Diário de Bordo

O Brasil entre Ilusões

Bandeira do Brasil em primeiro plano diante do Congresso Nacional em Brasília ao pôr do sol

Em meio a uma crise, a primeira coisa que se perde é a verdade.

Diário de Bordo 11 – novembro 2026

Querido Diário!

A base fundamental para o desenvolvimento e a geração de riquezas de uma nação encontra suas raízes nas ideias de Adam Smith, o pai do capitalismo moderno. Em sua premissa básica, o filósofo inglês defendia a liberdade econômica, a livre iniciativa das empresas e a baixa interferência do Estado. No entanto, ao observarmos a realidade brasileira contemporânea, percebemos que o país caminha na contramão desses princípios, sufocado por engrenagens que beneficiam poucos e penalizam aqueles que realmente produzem.

O agronegócio brasileiro é o exemplo mais claro dessa distorção. Embora seja o grande motor da nossa economia, a engrenagem é cruel com sua base: o pequeno produtor. É ele quem acorda cedo, planta e colhe — representando cerca de 70% da força que, somada, transforma o agro nacional em um gigante. Contudo, esse pequeno produtor está sufocado. Ele não tem assento nas grandes mesas de negociação internacional com líderes como os dos Estados Unidos ou da China. O lucro real escoa para os atravessadores, para o exterior e para os cofres do governo, enquanto uma elite restrita colhe os maiores dividendos. Paralelamente, enfrentamos narrativas descoladas da realidade, como a de que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) seria o grande responsável por alimentar o Brasil. Os dados, no entanto, mostram que o movimento não produz sequer 3% do volume gerado pelo agro brasileiro. Pode?

Essa asfixia econômica e social não é um mero acaso; é o reflexo de décadas de uma política profunda e disfarçadamente enviesada. Durante muito tempo, o brasileiro foi vítima do que Olavo de Carvalho chamava de “Teatro das Tesouras” explico; uma falsa dicotomia entre direita e esquerda que dominou o cenário nacional, faz tempo. Um exemplo contundente é a figura de Fernando Henrique Cardoso. Historicamente vendido como um presidente de “direita” ou centro, FHC tinha um viés eminentemente socialista. Deu Aulas sobre socialismo em Harvard e, ao fim de seu mandato, articulou nos bastidores para a eleição de Lula em 2002.

Por sua vez, o atual presidente também se utiliza de manipulações. Ao assumir recentemente posturas ditas “conservadoras”, ele não mente sobre sua essência pragmática: ele é capitalista, sim capitalista, e sempre soube se adaptar. Sua grande estratégia foi cooptar a pauta das minorias — movimentos sociais, grupos identitários e raciais — para formar uma base de apoio majoritária. Assim, o sistema mantém a população escravizada por ideologias e dividida. E é exatamente essa “luta de todos contra todos” que interessa à agenda progressista. Uma população dividida não tem força, não luta contra o sistema e não conquista sua verdadeira independência, ficando à mercê dos interesses de uma pequena oligarquia política.

No cenário geopolítico, o mundo vive uma dicotomia assustadora. Por um lado, temos países de regime totalitário, como a China, onde não há divisões internas, mas à custa de uma ditadura de mão de ferro e de um monitoramento tecnológico absurdo sobre o cidadão, que perdeu o direito de se expressar. A democracia, com todas as suas variações e oscilações, ainda é o único caminho aceitável para a liberdade. Porém, como alertava Edward Bernays — o criador da engenharia do consentimento —, “o homem gosta de ser enganado”. E, infelizmente, o brasileiro tem aceitado passivamente as migalhas de uma falsa segurança, dormindo diante das artimanhas do poder.

Para que o Brasil mude, é preciso que a cabeça do brasileiro mude. Precisamos abandonar a herança cultural do comodismo. Precisamos sair da cultura da escassez, da mesquinhez e da dependência do Estado.urgentemente!

Foi essa busca por novos valores que tem levado muitos a repensarem suas vidas, a exemplo de profissionais que deixam a estabilidade ilusória do serviço público para empreender e ensinar na iniciativa privada. É fundamental levar à população o conhecimento e a cultura do verdadeiro progresso.

Por fim, é urgente desmistificar a ideia de que “o crime compensa”. Nos bastidores do poder, longe das câmeras, a realidade dos corruptos é miserável. A experiência de quem atuou nos bastidores de grandes investigações, como a Operação Lava Jato, revela figurões da política e empresários que escondiam milhões em apartamentos, chorando algemados e implorando por clemência. As intimidades desses homens poderosos, que não chegaram lá pelo mérito e pelo trabalho, são marcadas pela destruição: famílias esfaceladas, filhos imersos em depressão e dependência química. As leis da natureza e do universo são implacáveis; a conta sempre chega.

O verdadeiro sucesso e a paz de espírito só são alcançados pelo cultivo do progresso natural, do trabalho duro e honesto. O Brasil só encontrará seu grande destino no dia em que a população despertar para o conhecimento, unir suas forças e substituir a malandragem e a dependência pelo trabalho, pelo mérito e pela inegociável defesa de sua liberdade.

“Quem sabe faz a hora , não espera acontecer” o refrão mais famoso da música “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores” (tamboreada popularmente como “Caminhando”).

Roberto Coelho é historiador e comunicólogo
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