Fundadores da Wall Jobs defendem que a inteligência artificial deve servir às pessoas, e não substituí-las
No podcast “Você Está Contratado!”, Alexandre Sande e Henrique Calandra contaram a trajetória da Wall Jobs e explicaram por que acreditam que o futuro do RH passa pela combinação entre tecnologia e atendimento humano
Como transformar um processo burocrático em uma experiência mais humana? Essa foi uma das questões que conduziram a conversa entre os apresentadores Marcelo Nóbrega e Jederson Beck com Alexandre Sande e Henrique Calandra, fundadores da Wall Jobs, no podcast Você Está Contratado!.
Durante o episódio, os empresários contaram como uma ideia surgida ainda na época da faculdade acabou se transformando em uma das referências brasileiras em gestão de contratos de estágio e, mais recentemente, em soluções de inteligência artificial voltadas para recursos humanos.
De um grupo de vagas no Facebook a uma empresa nacional
A história da Wall Jobs começou há mais de dez anos, quando Henrique Calandra, então estudante universitário, enfrentava dificuldades para encontrar oportunidades de estágio.
Inspirado por grupos que conheceu durante um período de estudos nos Estados Unidos, criou um espaço para compartilhar vagas entre estudantes. O projeto, inicialmente sem fins lucrativos, cresceu rapidamente e acabou atraindo empresas interessadas em anunciar oportunidades.
Com o tempo, a equipe percebeu que havia uma dor ainda maior no mercado: a burocracia envolvida na contratação de estagiários.
“Queríamos transformar uma coisa burocrática em algo menos burocrático”, explicou Alexandre Sande.
A empresa foi pioneira na utilização de contratos de estágio totalmente digitais e hoje possui convênios com mais de 7.500 instituições de ensino em todo o país.
O diferencial não é a tecnologia
Apesar de investir fortemente em inovação, Henrique Calandra afirma que o maior diferencial da Wall Jobs nunca foi a tecnologia.
“Nossa vantagem competitiva é como usamos a tecnologia para possibilitar um atendimento humano. A experiência da empresa e do estagiário precisa ser fantástica”, destacou.
Segundo ele, a demora nos processos pode gerar insegurança e até fazer candidatos desistirem de vagas conquistadas. Por isso, a empresa trabalha para dar previsibilidade e transparência a todas as etapas.
A importância de trazer pessoas mais experientes
Outro tema abordado no episódio foi a entrada de Alexandre Sande na sociedade. Henrique reconheceu que precisava de alguém com maior experiência corporativa e relacionamento no mercado de RH.
“Sem ele talvez a empresa crescesse, mas demoraria muito mais”, afirmou.
Alexandre, que vinha de uma carreira consolidada em multinacionais, admitiu que a decisão de migrar para uma startup trouxe dúvidas.
“Eu me questionei muitas vezes se não estava sendo irresponsável com a minha família. Mas foi um processo muito rico”, contou.
Inteligência artificial como força de trabalho
Boa parte da conversa girou em torno do uso da inteligência artificial nas empresas. Para Henrique, muitas organizações ainda enxergam a IA apenas como uma ferramenta, quando deveriam encará-la como uma espécie de força de trabalho complementar.
“A inteligência artificial é um funcionário em tempo integral. Ela representa a empresa. Tem que ser tratada estrategicamente”, afirmou.
Segundo ele, simplesmente usar o ChatGPT não significa que uma empresa tenha uma política de IA.
“O CEO chega e diz: ‘Quero usar IA’. Mas a pergunta é: onde ela faz sentido? Como ela gera vantagem competitiva?”
Nasce a Wall Jobs AI
A aposta mais recente da empresa é a Wall Jobs AI, um braço dedicado ao desenvolvimento de soluções para RH. A companhia deixou de atuar em algumas áreas tradicionais para concentrar esforços em produtos voltados à inteligência artificial.
Entre as soluções estão entrevistas automatizadas por WhatsApp, voz ou vídeo, geração de relatórios e ranqueamento de candidatos, permitindo que recrutadores consigam entrevistar milhares de pessoas sem perder qualidade nas etapas iniciais.
Segundo Alexandre, a tecnologia amplia o alcance do recrutamento, mas não elimina a importância das relações humanas.
“Para cargos estratégicos, relacionamento continua sendo essencial. A IA é uma auxiliar, não uma substituta”, explicou.
O profissional ruim está ameaçado?
Questionados sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, os convidados foram diretos.
“O RH ruim está ameaçado. Todo profissional ruim está”, afirmou Henrique Calandra, em tom bem-humorado.
Para ele, os profissionais que desenvolvem pensamento crítico, entendem do negócio e aprendem a trabalhar com as novas ferramentas tendem a se tornar ainda mais valiosos.
“O profissional que entende do assunto dele não será substituído. Pelo contrário, vai prolongar a carreira.”
Ao final do episódio, ficou uma provocação: mais do que temer a inteligência artificial, talvez seja hora de abandonar o “modo automático”.
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