulou trabalhos no setor.

Aos 21 anos, fez teste para apresentar o Revistinha, programa infantojuvenil da TV Cultura. Segundo ela, a produção buscava alguém espontâneo, capaz de conversar com o público sem a formalidade comum à televisão da época.

A atração foi uma escola de improviso. Exibida ao vivo, permitia interação por telefone e obrigava a equipe a lidar com problemas inesperados no estúdio. A apresentadora recordou a liberdade de brincar até com um holofote que estourasse durante a transmissão.

No fim dos anos 1980, o interesse pela música falou mais alto. Dani deixou o Revistinha para participar do projeto de implantação da MTV Brasil, embora reconheça que, olhando para trás, talvez tivesse permanecido mais tempo na emissora pública.

Como foi participar da primeira geração de VJs da MTV Brasil

A MTV Brasil estreou em 20 de outubro de 1990, como registram reportagens sobre a história do canal. Dani integrou o grupo de apresentadores de seus primeiros anos, quando a emissora apostava em videoclipes, linguagem informal e uma relação direta com o público jovem. Uma retrospectiva da estreia registra a presença de Daniela entre as apresentadoras daquele período.

No podcast, ela descreveu a diferença entre as estruturas de produção das emissoras. Acostumada ao estúdio da TV Cultura, encontrou na MTV um espaço pequeno, muitas vezes com apenas câmera e chroma key. O formato convidava ao improviso e à experimentação.

Dani também recordou uma reportagem que a teria descrito como um erro que deu certo, expressão que ela retomou bem-humorada na entrevista. Por trás da irreverência, porém, surgiu uma decisão que mudaria sua carreira.

A saída da MTV após um comercial de cigarros

Fernando Vítolo perguntou sobre a saída de Dani da MTV e a ligação do episódio com uma campanha publicitária de cigarros. A ex-VJ confirmou que aceitou participar do anúncio, apesar de existir, segundo seu relato, uma regra da rede que impedia apresentadores de fazer publicidade de cigarros e bebidas alcoólicas.

Ela afirmou que a emissora tentou convencê-la a desistir do trabalho e chegou a propor assumir a multa contratual e o valor do cachê. Mesmo assim, decidiu manter o compromisso com a campanha. A situação provocou o rompimento com o canal.

Hoje, Dani atribui a decisão à falta de maturidade e à dificuldade que tinha de avaliar as consequências de suas escolhas. Disse também que nem fumava e que, naquele momento, pensou no comercial como uma oportunidade para a carreira de atriz.

A apresentadora contou que a saída não ocorreu por falta de interesse da MTV em mantê-la. Segundo ela, a direção ainda queria sua permanência. A forma como reagiu ao impasse, reconhece, fez com que o desfecho fosse diferente.

O convite da Globo que ela preferiu recusar

Depois da MTV, Dani se dedicou ao teatro e participou de trabalhos ligados a Oswaldo Montenegro. Foi nesse período, segundo seu relato, que recebeu a possibilidade de apresentar uma atração para adolescentes na TV Globo.

O programa era Radical Chic. Ela contou que, em vez de aceitar a oportunidade, sentiu medo de perder a privacidade com a exposição de uma emissora de alcance nacional. A fama que conhecia até então, na TV Cultura e na MTV, lhe parecia mais controlável.

Dani disse que comentou o convite com a amiga Maria Paula e a colocou em contato com as pessoas envolvidas na seleção. Maria Paula acabaria participando do Radical Chic e, mais tarde, do Casseta & Planeta. A Memória Globo registra a passagem da atriz pelo programa em 1993 e sua entrada no humorístico em 1994.

O episódio é um dos mais curiosos da entrevista: uma chance que poderia ampliar sua carreira na televisão foi recusada, não por falta de interesse em comunicar, mas pela preocupação com o preço pessoal da celebridade.

A vida no Canadá e a descoberta de outros caminhos

Dani também falou sobre os anos em que morou no Canadá. Estudou francês, viveu em Quebec e Vancouver e desenvolveu atividades ligadas à arte. Trabalhou com pintura, participou de projetos de decoração e cantou em uma banda dedicada à música brasileira.

A experiência incluiu trabalhos em televisão comunitária, entrevistando artistas e músicos em francês. Para ela, essa fase permitiu utilizar a experiência diante das câmeras de maneira diferente, em projetos menores e próximos dos seus interesses.

Da televisão ao yoga: arte, saúde emocional e autoconhecimento

Ao retornar ao Brasil, Dani se aprofundou em estudos e práticas de yoga, filosofia e arte. Na entrevista, relatou ter atravessado um período difícil após uma separação, com problemas físicos e sofrimento emocional intenso, incluindo depressão.

Ela atribui às práticas corporais, à respiração e à expressão artística um papel importante na recuperação pessoal. Trata-se de seu relato de vida: o yoga pode contribuir para o bem-estar, mas não substitui avaliação profissional e tratamentos indicados para depressão ou outras condições de saúde mental.

Hoje, Dani descreve seu trabalho como um encontro entre arte e cuidado individual. Em grupos pequenos ou atendimentos personalizados, utiliza exercícios corporais e atividades artísticas, como a pintura, para estimular reflexão e expressão pessoal.

Dani Barbyeri voltaria para a televisão?

Na parte final da conversa, Fernando Vítolo perguntou se a antiga VJ sente falta da TV. A resposta foi que ela voltaria a aparecer diante das câmeras, desde que encontrasse um projeto compatível com o que deseja comunicar atualmente.

Seu interesse, afirmou, seria falar de autenticidade, de autoconhecimento e da capacidade que as pessoas têm de enfrentar períodos difíceis. O desejo de se expressar permanece; o que mudou foi o tipo de exposição que considera fazer sentido.

Ao olhar para a jovem que apresentava o Revistinha e a MTV, Dani disse ainda reconhecer parte daquela espontaneidade. É uma lembrança que ajuda a fechar a entrevista: apesar das mudanças de profissão, país e interesses, a curiosidade que a levou à televisão continua presente.

Assista à entrevista completa com Dani Barbyeri no New Rádio

No New Rádio, Fernando Vítolo conversa com Dani Barbyeri sobre o início na televisão, a MTV Brasil, o convite para trabalhar na Globo, a passagem pelo Canadá e a nova fase dedicada ao yoga e à arte. Assista ao episódio completo diretamente na página.