Parece Mas Não É

Venci. Quebrei o banco, mas…

O que importa quebrar o banco se consegue eleger o sucessor? Afinal, o banco estatal está à disposição do governo para gastar com projetos demagógicos e populistas em ano eleitoral. Alguém já disse que os fins justificam os meios, afirmação atribuída ao italiano Niccolò Machiavelli, mas o verdadeiro autor é o também italiano Ovídio, aquele do Império Romano. Não importa a origem, o chefe do Poder Executivo põe em prática o que acha necessário para consolidar o seu poder político. A maioria dos eleitores não entende como se pode desviar um volume tão grande de dinheiro sem nenhum controle dos órgãos de fiscalização financeira. A propaganda estatal vende para a população que tudo vai bem e que os gastos são para melhorar a vida de todos, especialmente dos mais pobres.

O relacionamento do governante com os jornalistas se apoia na canção de Jefferson e Mazurega: Entre Beijos e Abraços. As entrevistas com os jornalistas nem sempre acabam com almoços ou jantares no palácio. Os mais críticos são ameaçados pelos companheiros do partido, que os acusam de estar a serviço da meia dúzia de famílias que monopolizam os grandes conglomerados de comunicação. O Banco Central se inspira na estátua que está em frente ao Supremo Tribunal Federal, usa uma venda que o impede de intervir e decretar o fechamento do banco. Algo impossível em um país onde o presidente do Banco Central e toda a diretoria são nomeados pelos chefes do Executivo. Exemplo mais marcante ocorre no programa Roda Viva, da TV Cultura, em uma rodada de entrevistas com candidatos à Presidência da República.

O banco é o maior banco estadual e o terceiro maior banco comercial do Brasil. Seu prédio é icônico, localizado no centro velho de São Paulo, ao lado do Banco do Brasil. O prédio do Banespa lembra — tem gente que diz ser um plágio — o United States Building. É um dos cartões-postais do paulistano. Entre os 3 milhões de correntistas, apenas 61 têm dívidas impagáveis. Os tais papéis podres. Entre muitos beneficiados estão Gurgel Motores, Cooperativa de Cotia, Vasp e Mendes Júnior, entre outros. Finalmente, o Banco Central acorda e faz uma investigação no uso do Banespa pelos governadores Orestes Quércia e seu filhote político Luiz Antonio Fleury. Políticos, campanhas eleitorais, filhotismo, paternalismo e outros “ismos” quebraram o banco. O rombo é absorvido pelo governo federal, que recebe o pagamento em suaves prestações mensais. Corrijo: quem banca é o pagador de impostos. Poucos, muito poucos, percebem que o fisiologismo e a política de eleger o sucessor a qualquer preço são bancados pelo seu bolso.

Prof. Heródoto Barbeiro, âncora do Jornal Nova Brasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História, Media Training e Budismo. Grande Prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA e Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e media training. Canal no YouTube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br