Criticamos os jovens porque passam horas rolando a tela do celular.
Mas quantos velhos e velhas fazem exatamente a mesma coisa?
As redes sociais são uma fonte extraordinária de informação. Nelas encontramos ciência, cultura, boas reportagens, divulgação de pesquisas, notícias e profissionais sérios compartilhando conhecimento.
Mas encontramos também mentiras, boatos, manipulações e notícias inventadas.
O problema não é a tela.
É o modo como a usamos.
Muitos de nós paramos na manchete, acreditamos na primeira mensagem que chega pelo WhatsApp e compartilhamos sem perguntar quem escreveu, de onde veio a informação ou se ela foi confirmada por fontes confiáveis.
Por que tantas fake news encontram terreno fértil? Porque exploram nossos medos, nossas convicções e, muitas vezes, temas morais apresentados de forma simplista.
Quem nunca ouviu dizer que a vacina contra o HPV “estimularia” adolescentes a iniciar a vida sexual? A frase parece convincente, mas ignora o essencial: a vacina protege contra um vírus associado a alguns tipos de câncer, entre eles o câncer do colo do útero. Também ignora que o início da vida sexual depende de muitos fatores familiares, culturais, sociais e afetivos. Não é uma vacina que autoriza um adolescente a fazer sexo.
Ler dá trabalho.
Exige tempo, curiosidade e disposição para mudar de ideia quando os fatos mostram que estávamos errados.
Rolar a tela é fácil. Ler criticamente é mais difícil.
Envelhecer não nos torna automaticamente mais sábios. A sabedoria precisa de um ingrediente que nunca deveria envelhecer: a curiosidade.
Antes de compartilhar, leia.
Antes de acreditar, procure a fonte.
Antes de repetir, verifique.
Velhos e velhas, nossa experiência vale muito.
Mas ela vale ainda mais quando caminha ao lado da curiosidade e do espírito crítico.
Vera Lucia Vaccari é psicóloga, psicoterapeuta, mestre em Saúde Pública, professora, tradutora e escritora. Há mais de cinco décadas escuta histórias e escreve sobre o que o tempo faz com as pessoas, os vínculos e a vida cotidiana.









