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Faculdade no exterior: experiência internacional forma profissionais e pessoas melhores, afirma especialista

“A vida começa no fim da zona de conforto”: Felipe Fonseca explica como estudar no exterior transforma carreiras e pessoas

Fazer faculdade fora do Brasil vai muito além de conquistar um diploma internacional. Para Felipe Fonseca, fundador da consultoria Daqui Para Fora, a experiência representa uma oportunidade única de amadurecimento, desenvolvimento humano e ampliação de horizontes.

Em entrevista ao podcast “Você Está Contratado”, apresentado por Jederson Beck e Marcelo Nóbrega, Felipe falou sobre os desafios e benefícios de uma graduação internacional, compartilhou histórias de ex-alunos e destacou a importância de preparar os jovens para um mundo em constante transformação.

Há 25 anos preparando jovens para estudar no exterior

Criada em 2001, a Daqui Para Fora completa 25 anos ajudando estudantes brasileiros a ingressarem em universidades ao redor do mundo. O foco é a graduação internacional, atendendo jovens entre 15 e 18 anos e suas famílias.

Segundo Felipe, muitos alunos buscam a experiência por conta da excelência acadêmica das universidades, mas outros fatores acabam sendo ainda mais transformadores.

“É começar uma vida do zero. Sair de casa com 17 ou 18 anos e aprender a cuidar da própria vida”, resume.

Muito além da sala de aula

Na visão de Felipe, estudar no exterior é uma experiência de formação humana.

Lavar a própria roupa, administrar o dinheiro, conviver com colegas de diferentes culturas, resolver problemas sozinho e aprender a lidar com a distância da família fazem parte do processo de crescimento.

“Esse jovem passa por um amadurecimento que contribui para a pessoa e para o profissional que ele vai se tornar.”

Ele próprio viveu essa experiência nos Estados Unidos, onde estudou Administração na Universidade da Carolina do Sul, conciliando os estudos com a prática do tênis e trabalhos no campus.

Cursos que ainda nem existem no Brasil

Outra vantagem apontada pelo especialista é a diversidade de formações oferecidas pelas universidades estrangeiras.

Entre os cursos mais procurados estão:

  • Neurociência;
  • Ciências cognitivas;
  • Computer Science com foco em Inteligência Artificial;
  • Fashion Business;
  • Desenvolvimento de games;
  • Design para games;
  • Produção de trilhas sonoras para jogos.

Segundo Felipe, as universidades americanas permitem combinações praticamente ilimitadas entre diferentes áreas do conhecimento.

“Você pode estudar neurociência e ciência da computação ao mesmo tempo. O universo de possibilidades é enorme.”

Não é orientação de carreira. É orientação de escolhas

Felipe explica que é impossível prever quais profissões existirão daqui a oito ou dez anos. Por isso, o trabalho da Daqui Para Fora não é dizer ao jovem o que ele deve ser, mas ajudá-lo a descobrir possibilidades.

“Nós fazemos orientação de escolhas acadêmicas, não orientação de carreira.”

Para ele, o mais importante é identificar interesses genuínos e desenvolver competências que permitam ao estudante se adaptar ao futuro.

A faculdade ideal não é necessariamente a mais famosa

Um conceito importante apresentado por Felipe é o chamado “college fit”, ou seja, encontrar a universidade que melhor combina com o perfil do aluno.

Entre os fatores considerados estão:

  • Tamanho da instituição;
  • Localização;
  • Cultura acadêmica;
  • Ambiente mais competitivo ou colaborativo;
  • Flexibilidade curricular;
  • Vida esportiva;
  • Perfil empreendedor da universidade.

“O objetivo é escolher um lugar onde o estudante possa ser feliz e aproveitar ao máximo a experiência.”

Europa cresce como alternativa

Embora os Estados Unidos continuem sendo o principal destino dos estudantes brasileiros atendidos pela consultoria, países da Europa vêm ganhando espaço.

Espanha, Itália, Holanda e Portugal aparecem entre os mais procurados, principalmente pela combinação entre qualidade acadêmica e custos mais acessíveis.

Muitos cursos são oferecidos em inglês, o que amplia ainda mais as possibilidades.

Inteligência Artificial exige competências humanas

Ao falar sobre o futuro do trabalho, Felipe acredita que os jovens precisam aprender a utilizar a Inteligência Artificial, mas sem deixar de desenvolver habilidades que dificilmente serão substituídas por máquinas.

Empatia, criatividade, comunicação, capacidade de adaptação e trabalho em equipe continuarão sendo diferenciais importantes.

“As competências humanas não serão substituídas pela IA.”

Muitos voltam para o Brasil para empreender

Segundo Felipe, uma parcela significativa dos estudantes permanece alguns anos no exterior após a graduação, mas a maioria retorna ao Brasil.

E muitos acabam empreendendo.

Um dos exemplos é Yuri Gricheno, fundador da Insider Store, além de ex-alunos que hoje trabalham em empresas como Google, Tesla, Nvidia e grandes bancos internacionais.

Uma demonstração de amor dos pais

Ao final da entrevista, Felipe deixou uma reflexão tanto para os estudantes quanto para suas famílias.

Ele admira a coragem dos jovens que se desafiam a sair da zona de conforto e acredita que os pais que incentivam essa jornada demonstram uma das maiores provas de amor que podem oferecer.

“Life starts at the end of your comfort zone.”

E completa:

“Um pai e uma mãe que apoiam um filho a sair de casa para evoluir estão dando uma das maiores demonstrações de amor que podem oferecer.”

Porque, afinal, como lembra a frase atribuída a John Shedd, citada durante a conversa:

“Um navio no porto está seguro, mas não é para isso que os navios são construídos.”

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