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Carreira

O futuro do trabalho é dos generalistas? Diretora do Pinterest explica o papel da IA

Mãos organizam fotografias coloridas, tecidos e referências visuais sobre uma mesa de trabalho com notebook, ilustrando criatividade e diferentes habilidades profissionais.

Profissionais que conhecem diferentes áreas podem ganhar espaço num mercado cada vez mais influenciado pela inteligência artificial. Essa é a avaliação de Carol Torres, diretora global de operações do Pinterest, entrevistada por Carolina Dostal e Maíra Donnici no Conexão Protagonistas. Para ela, a capacidade de julgar informações, adaptar-se e reunir experiências diversas continua sendo um diferencial humano importante.

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A conversa parte de uma pergunta que tem aparecido com frequência entre profissionais e empresas: vale mais a pena ser especialista em um assunto ou desenvolver competências que atravessam várias áreas? Carol não defende o desaparecimento das especializações. Sua aposta é que o repertório amplo se torne cada vez mais útil para tomar decisões, especialmente quando máquinas já conseguem aprofundar tarefas técnicas.

A inteligência artificial vai favorecer os profissionais generalistas?

Carol se define como uma profissional generalista. Ao longo da carreira, passou por vendas, marketing, experiência do cliente e operações, em empresas de tecnologia com equipes distribuídas por diferentes países. Ela relaciona essa trajetória à curiosidade que sempre teve por disciplinas distintas, da matemática às línguas e à história.

Quando Carolina Dostal e Maíra Donnici perguntaram se chegou a era dos generalistas, a executiva preferiu falar em tendência. Sua explicação é que a inteligência artificial já executa ou apoia tarefas que exigem grande conhecimento técnico, mas ainda apresenta limitações para avaliar contexto e exercer julgamento em situações complexas.

“E para ter julgamento tem que ter repertório”, afirmou. Na visão de Carol, o profissional que reúne experiências diferentes consegue fazer perguntas melhores, relacionar informações e reconhecer quando uma resposta produzida por IA não resolve o problema real.

Isso não transforma o generalista em substituto automático do especialista. O argumento da entrevistada é que trabalhar em conjunto, compreender o negócio e analisar consequências podem ganhar importância quando determinadas tarefas passam a contar com apoio tecnológico.

As três habilidades que Carol Torres procura em um profissional

Durante a entrevista, a diretora contou que um candidato perguntou o que ela espera de alguém que entra em sua equipe. A resposta passou por três características: curiosidade, agilidade e conforto diante da ambiguidade.

Curiosidade, para ela, é a disposição de aprender continuamente. Agilidade não significa só trabalhar depressa: envolve entender uma mudança, reorganizar prioridades e seguir em outra direção quando necessário. Já lidar com a ambiguidade exige decidir mesmo quando nem todas as informações estão disponíveis.

Carol contou que costuma avisar à equipe que pode mudar de opinião de um dia para o outro. Não por falta de convicção, mas porque uma decisão adequada com as informações disponíveis hoje talvez precise ser revista amanhã. Em setores de tecnologia, onde produtos, métodos e necessidades mudam rapidamente, essa flexibilidade pode fazer diferença.

No Pinterest, o uso de IA já faz parte das metas das equipes

Um dos momentos mais objetivos da conversa aparece quando o assunto passa da carreira para a aplicação da inteligência artificial nas empresas. Carol afirmou que, em sua experiência no Pinterest, usar ferramentas de IA é uma prática incorporada ao dia a dia, inclusive com metas para desenvolver agentes que apoiam o trabalho.

Ela citou versões internas de ferramentas de linguagem, recursos voltados a documentos corporativos e agentes criados pelas próprias equipes. No setor de operações, a IA pode automatizar solicitações repetitivas, acelerar atendimentos e dar suporte às pessoas que precisam resolver problemas mais complexos.

A executiva explicou que o time estuda como cada função poderá mudar nos próximos 12 a 18 meses. O objetivo é identificar quais tarefas podem ser redesenhadas e quais habilidades serão exigidas dos profissionais. Segundo ela, esse trabalho precisa começar antes de as mudanças se tornarem inevitáveis.

As práticas descritas são exemplos relatados por Carol sobre suas equipes; não significam que todas as funções do Pinterest tenham as mesmas metas ou que a empresa já tenha concluído uma reorganização geral de cargos.

O Pinterest deixou de ser apenas uma plataforma de inspiração?

Na conversa com as apresentadoras, Carol também explicou como o Pinterest está ampliando sua atuação como plataforma de descoberta visual e compras. A rede é conhecida por referências de moda, beleza, design, decoração e projetos pessoais, mas essas buscas frequentemente acontecem quando o usuário já tem uma intenção concreta, como escolher um móvel ou planejar um evento.

Ela comparou o comportamento das pessoas em diferentes redes sociais. Enquanto o Instagram costuma ser usado para entretenimento e consumo espontâneo de conteúdo, o Pinterest, segundo sua avaliação, é frequentemente aberto para pesquisar uma ideia, encontrar um produto ou preparar uma compra.

A busca visual e os recursos ligados a compras aproximam esse comportamento das oportunidades para marcas e empreendedores. É uma leitura apresentada pela executiva, e os resultados comerciais variam conforme o público, o tipo de produto e a estratégia utilizada.

Em uma atualização posterior à gravação, o relatório oficial do Pinterest divulgado em 29 de outubro de 2026 registrou 661 milhões de usuários ativos mensais no terceiro trimestre, crescimento de 10% em um ano. O dado substitui estimativas aproximadas mencionadas durante a entrevista.

Contratada pela Meta durante a licença-maternidade

A trajetória de Carol também inclui uma experiência importante no debate sobre maternidade e carreira. Ela contou que recebeu um convite para participar de um processo seletivo do então Facebook, hoje Meta, quando sua filha tinha cerca de um mês de vida e ela ainda estava em licença-maternidade.

Depois da contratação, precisou viajar para um treinamento na região de São Francisco com a bebê, então com aproximadamente quatro meses e meio. A experiência exigiu organização e uma rede de apoio. Carol fez questão de reconhecer o privilégio de ter contado com essa ajuda, sem apresentar sua história como regra para todas as mulheres.

Para a executiva, tornar-se mãe trouxe desafios reais, mas também ampliou sua capacidade de organizar o tempo e encarar novas responsabilidades. Ela relaciona essa fase ao desenvolvimento de um projeto próprio fora do ambiente corporativo.

O blog Pezinho Mundo Afora e a carreira com vários papéis

Carol também é criadora do Pezinho Mundo Afora, projeto de conteúdo sobre viagens e passeios com crianças que começou depois do nascimento da filha. O trabalho nasceu do interesse pessoal por viajar e se tornou uma atividade de produção de conteúdo e empreendedorismo.

Na entrevista, ela defendeu a ideia de carreiras formadas por diferentes papéis. Uma pessoa pode ser executiva, mãe, produtora de conteúdo e empreendedora, aplicando capacidades semelhantes em atividades distintas. O importante, segundo Carol, é entender quais escolhas fazem sentido e como organizar o tempo disponível.

Sua experiência ajuda a explicar por que ela dá tanto valor à curiosidade. O aprendizado não acontece apenas no cargo ocupado dentro de uma empresa. Viagens, projetos paralelos e contato com pessoas de outros países também podem ampliar o repertório usado na vida profissional.

Assista à entrevista completa com Carol Torres no Conexão Protagonistas

Carolina Dostal e Maíra Donnici recebem Carol Torres, diretora global de operações do Pinterest, para conversar sobre inteligência artificial, profissões generalistas, liderança, maternidade, carreira internacional e oportunidades para empreendedoras nas plataformas digitais. Assista ao episódio completo abaixo.