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Heródoto Barbeiro e a nova figura do “ladrão serial”

No Por Dentro da Máquina, o jornalista parte de um caso nos Estados Unidos para provocar uma reflexão sobre crimes repetidos e punição.

Um homem que repetia o mesmo tipo de crime foi preso após furtar uma bolsa em um restaurante de Washington. O caso levou Heródoto Barbeiro a discutir o peso da reincidência na responsabilização criminal.

No programa Por Dentro da Máquina, Heródoto começou observando como a televisão deixou de ser apenas televisão. O aparelho agora reúne canais, redes sociais e plataformas de streaming, onde não faltam produções sobre assassinos em série.

De Jack, o Estripador, aos criminosos retratados em documentários recentes, os chamados serial killers se transformaram em personagens recorrentes do entretenimento. Mas o jornalista encontrou uma nova categoria para acrescentar a esse universo: o “ladrão serial”.

Quando o crime deixa de ser um caso isolado

A provocação surgiu a partir de um caso ocorrido em Washington, nos Estados Unidos. Um homem foi preso depois de furtar a bolsa de uma mulher dentro de um restaurante. Segundo o relato apresentado por Heródoto, havia cerca de três mil dólares dentro dela.

A punição recebida pelo criminoso teria sido agravada não apenas pelo episódio no restaurante, mas pelo histórico de crimes semelhantes. Ele não havia furtado uma única bolsa: repetia a mesma prática.

É justamente esse padrão que leva Heródoto a apresentar, com bom humor, a figura do “ladrão serial”. Assim como um assassino em série é identificado pela repetição de seus crimes, o mesmo raciocínio poderia ser aplicado a alguém que pratica sucessivos furtos ou roubos.

A reflexão não está apenas no objeto levado, mas na sequência. Um delito analisado isoladamente conta apenas uma parte da história. Quando existe repetição, planejamento e continuidade, surge um comportamento que também precisa ser considerado.

E se existisse o “ladrão serial de celulares”?

Heródoto transporta a discussão para uma situação bastante conhecida pelos brasileiros: o roubo de celulares.

Em sua provocação, uma pessoa rouba um aparelho, é solta, comete o mesmo crime novamente e volta a ser liberada. Cada ocorrência pode ser tratada individualmente, embora, juntas, revelem um padrão recorrente.

O jornalista chega a inventar uma expressão para esse personagem: o serial cell phone, uma espécie de “ladrão serial de celulares”.

A brincadeira levanta uma pergunta séria: até que ponto a responsabilização deve considerar apenas o último crime e quando o histórico passa a revelar uma atuação sistemática?

Heródoto não pretende apresentar uma nova classificação jurídica. Sua ideia é chamar a atenção para a diferença entre um episódio isolado e uma sequência de delitos cometidos da mesma maneira.

No encerramento, ele ainda sugere que o tema poderia se transformar no enredo de uma nova série. Depois de tantas produções sobre assassinos em série, talvez esteja faltando contar a história do criminoso que não deixa corpos pelo caminho, mas acumula bolsas, celulares e uma longa ficha de reincidências.

A ideia é apresentada com ironia, mas a questão permanece: quando a repetição deixa de ser apenas um histórico de ocorrências e passa a definir o próprio modo de atuação do criminoso?

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