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Carolina Dostal: do LinkedIn à inteligência artificial, uma carreira guiada pela curiosidade

Retrato editorial digital de Carolina Dostal segurando o troféu Younik Select diante de fundo preto com luzes laranja

Ao apostar no LinkedIn quando a rede ainda era vista por muitos como um currículo online, Carolina Dostal descobriu um caminho para trabalhar com reputação e lideranças. Mais de uma década depois, acompanha outra mudança: a influência da inteligência artificial sobre a forma como profissionais e empresas são encontrados e reconhecidos.

A empresária, mentora de executivos e mãe de dois filhos tem um traço que atravessa suas escolhas: a curiosidade. Aos 44 anos, continua estudando novas tecnologias, escrevendo e criando projetos. Mas uma experiência pessoal recente também a levou a reconsiderar a pressa com que costumava viver.

Na Younik Select, Carolina conta como transformou sua leitura sobre o LinkedIn em uma empresa, por que acredita que autoridade não se mede pelo número de seguidores e o que aprendeu sobre prioridades depois de enfrentar um problema de saúde.

Quando o LinkedIn parecia apenas um currículo

Carolina começou a explorar o LinkedIn por volta de 2010. Naquele período, recorda, a plataforma era associada principalmente à busca de emprego e ao recrutamento. Ela identificou ali uma possibilidade diferente: abrir espaço para que executivos compartilhassem conhecimentos e participassem das conversas de seus setores.

A ideia surgiu de uma pergunta. Por que profissionais que participavam de decisões relevantes dentro das empresas mantinham suas experiências restritas aos colegas e aos contatos mais próximos?

Foi dessa percepção que nasceu a Oitenta IN, fundada há mais de dez anos e dedicada ao LinkedIn, à marca pessoal, ao posicionamento de lideranças e à reputação. A criação da empresa foi, segundo Carolina, uma das decisões mais importantes de sua carreira. Em vez de apostar apenas na comunicação institucional das companhias, decidiu trabalhar com as vozes de quem as liderava.

Carolina Dostal em retrato profissional usando blazer preto
Carolina Dostal atua com posicionamento de lideranças, reputação e comunicação digital. Foto: acervo Carolina Dostal.

Formada em Administração pela FAAP, com especializações em marketing, empreendedorismo e negociação, ela também estudou governança e jornalismo digital. Ao longo da trajetória, passou a atuar como conselheira, professora convidada e mentora. No questionário enviado à Younik, relata ter recebido o reconhecimento LinkedIn Top Voice.

A atividade exigiu ouvir executivos, compreender suas experiências e traduzir conhecimentos em ideias compartilháveis. Carolina descobriu que seu trabalho não se limitava a ajudar alguém a publicar posts. Envolvia conversas sobre decisões empresariais, desafios de liderança, carreira e futuro dos negócios.

Autoridade não cabe em uma contagem de seguidores

Se há uma ideia que Carolina gosta de contestar, é a associação automática entre popularidade e influência profissional. Ela diz ter acompanhado executivos com audiências pequenas que conquistaram oportunidades relevantes porque eram seguidos pelas pessoas certas. Também viu perfis com números expressivos, mas pouca influência nas decisões do mercado.

“Popularidade e autoridade são coisas diferentes. E acho que ainda confundimos bastante as duas”, afirma.

Um perfil com dois mil seguidores, exemplifica, pode ser uma referência importante em determinado setor. O que interessa, para ela, é quem acompanha aquela pessoa, por que a acompanha e quais ideias ou competências associa a seu nome.

Carolina Dostal fala ao microfone durante evento com painel do LinkedIn
A empresária durante apresentação em evento. Foto: acervo Carolina Dostal.

Essa maneira de enxergar a reputação acompanha também sua relação com a tecnologia. Carolina procura compreender ferramentas novas antes de decidir o que elas realmente mudam para profissionais e organizações.

A reputação também entrou nas respostas da inteligência artificial

Nos últimos anos, o campo de atuação da Oitenta IN começou a incorporar dois termos cada vez mais presentes nas discussões sobre visibilidade digital: GEO (otimização para mecanismos de respostas generativas) e AEO (otimização para mecanismos de respostas). São abordagens voltadas à maneira como conteúdos e fontes podem ser encontrados e apresentados em respostas a perguntas feitas a sistemas de busca e inteligência artificial.

Carolina pesquisa como profissionais e empresas aparecem em ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity. Para ela, a questão deixou de ser somente ter presença no Google ou no LinkedIn. Também importa compreender de que forma informações sobre uma pessoa são interpretadas e apresentadas por sistemas de IA.

Isso não significa que exista uma fórmula para controlar essas respostas. A empresária prefere estudar as mudanças de comportamento, os mecanismos de descoberta e a relação entre reconhecimento e credibilidade, sempre procurando levar essas discussões às mentorias e aulas que desenvolve.

A pausa inesperada que mudou suas prioridades

A trajetória de Carolina tem outro acontecimento marcante, desta vez fora do ambiente profissional. Em janeiro de 2025, segundo relata, foi internada com influenza A, desenvolveu pneumonia e precisou passar pela UTI.

A experiência interrompeu uma rotina de trabalho intenso e projetos constantes. Quando voltou a pensar em seus planos, passou a olhar com mais atenção para a saúde, para o tempo e para os vínculos pessoais.

Carolina não abandonou o ritmo criativo que a acompanha. Continua trabalhando, estudando e aceitando novos desafios. Mas hoje procura dar mais espaço à família, aos amigos, às viagens e às experiências que deseja viver.

Conciliar papéis também faz parte dessa reflexão. Empresária, mentora, autora, esposa e mãe, ela conta que precisou aprender a delegar, confiar nas próprias decisões e aceitar que diferentes fases da vida exigem escolhas diferentes. Quando fala de sua maior realização, aponta primeiro para os filhos e para a família que construiu.

Livros e conversas que se transformaram em projetos

A escrita ganhou lugar importante na carreira de Carolina. Ela coordenou o livro Protagonistas – Volume 2, obra que reuniu 93 coautoras e que, segundo seu relato, alcançou o status de best-seller. O trabalho também ampliou suas parcerias e abriu espaço para novas iniciativas.

Carolina Dostal segura exemplar do livro Protagonistas Volume 2
Carolina Dostal com o livro Protagonistas – Volume 2, projeto editorial que reuniu 93 coautoras. Foto: acervo Carolina Dostal.

Uma dessas iniciativas é o Conexão Protagonistas, projeto independente criado com Christiane Pelajo, Maíra Donnici e Fernanda Amorim. Por meio de videocasts, conversas e outras ações, as participantes discutem escolhas, carreira, sociedade e experiências de mulheres de diferentes áreas.

Carolina também participa de O Futuro do Trabalho – Volume 2 e coordena, ao lado da jornalista Christiane Pelajo, o livro Reputação, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2027 pela Editora Literare.

Imagem de televisão mostra Carolina Dostal em entrevista sobre o projeto Protagonistas na CNBC
Registro de participação de Carolina Dostal na CNBC sobre o projeto Protagonistas. Foto: acervo Carolina Dostal.

Entre mentorias, livros e produções audiovisuais, ela vê a comunicação como oportunidade para aproximar histórias e ideias que, sem esse trabalho, talvez não chegassem a novos públicos.

Uma viagem a Atenas, o Partenon e o valor das imperfeições

A curiosidade de Carolina não fica restrita aos temas profissionais. Em uma viagem recente a Atenas, uma visita ao Partenon provocou uma reflexão. Ela se interessou pelas pequenas correções arquitetônicas empregadas para produzir uma percepção de harmonia visual.

Para alguém que trabalha justamente com imagem e reputação, a experiência trouxe uma associação inesperada: em um período no qual a tecnologia produz textos, vídeos e imagens em segundos, a imperfeição humana também merece espaço.

A visita à Biblioteca de Adriano, na mesma cidade, inspirou outra conexão. Carolina pensou em como a preocupação com a imagem dos líderes já existia muito antes das redes sociais. Parte dessas observações acabou alimentando ideias para seus projetos editoriais.

Ela gosta de viajar, conhecer culturas e pesquisar a história dos lugares por onde passa. Costuma registrar ideias de conversas, leituras e viagens; muitas acabam virando artigos, aulas ou novos projetos. Quando lhe perguntaram como gastaria bem cem reais, escolheu, hipoteticamente, a visita a um museu ou a um monumento histórico.

O que Carolina Dostal aconselha a quem está começando?

A resposta dela reúne três recomendações: cultivar a curiosidade, desenvolver uma opinião própria e começar a compartilhar o que sabe. Com tanta informação disponível e ferramentas de IA capazes de gerar conteúdos rapidamente, acredita que a diferença está na capacidade de interpretar, relacionar assuntos e construir uma perspectiva própria.

Também recomenda aceitar mudanças de rota. A carreira, lembra, é longa o suficiente para experimentar escolhas diferentes e recomeçar quando necessário.

Carolina quer ampliar seu trabalho com inteligência artificial e posicionamento de lideranças, continuar escrevendo livros e levar o Conexão Protagonistas a novos formatos e públicos. Ao mesmo tempo, deseja acompanhar o crescimento dos filhos e preservar tempo para a vida fora do trabalho.

Talvez seja esse o contraste mais interessante da sua história. Ela dedica boa parte dos dias a estudar como a tecnologia altera a forma de sermos vistos, mas terminou a entrevista com uma defesa daquilo que os sistemas não vivem por nós: dúvidas, erros, escolhas e experiências pessoais.

Como ela própria resume: “Quanto mais estudo inteligência artificial, mais valorizo aquilo que nos torna humanos.”

Saiba mais sobre Carolina Dostal: LinkedIn e Instagram.

Imagem de destaque: retrato editorial produzido digitalmente para a Younik Select, a partir de fotografias autorizadas pela participante.

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