Parece Mas Não É

Ficar no poder o quanto puder

Imagem ilustrativa de uma manifestação vista do alto na Avenida Paulista, com multidão vestida de vermelho e sem faixas ou cartazes
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O presidente da República não tem escolha. Ou controla a política nacional ou terá de deixar o poder. A oposição se articula nos estados mais populosos do Brasil, São Paulo e Minas Gerais, para enfrentar o chefe do Executivo nas urnas. Afinal, ele está no poder há mais tempo do que estabelece a Constituição vigente no país. No palácio presidencial, articula-se uma estratégia para consolidar o presidente no poder, sem que seja necessário enfrentar a oposição. Há pelo menos dois líderes importantes que podem impedir o continuísmo do chefe do Poder Executivo. Os partidos políticos acreditam que podem voltar ao poder na próxima eleição. Democracia pressupõe alternância de poder.

Há inúmeros dirigentes no mundo que permanecem no poder há muito tempo. Uns eleitos por meio de eleições cuja credibilidade é colocada sob suspeita; outros optam pura e simplesmente pelo golpe de Estado, com o apoio militar, obviamente. O mundo – e especialmente a América Latina – está cheio de exemplos. Esses governantes assumem os títulos mais diversos e, dada a fragilidade institucional, seus países são ridicularizados com a denominação de “República das bananas”. Os pretextos são os mais diversos: vão da salvação nacional à luta contra a onda vermelha representada pelos comunistas.

A difusão do comunismo no mundo está cada vez mais acelerada. Os exemplos são a Revolução Russa de 1917 e a constituição da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1922. Em outros países da Europa Oriental também os partidos comunistas ganham força e se articulam para derrubar o velho regime e implantar a ditadura do proletariado, como prognosticou Marx. Só assim é possível impedir que a burguesia se aproprie da mais-valia produzida pelo proletariado. O Brasil leva um choque quando no programa a Hora do Brasil, o general Góis Monteiro lê um documento como ameaça de um levante comunista no Brasil e de derrubada de Getúlio Vargas, no poder desde 1930. Monteiro dá a ele o nome de Plano Cohen, em alusão ao líder comunista húngaro, Béla Kun, erroneamente conhecido como Béla Cohen. Com o apoio do Exército, Vargas implanta a ditadura do Estado Novo, que perdura até 1945. O que a história revela muito tempo depois é que o tal plano é uma fake news, usando uma terminologia de época. O texto é atribuído ao jovem capitão Olympio Mourão Filho e turbinado pelo partido integralista de extrema direita. Mourão é o mesmo da revolução de 1964. Getúlio ficou 15 anos no poder. Ninguém, salvo o imperador Dom Pedro II, ficou tanto tempo no poder no Brasil.

Prof. Heródoto Barbeiro, âncora do Jornal Nova Brasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História, Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e mídia training. Canal no YouTube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br.