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iFood aposta em IA, cultura forte e líderes preparados para um futuro com mais empregos

Em entrevista ao podcast “Você Está Contratado”, Raphael Bozza, CHRO do iFood, afirma que a inteligência artificial não eliminará vagas, mas transformará profundamente o perfil dos profissionais e das organizações.

Enquanto boa parte das empresas ainda discute como utilizar inteligência artificial, o iFood já está redesenhando sua estrutura organizacional para um modelo em que pessoas e agentes de IA trabalham lado a lado.

Essa foi uma das principais mensagens deixadas por Raphael Bozza, diretor de Pessoas (CHRO) do iFood, durante entrevista ao podcast Você Está Contratado, apresentado por Marcelo Nóbrega e Jederson Beck.

Segundo Bozza, o debate não deve girar em torno da substituição das pessoas pela tecnologia, mas da adaptação dos profissionais a uma nova realidade.

“Nos próximos cinco anos teremos mais empregos. Mas quem não aprender a colocar IA no dia a dia não vai ter espaço.”

O maior risco não é a IA. É ficar parado.

Para o executivo, existe uma falsa sensação de que ainda há tempo para esperar a tecnologia amadurecer. No iFood, a estratégia é exatamente a oposta.

A empresa promove treinamentos constantes, inclusive aos sábados, para que diretores e lideranças experimentem novas ferramentas, mesmo sabendo que elas poderão ser substituídas poucas semanas depois.

“O importante não é dominar uma ferramenta específica. É desenvolver a capacidade de aprender continuamente”, resume Bozza durante a conversa.

Essa velocidade explica por que a empresa prefere errar rápido, aprender rápido e corrigir a rota rapidamente.

De 12 mil agentes para apenas 200

Um dos exemplos apresentados durante a entrevista mostra como a visão sobre IA evolui rapidamente. Inicialmente, colaboradores criaram mais de 12 mil agentes de inteligência artificial para automatizar diferentes tarefas.

Mas a meta agora mudou. Em vez de milhares de pequenos agentes, a empresa quer construir aproximadamente 200 superagentes, capazes de atender centenas de colaboradores ao mesmo tempo e gerar impacto real no negócio.

“O processo de criar agentes serviu principalmente para aprender. Agora queremos construir aqueles que realmente mudam o ponteiro.”

A cultura continua sendo o centro

Apesar do enorme investimento em tecnologia, Bozza deixa claro que a principal vantagem competitiva do iFood continua sendo a cultura organizacional. Segundo ele, inovação só acontece quando existe um ambiente onde as pessoas podem testar, errar, aprender e compartilhar conhecimento.

A empresa faz questão de reforçar esse posicionamento desde o primeiro dia de trabalho. Todo gerente contratado recebe um áudio de boas-vindas gravado pessoalmente por um dos principais executivos da companhia, reforçando que proteger a cultura é responsabilidade de todos.

No iFood, cultura não é um conjunto de frases na parede. Ela influencia recrutamento, avaliação de desempenho, desenvolvimento de lideranças e tomada de decisões.

Cinco comportamentos esperados de todo líder

Durante o bate-papo, Bozza apresentou o modelo de liderança utilizado atualmente na empresa.

Os gestores são incentivados a:

  • construir equipes melhores do que eles próprios;
  • proteger a cultura da organização;
  • garantir alinhamento de qualidade nas decisões;
  • assumir a responsabilidade pelos problemas (“assumir o fronte”);
  • desenvolver uma “paranoia produtiva”, buscando constantemente formas de melhorar processos.

A inspiração vem, entre outras referências, do autor Jim Collins, conhecido pelos estudos sobre empresas de alta performance.

O líder também precisa colocar a mão na massa

Uma das reflexões mais interessantes da entrevista é que a inteligência artificial não tornará os líderes mais distantes da operação. Ao contrário. Bozza acredita que eles precisarão conhecer ainda mais profundamente os processos da empresa para ensinar agentes de IA a tomar boas decisões.

Como exemplo, ele contou que o CEO do iFood passou um período acompanhando entregadores e restaurantes apenas para entender detalhes operacionais que ajudariam nas decisões estratégicas da companhia. Para o executivo, liderança continuará sendo estratégia, mas sustentada por um conhecimento muito mais profundo da operação.

Avaliação de desempenho também está mudando

Outro processo que está sendo redesenhado é a avaliação de desempenho. Bozza revelou que um colaborador da operação, e não do RH, utilizou inteligência artificial para analisar transcrições de reuniões e gerar uma avaliação comportamental mais completa do que o modelo tradicional da empresa.

A experiência fez o time de pessoas concluir que o processo inteiro precisará ser reinventado.

“Sabemos que essa foi a última vez que utilizamos esse modelo de avaliação. Ainda não sabemos exatamente como será o próximo, mas ele será completamente diferente.”

Organizações menores e mais produtivas

Outro movimento observado no iFood é o redesenho das estruturas organizacionais. A empresa estuda equipes menores, estruturas mais horizontais, aumento do número de liderados por gestor e até profissionais que trabalham praticamente sem equipe direta, apoiados por agentes de IA.

O objetivo não é reduzir pessoas indiscriminadamente, mas aumentar produtividade. Segundo Bozza, o crescimento da empresa não dependerá mais do aumento proporcional do quadro de funcionários.

RH deixa de ser suporte para assumir protagonismo

Ao final da entrevista, Bozza faz uma provocação especialmente aos profissionais de recursos humanos. Para ele, a área vive talvez o momento mais importante de sua história.

Com inteligência artificial, dados e novas formas de organizar o trabalho, o RH deixa de ser uma função de suporte para assumir um papel estratégico na transformação das empresas.

Seu conselho para quem deseja construir carreira é direto:

“A área de Pessoas não deveria mais ser coadjuvante. Se você quer participar da transformação das empresas, venha para o RH.”

O futuro pertence a quem aprende mais rápido

Mais do que apresentar ferramentas ou tendências tecnológicas, a entrevista mostra uma mudança de mentalidade. No iFood, inovação não significa encontrar respostas definitivas mas criar uma cultura onde aprender mais rápido do que os concorrentes se torna uma vantagem competitiva.

Num cenário em que a inteligência artificial evolui praticamente toda semana, talvez essa seja a habilidade mais importante para empresas e profissionais que desejam continuar relevantes.

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