Negócios

O RH do futuro não terá todas as respostas

Inovação no RH começa com boas perguntas, não com respostas prontas, defende Karina Ude no podcast da Você Está Contratado!

Em um cenário em que inteligência artificial, transformação digital e novas formas de trabalho ocupam o centro das discussões corporativas, uma pergunta ganha cada vez mais importância: qual é, afinal, o papel das pessoas em meio a tanta tecnologia?

Essa foi uma das reflexões centrais da conversa entre Karina Ude, líder de Recursos Humanos da Puratos para a América do Sul e Central, e os apresentadores Marcelo Nóbrega e Jederson Beck, no podcast da Você Está Contratado!.

Ao longo da entrevista, Karina compartilhou experiências acumuladas em empresas como Bosch, Syngenta, Vale e Puratos, mostrando que inovação não nasce da tecnologia, mas da coragem de questionar processos, abandonar práticas ultrapassadas e colocar as pessoas no centro das decisões.

A inovação começa pelas perguntas

Para Karina, o principal combustível da inovação é a curiosidade.

Ela explica que sempre procurou entender por que determinado processo existe e se ele realmente continua fazendo sentido. Em vez de defender modelos prontos, prefere experimentar novas possibilidades, mesmo sabendo que algumas delas não darão certo.

Segundo ela, um dos maiores desafios das empresas não é criar projetos inovadores, mas saber encerrá-los quando deixam de gerar valor.

“O nosso legado não está em um projeto. Nosso legado está no impacto.”

Essa mentalidade exige desapego, coragem e maturidade para entender que processos precisam evoluir conforme os desafios do negócio mudam.

RH não pode ser apenas guardião de processos

Durante a conversa, Marcelo Nóbrega provoca uma discussão importante: o RH ainda é excessivamente apegado a processos?

Karina concorda que muitas organizações carregam uma cultura excessivamente tradicional, mas acredita que o verdadeiro papel da área é outro.

Para ela, Recursos Humanos deve atuar como um catalisador das mudanças, questionando constantemente se políticas, estruturas e modelos de trabalho continuam atendendo às necessidades da empresa e das pessoas.

Em vez de simplesmente preservar processos, o RH precisa criar ambientes que favoreçam experimentação, aprendizado e adaptação.

Influenciar é unir dados, emoção e ação

Questionada sobre sua capacidade de mobilizar pessoas em torno de projetos inovadores, Karina revela um modelo bastante simples.

Segundo ela, toda influência passa por três dimensões:

  • Cabeça: dados, indicadores e argumentos racionais.
  • Coração: conexão emocional e propósito.
  • Estômago: senso de urgência e incentivo para agir.

Ela também destaca que um líder não precisa ter todas as respostas.

Ao contrário: precisa criar espaço para ser questionado.

“Pedir para ser desafiado exige humildade e coragem.”

O RH do futuro será muito mais estratégico

Outro tema da entrevista foi o chamado Internal Talent Marketplace, uma plataforma que conecta colaboradores a projetos internos de acordo com suas competências e interesses.

Na prática, profissionais deixam de depender exclusivamente do gestor para encontrar oportunidades de desenvolvimento e passam a assumir maior protagonismo sobre suas carreiras.

Karina acredita que esse tipo de modelo tende a crescer ainda mais com a inteligência artificial.

A IA pode analisar habilidades, histórico profissional, avaliações de desempenho, planos de desenvolvimento e experiências anteriores para sugerir automaticamente os projetos mais compatíveis com cada colaborador.

Mas ela faz um alerta importante: tecnologia sozinha não resolve.

Sem uma cultura baseada em autonomia, confiança e responsabilidade, iniciativas como essa dificilmente prosperam.

Inteligência artificial transforma processos, mas não substitui pessoas

Ao falar sobre IA, Karina deixa claro que a discussão vai muito além de produtividade.

Segundo ela, a pergunta mais importante hoje não é quais ferramentas utilizar, mas sim:

O que precisa continuar sendo humano?

Ela acredita que cabe ao RH preservar aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: relações genuínas, confiança, colaboração e cultura organizacional.

Para ela, a inteligência artificial deve eliminar tarefas repetitivas, acelerar decisões e ampliar capacidades humanas — nunca substituir aquilo que faz das organizações ambientes vivos.

O futuro pertence a quem continua aprendendo

Ao final da conversa, Karina reforça que ninguém possui todas as respostas sobre o futuro do trabalho.

O mundo muda rapidamente, novas tecnologias surgem diariamente e as organizações precisarão aprender continuamente.

Nesse contexto, curiosidade, abertura para experimentar e disposição para aprender tornam-se competências tão importantes quanto qualquer conhecimento técnico.

Mais do que acompanhar tendências, o desafio das lideranças será construir ambientes onde inovação e humanidade caminhem lado a lado.

Porque, como resume Karina Ude, a tecnologia pode transformar empresas, mas são as pessoas que continuam sendo a verdadeira essência de qualquer organização.

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