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Boni lamenta falta de humor na TV brasileira: “O que não pode é proibir”

Cenário ilustrativo de programa de humor na TV, com microfone, nariz de palhaço, roteiro e televisão antiga diante de um palco.

Por que o humor brasileiro parece ter perdido espaço e ousadia? Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o diretor de televisão José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, relembra a trajetória do Casseta & Planeta, questiona como o país lida com o politicamente correto e defende que até temas delicados podem virar comédia, desde que tratados com inteligência.

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A provocação começa com a lembrança de um memorando de 1992, citado na conversa, no qual Boni teria elogiado a capacidade do Casseta & Planeta de alcançar o grande público sem abrir mão de um humor elaborado. A partir daí, surge a pergunta: por que o humor ficou tão difícil de fazer?

Para o ex-diretor da Globo, a chave não está em abandonar os assuntos controversos. O desafio é produzir graça sem depender necessariamente da ofensa. O que ele lamenta é a redução do espaço para atrações humorísticas na televisão brasileira.

O que Boni diz sobre o Casseta & Planeta

Boni recorda a chegada dos humoristas à televisão no fim dos anos 1980 e a liberdade criativa concedida ao grupo. Ele menciona a participação dos profissionais no TV Pirata e o sucesso posterior do Casseta & Planeta, programa que marcou a TV brasileira nos anos 1990.

Segundo a Memória Globo, integrantes do grupo escreveram para o TV Pirata, iniciado em 1988, e o programa Casseta & Planeta, Urgente! estreou em 1992. A equipe ganhou destaque com paródias de noticiários, novelas, comerciais e figuras públicas.

O diretor valoriza justamente essa combinação: humor popular, com capacidade de dialogar com muita gente, e repertório suficiente para ir além de piadas fáceis. O exemplo do Casseta & Planeta serve para ilustrar o tipo de criação que ele acredita estar em falta hoje.

Politicamente correto acabou com o humor?

No vídeo, Boni argumenta que o Brasil ainda tem dificuldade para lidar com as fronteiras entre uma piada, a crítica social e a ofensa. Para ele, uma comédia pode provocar o riso mesmo quando aborda personagens, acontecimentos ou temas que despertam reações negativas.

Isso não significa que toda piada esteja acima de questionamentos. O próprio argumento apresentado por Boni separa a intenção de divertir da necessidade de agredir alguém. Sua crítica se concentra na ideia de impedir a criação artística apenas porque determinado assunto poderá desagradar a uma parte do público.

A discussão envolve duas dimensões diferentes: a liberdade de produzir humor e o direito de espectadores criticarem o que consideram ofensivo. Uma crítica pública a uma obra não equivale, por si só, à sua proibição.

Uma comédia sobre o Titanic? Boni cita Titanique, da Broadway

Para mostrar como temas sensíveis podem ganhar interpretações inesperadas, o diretor lembra uma versão cômica da história do Titanic em que o iceberg é representado por uma drag queen. A referência é o musical Titanique, uma paródia do filme de 1997 com músicas de Céline Dion e humor assumidamente exagerado.

A produção chegou à Broadway em abril de 2026 e encerrou sua temporada em 20 de setembro de 2026. O espetáculo é usado por Boni como exemplo de como um acontecimento trágico pode ser reinterpretado artisticamente sem que a montagem pretenda negar a tragédia.

A observação é importante porque o vídeo não defende que todas as pessoas sejam obrigadas a achar graça. Boni afirma que reclamar é um direito, mas entende que a possibilidade de discordância não deveria eliminar a liberdade de criar.

Saturday Night Live e as piadas com Donald Trump

Outro exemplo citado pelo ex-diretor é o programa americano Saturday Night Live, da NBC, conhecido pela sátira de celebridades, costumes e políticos. Boni destaca as imitações e críticas ao presidente Donald Trump como demonstração de que a comédia política permanece presente na televisão dos Estados Unidos.

A comparação serve para sustentar sua avaliação sobre a produção brasileira. Na visão de Boni, o país poderia explorar com mais frequência programas que combinassem observação do cotidiano, crítica social e roteiro bem construído, inclusive quando o tema é controverso.

Boni sente falta de programas de humor na televisão brasileira

Na parte final do vídeo, Boni diz sentir tristeza com a quantidade de programas de humor na televisão nacional, que considera pequena diante do gosto dos brasileiros por comédia. Para ele, há espaço para formatos populares, inteligentes e mais refinados, desde que haja disposição para criá-los.

A queda do número de grandes humorísticos na TV aberta também é influenciada por mudanças na audiência e pela migração de comediantes para plataformas digitais, teatros e redes sociais. Ainda assim, a declaração do diretor levanta uma questão editorial: a televisão deixou de apostar no gênero ou apenas não encontrou novas formas de fazê-lo funcionar?

O recado de Boni encerra o vídeo com uma defesa da liberdade artística: “Quem quiser reclamar, que reclame. O que não pode é proibir”.

Assista ao vídeo de Boni no Instagram

No vídeo publicado em seu perfil, Boni fala sobre o Casseta & Planeta, os limites do politicamente correto, o musical Titanique e o espaço do humor na televisão brasileira. Assista à publicação original abaixo.