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Juros no Brasil: por que tão altos?

No programa Por Dentro da Máquina, Heródoto Barbeiro compara as taxas brasileiras com China e Estados Unidos e provoca uma reflexão sobre contas públicas, inflação e o impacto dos juros na vida cotidiana.

Se alguém perguntar rapidamente qual é a taxa de juros do Brasil, talvez você não saiba responder com precisão. Mas provavelmente sabe uma coisa: é alta.

Foi a partir dessa provocação que Heródoto Barbeiro iniciou mais uma edição do Por Dentro da Máquina, colocando lado a lado a realidade brasileira e a de algumas das maiores economias do mundo.

Durante o programa, Heródoto destacou que os juros brasileiros estão na casa dos 14% e chamou atenção também para a chamada taxa real de juros, aquela que desconta a inflação. Segundo ele, o Brasil aparece entre os países com os juros reais mais elevados do mundo.

Mas a comparação fica ainda mais provocativa quando outros países entram na conversa.

E nos Estados Unidos?

Heródoto lembra que, nos Estados Unidos, os juros estão em um patamar muito inferior ao brasileiro, na faixa dos 4%. A diferença ajuda a dimensionar o tamanho do custo do dinheiro no Brasil.

Juros elevados encarecem empréstimos, financiamentos e investimentos produtivos. Também afetam empresas, consumidores e, consequentemente, a atividade econômica.

Mas é quando Heródoto olha para a China que a comparação ganha uma camada especialmente interessante.

China: comunista, “pero no mucho”

Com seu habitual tom provocativo, Heródoto define a China como um país com uma “superestrutura comunista e uma infraestrutura capitalista”. A observação serve de ponto de partida para falar da economia chinesa e, especialmente, de sua taxa de juros.

Segundo os números apresentados no programa, os juros chineses estão na casa dos 3% — e já teriam chegado anteriormente a aproximadamente 3,5%. A comparação gera uma ironia inevitável.

De um lado, uma das maiores economias comandadas por um Partido Comunista operando com juros próximos de 3%. Do outro, o Brasil convivendo com taxas muito superiores. O contraste, porém, não significa que basta simplesmente decidir reduzir os juros.

E é aí que Heródoto entra na parte menos visível da máquina.

Por que os juros brasileiros são tão altos?

Taxa de juros não surge do nada.

No programa, Heródoto relaciona o nível dos juros brasileiros à gestão das contas públicas. Quando um país gasta mais do que arrecada e existe preocupação com inflação e equilíbrio fiscal, a taxa de juros passa a ser uma das ferramentas utilizadas para tentar conter a economia.

“Se o país gasta mais do que arrecada, ele tem que dar uma refreada”, resume. E uma das maneiras de fazer isso é justamente elevar os juros.

Só que existe outra pergunta.

Está funcionando?

Heródoto não entrega uma resposta pronta. Prefere transferir a questão para quem está do outro lado. Para quem vai ao supermercado. Para quem observa os preços nas prateleiras. Para quem paga o cartão de crédito, tenta financiar um carro, uma casa ou precisa de dinheiro para manter uma empresa funcionando.

Ao final do programa, a pergunta deixa de ser apenas qual é a taxa de juros.

Passa a ser outra: o que uma taxa de juros tão alta está conseguindo resolver na vida real?