Inteligência Artificial

“A IA não veio para substituir pessoas, veio para potencializar resultados”, afirma CISO da Coopernitro

Eric Tomboly, líder de segurança da informação da empresa, fala sobre inteligência artificial, riscos digitais, agentes autônomos e como preparar profissionais para o futuro do trabalho

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passou a transformar a forma como empresas trabalham, criam soluções e tomam decisões. Mas, junto com as oportunidades, surgem novos desafios relacionados à segurança, governança e comportamento digital.

Esse foi um dos principais temas discutidos no podcast Você Está Contratado, apresentado por Marcelo Nóbrega e Jederson Beck, que recebeu Eric Tomboly, CISO (Chief Information Security Officer) da Coopernitro, para um bate-papo sobre cibersegurança, carreira e o impacto das novas tecnologias no ambiente corporativo.

Para Eric, um dos maiores erros das empresas ao lidar com inteligência artificial é tentar simplesmente bloquear o acesso dos colaboradores às ferramentas.

“Tudo que é proibido é mais gostoso. Se eu proíbo, a pessoa vai usar no celular. O que a gente chama de Shadow AI e Shadow IT”, explicou.

Segundo ele, a estratégia adotada pela Coopernitro foi diferente: em vez de impedir o uso, a empresa investiu em educação e letramento digital.

Do bloqueio ao aprendizado: preparando pessoas para usar IA com segurança

A companhia realizou treinamentos com centenas de colaboradores para ensinar como utilizar inteligência artificial de maneira segura, quais ferramentas são recomendadas e quais cuidados devem ser tomados com dados corporativos.

“Não adianta proibir. A área de segurança precisa ser uma potencializadora de resultados dentro da empresa, não uma área que apenas diz não”, afirmou Eric.

Entre os cuidados apresentados pelo especialista está a atenção ao uso de ferramentas gratuitas de inteligência artificial.

Segundo ele, muitas plataformas utilizam os dados inseridos pelos usuários para treinamento de modelos, o que pode representar riscos quando informações confidenciais são compartilhadas. A recomendação é utilizar ferramentas homologadas pela empresa e configurar corretamente opções de privacidade.

“Depois que uma informação saiu para a internet, acabou. Você não sabe para onde ela vai”, alertou.

O próximo desafio: agentes de inteligência artificial

Durante a conversa, Eric destacou que a maior preocupação atual não está apenas na inteligência artificial generativa, mas principalmente na evolução dos agentes de IA. Diferente dos modelos tradicionais, que respondem a comandos humanos, os agentes conseguem executar tarefas de forma autônoma.

“Hoje a inteligência artificial era um copiloto. O agente é diferente: ele vira alguém trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana”, explicou.

O potencial é enorme, mas também aumenta os riscos. Um agente mal configurado pode executar ações indesejadas em alta velocidade, como alterar informações, apagar dados ou tomar decisões sem os controles adequados.

Por isso, a Coopernitro criou ambientes controlados para desenvolvimento e testes, permitindo que os colaboradores experimentem novas tecnologias sem comprometer a segurança da companhia.

Vibe Coding: qualquer pessoa pode criar soluções

Outro ponto abordado no podcast foi o crescimento do chamado Vibe Coding, uma forma de desenvolvimento em que pessoas conseguem criar aplicações utilizando linguagem natural, conversando com ferramentas de inteligência artificial. Segundo Eric, hoje é possível criar um site funcional em poucos minutos sem necessariamente dominar programação.

“Você faz um website em cinco minutos. E o mais legal: sem saber programar. Você conversa com a inteligência artificial em linguagem natural”, comentou.

Mas ele reforça que a criatividade precisa estar acompanhada de segurança. Na Coopernitro, soluções criadas pelos colaboradores passam por avaliações da área de tecnologia e segurança antes de serem incorporadas ao ambiente corporativo.

Cibersegurança também envolve comportamento humano

Para Eric, a tecnologia sozinha não resolve todos os problemas. Mesmo com ferramentas avançadas de proteção, um simples erro humano pode abrir portas para ataques. Ele destacou a importância do comportamento digital, citando exemplos como senhas fracas, reutilização de senhas e cliques em links suspeitos.

“Não adianta eu ter a melhor ferramenta de bloqueio da companhia se uma pessoa cai em um phishing e entrega seu usuário e senha”, afirmou.

Por isso, a Coopernitro também criou o programa Security Champions, treinando colaboradores de diferentes áreas para serem multiplicadores de segurança dentro da organização. A ideia é que a segurança deixe de ser responsabilidade apenas do departamento de tecnologia e faça parte da cultura da empresa.

A inteligência artificial e o futuro das carreiras

Um dos momentos mais interessantes da conversa foi a discussão sobre o medo de profissionais serem substituídos pela inteligência artificial. Para Eric, a tecnologia não deve ser vista como uma ameaça, mas como uma oportunidade de ampliar capacidades.

“Se você aprende inteligência artificial e consegue entregar três vezes mais, por que a empresa vai desligar você? Você está gerando mais valor”, afirmou.

Segundo ele, o profissional que se destaca será aquele capaz de utilizar a tecnologia para eliminar tarefas repetitivas e dedicar mais tempo a atividades estratégicas. A dica para quem busca crescimento profissional é simples:

“Use inteligência artificial para automatizar o que você faz hoje e pergunte ao seu chefe: como posso ajudar agora?”

Para Eric, a evolução da carreira passa por curiosidade, aprendizado contínuo e disposição para mudar.

“Quem não evolui fica para trás. Quem aprende, cresce junto com a tecnologia.”

Computação quântica: o próximo grande desafio da segurança

Além da inteligência artificial, outro tema levantado no episódio foi a computação quântica. Segundo Eric, essa tecnologia pode representar um grande desafio para os sistemas atuais de criptografia.

Hoje, senhas e conexões protegidas utilizam métodos extremamente difíceis de quebrar com computadores tradicionais. Porém, máquinas quânticas poderão realizar cálculos em uma velocidade muito superior.

“Uma criptografia que hoje levaria anos para ser quebrada pode, no futuro, ser quebrada em segundos”, explicou.

Por isso, empresas de tecnologia já trabalham na criação de novos padrões de criptografia preparados para essa nova realidade.

Humildade, ética e estudo: o caminho para a carreira em segurança

Ao final da conversa, Eric deixou uma recomendação para profissionais interessados em atuar na área de segurança da informação. Segundo ele, além do conhecimento técnico, algumas características são fundamentais:

“Eu acho que a pessoa precisa ser humilde, acreditar em pessoas, estudar e ser ética. Se juntar tudo isso, você chega na cadeira que quer.”

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