Basquete

Experimentei a Soda do Ben Stiller sem provar uma única gota

Não encontrei a bebida no Brasil. Então resolvi analisar aquilo que qualquer consumidor vê antes de abrir a lata: a marca. 

Imagine descobrir que o Ben Stiller lançou um refrigerante. A curiosidade bate e você procura para comprar. Procura em marketplaces, lojas de importados, sites especializados… e nada. Pelo menos, nada que faça sentido pagar ou que esteja disponível com facilidade por aqui.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo.

Como não consegui experimentar a bebida, resolvi fazer a segunda melhor coisa: experimentar a marca.

E, sinceramente? Talvez seja aí que esteja o ingrediente mais interessante da Stiller’s Soda.

A lata vende muito antes do refrigerante

Antes mesmo de saber o sabor, a embalagem já entrega uma mensagem. Ela não tenta parecer futurista e nem aposta naquele visual minimalista cheio de branco, letras pequenas e promessas científicas.

Pelo contrário. Ela abraça um design retrô, colorido e divertido, que parece ter saído da prateleira de um mercadinho americano dos anos 90 (com um toque dos anos 80 também). Dá vontade de pegar a lata simplesmente porque ela parece fazer parte de uma lembrança, mesmo para quem nunca a viu antes.

Essa sensação não é por acaso. Hoje, nostalgia é estratégia de marketing (pelo menos das empresas inteligentes).

E poucas pessoas entendem tão bem o poder da nostalgia quanto alguém que construiu boa parte da carreira fazendo filmes que marcaram gerações.

Não é “o refrigerante do Ben Stiller”

Esse talvez seja o maior acerto da marca. Em vez de colocar uma foto gigante do ator na embalagem ou chamar o produto de “Ben’s Soda”, a empresa criou uma identidade própria.

O nome Stiller’s Soda faz referência ao sobrenome, mas a comunicação não gira em torno do ego da celebridade. Ela gira em torno de histórias.

A sensação é que Ben Stiller emprestou sua credibilidade para construir uma marca, e não apenas para vender um produto. Existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.

A campanha parece um filme do Ben Stiller

Se você assistir aos vídeos de divulgação, vai perceber rapidamente que eles poderiam muito bem ser esquetes de humor. Não há aquela linguagem tradicional de propaganda.

Os comerciais têm humor seco, situações desconfortáveis, personagens curiosos e um ritmo que lembra bastante o tipo de comédia que fez Ben Stiller conquistar tantos fãs.

Ou seja… a campanha vende refrigerante sem deixar de vender aquilo que Ben Stiller sempre vendeu: entretenimento.

Um famoso distribuindo refrigerante no supermercado

Entre as ações que mais chamaram minha atenção está o próprio Ben Stiller indo a supermercados oferecer degustações. Não apareceu como “estrela inalcançável”. Foi conversar com consumidores.

É uma ação simples mas extremamente humana.

Num mundo onde muitas campanhas parecem produzidas exclusivamente para redes sociais, ver o criador da marca indo até as pessoas cria uma conexão difícil de comprar apenas com mídia paga.

Basquete, cultura pop e comunidade

Outro detalhe interessante é a presença constante do basquete na comunicação. Quem acompanha Ben Stiller sabe que ele é fã declarado do esporte, especialmente do basquete de Nova York.

Essa paixão aparece naturalmente na identidade da marca. Não parece algo inserido por uma agência para “surfar na tendência”. Parece fazer parte da personalidade de quem criou o produto.

E talvez seja justamente isso que torna tudo mais autêntico. Quando uma marca nasce de interesses reais, ela costuma conversar melhor com pessoas reais.

As redes sociais entendem o personagem

As redes sociais seguem exatamente a mesma linha. Nada parece excessivamente polido. Os posts mantêm o humor, a ironia e a personalidade. Existe uma coerência muito grande entre embalagem, anúncios, vídeos e presença digital.

Hoje isso vale ouro. Muitas empresas criam uma identidade bonita, mas esquecem de sustentá-la quando começam a publicar conteúdo. A Stiller’s Soda faz justamente o contrário. Tudo conversa entre si.

E o sabor?

Boa pergunta. Eu também queria saber. Infelizmente, experimentar a Stiller’s Soda no Brasil é uma missão impossível. E isso é uma pena.

Vivemos numa época em que conseguimos assistir a um lançamento do outro lado do planeta em tempo real, mas ainda encontramos enormes barreiras para experimentar produtos como esse.

Tomara que isso mude. Porque existe um público brasileiro que adora conhecer novidades, principalmente quando elas vêm acompanhadas de boas histórias.

Confissão final

Preciso ser transparente. Talvez eu tenha escrito esta matéria por um motivo muito simples. Vai que o Ben Stiller ou a equipe da Stiller’s Soda encontram este texto e resolvem mandar uma caixa para o Brasil.

Prometo fazer uma segunda matéria. Dessa vez, experimentando cada sabor.

E, se além disso surgir um convite para uma entrevista sobre criatividade, branding, humor e a história por trás da marca… Aí eu aceito sem pensar duas vezes.

Ben, se você estiver lendo isso… A bola está com você.

Fernando Vítolo é comunicador, escritor e entrevistador. Há mais de uma década trabalha contando histórias, conectando pessoas e produzindo conteúdo multiplataforma. @fernando.vitolo