A Grande Pergunta
Quando pensamos em Deus, quase sempre imaginamos alguém distante. Alguém poderoso, soberano, sentado em um trono muito acima dos nossos problemas. É natural imaginar que, se Deus decidisse intervir na história da humanidade, faria isso de maneira grandiosa, impondo Seu poder, eliminando o sofrimento e colocando tudo em ordem.
Mas e se a maior demonstração do poder de Deus não fosse a força? E se fosse a proximidade?
Essa é justamente a pergunta que João responde no primeiro capítulo do seu Evangelho. Mais do que contar a história do nascimento de Jesus, ele quer revelar quem Jesus realmente é. E a resposta muda completamente a forma como enxergamos Deus.
Qual o texto bíblico usado nessa mensagem?
Texto principal
- João 1:1-14
Outros textos mencionados ao longo da mensagem
- Mateus 9
- Filipenses 2:5-11
- Êxodo 25
- 2 Samuel 7
- Gênesis 2 e 3
- Mateus 26
- Romanos 12:1
- Salmo 121
O que o texto bíblico revela?
João abre seu Evangelho de uma maneira completamente diferente dos demais. Enquanto Mateus fala da genealogia de Jesus e Lucas descreve Seu nascimento, João volta muito antes disso. Ele retorna ao princípio de todas as coisas.
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
Para os primeiros leitores, essa afirmação era extraordinária. João estava dizendo que Jesus não começou a existir em Belém. Antes mesmo da criação do universo, Ele já existia. Foi por meio dEle que todas as coisas foram criadas. A vida estava nEle, e essa vida era a luz dos homens.
Ao longo do prólogo, João interrompe rapidamente a narrativa para apresentar João Batista. Mas faz questão de esclarecer algo importante: João Batista não era a luz. Sua missão era apenas apontar para Aquele que realmente iluminaria o mundo.
Então chega ao versículo que se tornou um dos mais conhecidos de toda a Bíblia:
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”
É aqui que, segundo Zé Bruno, acontece uma das maiores revelações sobre a identidade de Jesus. Deus poderia simplesmente enviar mais um profeta. Poderia entregar novas leis. Poderia falar do céu por meio de anjos ou manifestações sobrenaturais. Mas escolheu um caminho completamente diferente.
Ele entrou na nossa história. Jesus não observou a humanidade à distância. Não veio apenas visitar a Terra. Não permaneceu protegido da dor humana. Ele nasceu como um de nós, cresceu como um de nós e viveu exatamente no mesmo mundo quebrado que nós conhecemos.
Sentiu fome. Sentiu sede. Foi rejeitado. Foi traído. Experimentou o medo. Chorou. Sofreu injustiças. Conheceu a dor da perda e da solidão.
Segundo Zé Bruno, imaginar Jesus vivendo entre nós é como pensar em um missionário que decide abandonar todo o conforto para morar em uma das regiões mais pobres do mundo. O que impressiona não é alguém ajudar à distância, protegido por uma estrutura confortável. O que realmente toca o coração é ver alguém vestir a mesma roupa, caminhar pelas mesmas ruas, comer a mesma comida e dividir a vida com quem sofre. Foi exatamente isso que Deus fez.
João usa uma palavra muito interessante quando afirma que Jesus “habitou” entre nós. O verbo empregado lembra o Tabernáculo do Antigo Testamento. Durante a caminhada de Israel pelo deserto, Deus mandou construir uma tenda que ficava no centro do acampamento. Era ali que Sua presença se manifestava. A vida do povo girava em torno daquele lugar.
Ao dizer que o Verbo habitou entre nós, João está dizendo que Deus voltou a montar Sua tenda no meio do Seu povo. Só que agora não em um tabernáculo de tecido, mas na própria pessoa de Jesus. Ele veio morar conosco.
O que isso significa hoje?
Existe uma ideia bastante comum de que a fé serve para eliminar os problemas da vida. Muitas pessoas se aproximam de Deus esperando que, a partir daquele momento, tudo comece a dar certo. Afinal, se Deus está conosco, por que ainda existe sofrimento?A resposta apresentada por João é surpreendente.
Jesus nunca prometeu uma vida sem lutas. O que Ele prometeu foi Sua presença em meio às lutas.
Zé Bruno faz uma observação muito interessante ao comentar João 1:12, quando o texto diz que Jesus deu aos que O receberam “o poder de serem feitos filhos de Deus”. Frequentemente essa palavra “poder” é interpretada como uma espécie de força sobrenatural para conquistar tudo o que desejamos. Mas o sentido do texto é outro.
O maior presente que Deus nos deu não foi uma arma espiritual para resolver todos os nossos problemas. Foi o privilégio de pertencermos à Sua família.
É a diferença entre uma criança que acredita que o pai a ama apenas quando ganha presentes e um adulto que, olhando para trás, percebe quantos sacrifícios seus pais fizeram silenciosamente para sustentá-lo durante toda a vida. Com Deus acontece algo parecido.
À medida que amadurecemos espiritualmente, deixamos de medir Seu amor apenas pelas respostas às nossas orações. Começamos a perceber que a maior prova desse amor é o fato de Ele nunca nos abandonar. O Deus revelado em Jesus não permanece distante observando nosso sofrimento. Ele entra nele.
Quando enfrentamos uma enfermidade, uma perda, uma injustiça ou uma crise, Jesus não fala como alguém que apenas conhece a teoria da dor. Ele fala como quem já passou por ela. Ele sabe o que é ser rejeitado. Sabe o que é ser traído. Sabe o que é ser abandonado. Sabe o que é sentir medo diante da morte.
Por isso, quando João afirma que “o Verbo se fez carne”, não está apenas descrevendo um acontecimento histórico. Está revelando um Deus que escolheu experimentar a condição humana para que ninguém pudesse dizer: “Deus não sabe o que estou vivendo.” Ele sabe. E continua presente.
Ponto de reflexão
Você tem buscado um Deus que apenas resolva os seus problemas ou um Deus disposto a caminhar com você dentro deles?
Exercício prático da semana
Reserve alguns minutos durante esta semana para lembrar de uma situação difícil que você enfrentou. Em vez de perguntar apenas “Por que isso aconteceu comigo?”, faça outra pergunta:
Onde Deus esteve presente enquanto eu passava por essa dor?
Anote tudo o que vier à sua mente. Muitas vezes percebemos Sua presença apenas quando olhamos para trás.
Oração sugerida
Jesus, obrigado porque o Senhor não ficou distante da minha realidade. Obrigado por conhecer minhas dores, meus medos e minhas limitações. Ensina-me a confiar na Tua presença, mesmo quando eu não entender o que está acontecendo. Que eu nunca me esqueça de que o Senhor continua caminhando ao meu lado. Amém.
Para ir mais fundo
“O Verbo se fez gente para pisar o nosso chão.” — Zé Bruno
Jesus em uma frase
Jesus é o Deus que deixou Sua glória para compartilhar nossa humanidade e mostrar que Sua maior demonstração de poder é Sua presença ao nosso lado.
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