Microfone Imaginário

Chegou a hora de celebrar os 100 anos de Paulo Bomfim

Tive a honra de ter sido amigo do poeta Paulo Bomfim e quando ele completou 80 anos, em 30 de setembro de 2006, fiz uma crônica para homenageá-lo.

Comecei o texto dizendo que o poeta, cujo nome é o mesmo da metrópole onde nasceu, vive com ela um amor surgido nos tempos de menino.

Seu primeiro poema, “O caminheiro e sua sombra”, saiu publicado no jornalzinho da Biblioteca Municipal de Vila Buarque quando ele tinha 12 anos de idade.

De lá para cá, tornou-se um poeta premiado e ostenta vários títulos: “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, é o principal deles, mas há um outro que ele gosta:

“Paulo Bomfim, o Poeta da Cidade”! Ele está fazendo aniversário e para comemorar colocou na praça um novo livro; “Janeiros de meu São Paulo”!

Nele, Paulo revive em prosas suas reminiscências escritas em belo texto poético. Isso o distingue dos demais, sua poesia é apaixonada pelo cotidiano.

Outra qualidade de Paulo Bomfim é a sua bondade. Paulo é um homem naturalmente bom e só pelo olhar conquista amigos. Há algo de santo nele.

Seu carisma está em tratar todas as pessoas com o mesmo carinho e distinção. Me disseram que até quem ele não gosta, o poeta costuma elogiar.

Da mesma forma nunca encontrei alguém que falasse mal de Paulo Bomfim. Todos o consideram educado, atencioso, simpático. Paulo é unanimidade.

Certa vez sua esposa Emy, pronunciou uma frase que me chamou a atenção. Me disse ela: “Há 57 anos casados, jamais ouvi o Paulo falar mal de alguém”.

De fato, o poeta é de uma bondade divina e sua palavra escrita no formato de sonetos ou em prosa encanta a todos.

Diferente de outros poetas, Paulo Bomfim enxerga tudo com os olhos do coração. Este pode ser o motivo dele viver essa paixão eterna.

Paulo Bomfim conhece as mazelas de São Paulo, mas segue apaixonado pela cidade. O motivo nem ele mesmo explica, porque o amor não tem explicações.

Afinal, quem ama encontra sempre uma desculpa para as ofensas e, se não a encontra, a transforma em poesia.

Geraldo Nunes é jornalista profissional, escritor e radialista premiado. Na saudosa Rádio Eldorado, além de repórter aéreo, apresentou o programa São Paulo de Todos os Tempos, onde se fez cronista da cidade, premiado pela APCA e com o Colar Guilherme de Almeida. Da Câmara Municipal recebeu a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo. Integra a Academia Paulista de História, Academia Cristã de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, é membro honorário da Força Aérea Brasileira – FAB.