Manipulador contou que combinou características de Pat Morita, de Karatê Kid, e Olmos, de Miami Vice, para desenvolver a personalidade do mestre das Tartarugas Ninja.
Kevin Clash, manipulador de bonecos que também passou a trabalhar com direção e produção, revelou como construiu a personalidade do Mestre Splinter para os filmes das Tartarugas Ninja. Segundo o artista, o personagem nasceu da combinação de duas referências bastante diferentes: Pat Morita, eternizado como o senhor Miyagi de Karatê Kid, e Olmos, de Miami Vice.
Clash contou que, ao imaginar como Splinter deveria ser, pensou nos dois atores e misturou características de suas personalidades. De um lado, enxergava em Olmos um jeito mais descolado. Do outro, tinha como referência Pat Morita, cuja interpretação como mestre em Karatê Kid se tornou uma das mais reconhecidas do cinema dos anos 1980. “Eu meio que combinei as duas personalidades, e foi assim que criei o Splinter”, explicou.
Durante a conversa, Clash também apresentou uma versão do boneco de Splinter feita especialmente para ser utilizada em eventos como a Comic-Con. Apesar de bastante parecida com aquela vista nos filmes, ela é mais simples e leve. O boneco original, segundo ele, possuía diversos mecanismos e servomotores, o que tornava sua manipulação muito mais pesada. A nova versão foi produzida por um construtor e designer especialmente para suas participações em convenções.
Ao colocar o boneco em ação diante das câmeras, Clash rapidamente transforma a explicação técnica em uma pequena apresentação. Na voz de Splinter, observa as duas câmeras apontadas em sua direção e brinca: “Devo ser importante.” O momento ajuda a mostrar como o trabalho do manipulador vai além de simplesmente movimentar o personagem: expressão, timing e personalidade fazem parte da construção da ilusão.
Outra curiosidade revelada por Clash é que ele inicialmente não deveria ser a voz definitiva de Splinter. Desde o começo da produção, sabia que outra pessoa seria chamada posteriormente para dublar o personagem. A voz que utilizava durante as gravações serviria, portanto, apenas como referência. Mas a equipe acabou se acostumando tanto com sua interpretação que mudou de ideia. “Eles se acostumaram tanto com ela e gostaram tanto que decidiram: ‘Tudo bem, pode ser você mesmo’”, contou Clash.
Assim, além de ajudar a definir os movimentos e a personalidade de Splinter, Kevin Clash acabou deixando também sua voz no personagem. O relato oferece um olhar pouco conhecido sobre a criação de uma das figuras mais marcantes das Tartarugas Ninja e revela como referências de outros personagens, interpretação e técnica se misturaram até transformar um complexo boneco mecânico no mestre que o público viu nas telas.










