No primeiro episódio, “No Capricho”, o humorista vira o único funcionário e também o Funcionário do Mês, de uma padaria onde o choque cultural entra no cardápio. A série é gravada e editada pela Younik, com direção de Fernando Vítolo.
Paul Cabannes acaba de colocar no ar uma nova série de humor no Instagram: Pão do Paul. A premissa é simples e justamente por isso tem tudo para render: o comediante abre uma padaria francesa e passa a receber clientes, amigos e personagens que transformam situações cotidianas em novos encontros entre França e Brasil.
Só que há um detalhe que ajuda a explicar o espírito da série: numa placa ao fundo, ele aparece como Funcionário do Mês. O detalhe é que, na padaria, só trabalha ele.
Mais do que uma padaria de verdade, o lugar é um cenário para as esquetes. “O padeiro sou eu”, explica Paul. Os clientes que entram podem ser gringos ou amigos interpretando personagens brasileiros. A ideia, segundo ele, é abordar o choque cultural por outro ângulo: em vez de ser o francês tentando decifrar o Brasil, agora é ele quem tenta explicar as nossas expressões, manias e formas de se relacionar.
“Em vez de ser eu o cara que não entende, sou eu que estou explicando o choque cultural dessa vez”, conta.
Em “No Capricho”, episódio de lançamento, uma expressão tão brasileira se torna o centro da conversa. Para quem nasceu aqui, ela pode significar cuidado, generosidade e até afeto. Uma seguidora resumiu bem nos comentários: “É um colo de mãe”. Outro internauta brincou com o posto do protagonista: “Acabou de chegar e já é funcionário do mês? Isso é que é capricho!”
A repercussão inicial indica que o personagem pode ter vida longa. “Muito bom, faça mais desse personagem”, escreveu um espectador. E talvez o comentário que melhor traduza a proposta da série seja este: “Tipo croissant com recheio, não sei explicar, mas fica bom.”
A vontade de apostar em um formato mais elaborado foi decisiva para o nascimento de Pão do Paul. “Eu queria fazer uma coisa mais bem produzida e de esquete”, afirma o humorista.
A ideia da padaria partiu do próprio Paul, que também encontrou a locação. Com o local definido, Fernando Vítolo, diretor da série, fez a visita técnica para pensar câmeras, iluminação e as possibilidades que o espaço oferecia para os episódios.
“Eu fui olhar a parte técnica, ver o que precisaríamos e onde posicionaríamos as câmeras e a iluminação”, explica Fernando. “Mas, estando ali, começamos a conversar sobre várias ideias que poderiam acontecer na série. Para mim, participar desse processo é mais do que trabalho, porque é muito divertido. E dar ideias faz parte dessa diversão.”
Foi nesse encontro entre o ambiente real da padaria e a construção do universo ficcional que surgiu a placa de Funcionário do Mês. Ao observar as colaboradoras trabalhando e as paredes do local, Fernando percebeu que faltava aquele quadro tão comum em estabelecimentos comerciais. A sugestão foi imediata: colocar a foto de Paul como o destaque do mês. “Paul comprou a ideia imediatamente”, conta.
A direção da Younik buscou ampliar a escala visual da série sem apagar a essência do humor que Paul já consolidou nas redes. “O humor dele é meio seco, com cortes rápidos, sem muita pausa. É uma linguagem que a própria internet pede”, avalia Fernando. “Mesmo com uma produção maior, com câmera, iluminação e edição, isso não poderia sumir.”
O resultado é uma esquete mais produzida, mas ainda rápida, direta e com o ritmo que o público de Paul reconhece. A produção da Younik entra justamente para potencializar esse universo, preservando a espontaneidade do comediante e criando um espaço visual capaz de receber personagens, convidados e novas situações.
O primeiro episódio conta com a participação da atriz Loise Teyber. Outros já gravados devem trazer Mauricio Ramos e Osvaldo Barros para essa padaria em que todo cliente pode sair com um croissant, uma dúvida cultural e uma nova história para contar.
Com roteiro de Paul Cabannes, Pão do Paul foi gravado e editado pela Younik, com direção de Fernando Vítolo. E, se depender do padeiro, o próximo passo talvez seja lançar um pão de queijo francês. Antes disso, porém, fazer o quadro engajar já seria, como diriam por aqui, capricho.













