Saiba quando o podcast chegou ao Brasil, qual foi o primeiro programa brasileiro e o verdadeiro papel de Flow e Podpah nessa história.
O podcast chegou ao Brasil em outubro de 2004. Isso aconteceu 14 anos antes da criação do Flow Podcast e aproximadamente 16 anos antes do lançamento do Podpah.
Portanto, nem Flow nem Podpah inventaram o podcast. Também não foram eles que trouxeram o formato ao país.
Os dois projetos possuem importância na história recente da mídia brasileira, principalmente por ajudarem a popularizar um modelo de podcast em vídeo, transmitido pelo YouTube e baseado em conversas looooooongas, informaaaaaais e normalmente vazias.
Mas a história do podcast brasileiro começou muito antes das mesas grandes, câmeras, luzes coloridas e cortes nas redes sociais.
Na realidade, o podcast chegou ao Brasil antes mesmo da criação do YouTube.
Quando o podcast foi criado?
A palavra podcast surgiu no início de 2004. A criação do termo é atribuída ao jornalista britânico Ben Hammersley, que utilizou a expressão “podcasting” em uma matéria publicada no jornal The Guardian.
Naquele momento, produtores independentes já experimentavam formas de distribuir programas de áudio pela internet. Os episódios podiam ser baixados e transferidos para aparelhos portáteis, como o iPod.
Poucos meses depois, a novidade já começava a ser testada no Brasil.
Qual foi o primeiro podcast brasileiro?
O primeiro podcast brasileiro reconhecido historicamente foi o Digital Minds, criado por Danilo Medeiros.
O programa surgiu como parte de um blog com o mesmo nome e abordava assuntos relacionados à tecnologia, música e cultura digital. A data reconhecida de sua publicação é 21 de outubro de 2004, segundo o registro da Associação Brasileira de Podcasters.
Por essa razão, o dia 21 de outubro passou a ser utilizado como uma data comemorativa do podcast no Brasil.
O Digital Minds não foi o primeiro site brasileiro a disponibilizar arquivos de áudio. Sua importância está em ter utilizado a lógica do podcasting, com episódios distribuídos por meio de um feed.
Foi assim que o podcast começou no país: como áudio produzido de maneira independente e distribuído pela internet.
Não havia transmissão pelo YouTube, estúdio multicâmera ou cortes verticais. O YouTube somente seria registrado como site em fevereiro de 2005, conforme a própria história publicada pela plataforma.
Outros pioneiros surgiram ainda em 2004
O Digital Minds não permaneceu sozinho por muito tempo.
Em 15 de novembro de 2004, surgiu o Podcast do Gui Leite. Em dezembro do mesmo ano, foram lançados o Perhappiness, de Rodrigo Stulzer, e o Código Livre, de Ricardo Macari.
Esses projetos formaram a primeira geração de produtores brasileiros. Um estudo acadêmico sobre a história da mídia sonora também registra esses quatro programas entre os pioneiros do podcast nacional.
Isso demonstra como o formato chegou rapidamente ao Brasil. A própria palavra havia surgido naquele mesmo ano e já existiam brasileiros experimentando suas possibilidades.
A primeira comunidade brasileira de podcasters
Em 2005, o podcast ainda era desconhecido por grande parte da população, mas já existia uma comunidade de produtores interessados no formato.
Nos dias 2 e 3 de dezembro daquele ano, foi realizada em Curitiba a primeira Conferência Brasileira de Podcast, conhecida como PodCon Brasil.
O encontro reuniu produtores, discutiu o futuro da mídia e ajudou a organizar a comunidade que daria origem à Associação Brasileira de Podcast.
Também em 2005, porém, ocorreu o fenômeno chamado de podfade: muitos podcasts deixaram de publicar novos episódios. Produzir regularmente exigia tempo, conhecimento técnico e dedicação, enquanto a audiência ainda era limitada.
O podcast brasileiro enfrentou sua primeira crise antes mesmo de se tornar conhecido pelo grande público.
A segunda geração do podcast brasileiro
A partir de 2006, uma nova geração de programas começou a consolidar o formato no país.
Entre os exemplos daquele período estão o NerdCast, criado por Alexandre Ottoni e Deive Pazos, e o RapaduraCast, voltado ao cinema. Outros projetos, como o Café Brasil, também ajudaram a construir uma audiência fiel para conteúdos em áudio.
O NerdCast surgiu em abril de 2006 com o nome Nerd Connection e se tornou uma das principais referências da podosfera brasileira. O programa combinava conversa, humor, pauta, edição, trilhas e efeitos sonoros.
Em 2008, o Prêmio iBest já possuía uma categoria dedicada aos podcasts. NerdCast, RapaduraCast e Monacast ficaram entre os destaques daquela geração, conforme o levantamento histórico da Associação Brasileira de Podcasters.
Quando o Flow apareceu, portanto, já existiam podcasts brasileiros sendo produzidos havia mais de uma década.
O crescimento durante os anos 2010
Durante os anos seguintes, o acesso aos podcasts ficou mais fácil. Os smartphones se popularizaram, as conexões móveis melhoraram e plataformas de streaming passaram a investir na distribuição do formato.
Também surgiram podcasts dedicados a jornalismo, política, cultura, educação, negócios, ciência, comportamento, entretenimento e incontáveis nichos.
A partir de 2018, grandes empresas de comunicação aumentaram seus investimentos no setor. Folha de S.Paulo, Globo, CBN, revista Piauí e Nexo Jornal estão entre os veículos que desenvolveram projetos no formato.
Foi nesse ambiente — com uma mídia já existente, uma comunidade estabelecida e uma audiência em crescimento — que surgiu o Flow Podcast.
Qual foi a importância do Flow Podcast?
O Flow foi criado em 2018 por Igor 3K e Monark. Segundo a história publicada pela Folha de S.Paulo, o programa começou de maneira caseira em Curitiba e ficou conhecido pela informalidade das conversas.
Sua contribuição foi ajudar a popularizar no Brasil um estilo específico:
- Conversas longas;
- Transmissões ao vivo;
- Cenário com mesa e microfones;
- Presença de câmeras;
- Convidados conhecidos;
- Distribuição pelo YouTube;
- Produção constante de cortes.
Esse modelo já possuía referências internacionais, especialmente o programa de Joe Rogan. No Brasil, o Flow ajudou a transformá-lo em um fenômeno de audiência e negócio.
Isso é diferente de inventar o podcast.
O Flow participou de uma nova fase do formato: a consolidação do mesacast e do videocast como produtos de massa no YouTube.
E qual foi o papel do Podpah?
O Podpah estreou em setembro de 2020, apresentado por Igão e Mítico.
O programa ampliou o alcance do mesacast, desenvolveu uma linguagem própria e aproximou o formato de públicos ligados à música, aos esportes, à cultura urbana, ao entretenimento e às periferias.
O projeto cresceu rapidamente e se transformou em um importante negócio de comunicação e publicidade. A Forbes registra que o primeiro episódio foi publicado em setembro de 2020 e que o programa se consolidou como uma das principais forças do mercado brasileiro.
O Podpah ajudou a ampliar e diversificar a audiência do podcast em vídeo. Mas chegou a um mercado que já acumulava 16 anos de história no país.
Flow e Podpah não inventaram o podcast
Reconhecer os verdadeiros pioneiros não diminui o mérito dos projetos mais recentes.
Flow e Podpah construíram marcas relevantes, alcançaram grandes audiências e demonstraram o potencial comercial das conversas transmitidas em vídeo. Eles ajudaram a colocar o termo podcast no vocabulário de milhões de brasileiros.
O erro está em confundir popularização com invenção.
A história pode ser resumida desta maneira:
| Momento | Marco |
|---|---|
| Fevereiro de 2004 | Ben Hammersley utiliza o termo “podcasting” |
| Outubro de 2004 | Digital Minds inaugura o podcasting brasileiro |
| Novembro e dezembro de 2004 | Surgem outros podcasts pioneiros no país |
| Dezembro de 2005 | Acontece a primeira PodCon Brasil |
| A partir de 2006 | Uma nova geração consolida o formato |
| A partir de 2018 | Streaming, grandes veículos e vídeo ampliam o mercado |
| 2018 | Surge o Flow Podcast |
| 2020 | Surge o Podpah |
O podcast brasileiro não começou com o Flow ou com o Podpah. O que começou com eles foi outra fase da história.
Podcast não é sinônimo de mesacast
A popularidade de Flow e Podpah fez muitas pessoas acreditarem que podcast é obrigatoriamente uma conversa longa ao redor de uma mesa.
Esse é apenas um formato.
Podcast também pode ser narrativo, documental, jornalístico, educativo, individual, roteirizado, dramatizado ou criado como uma série de curta duração.
Para uma empresa, copiar automaticamente o modelo dos grandes mesacasts pode ser um erro. Um podcast corporativo precisa ser desenvolvido de acordo com seu objetivo, público e posicionamento — não de acordo com o cenário que está na moda.
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A história do podcast mostra que o formato sempre esteve ligado à experimentação, à liberdade editorial e à capacidade de conversar diretamente com uma audiência.
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Perguntas frequentes
Quando o podcast chegou ao Brasil?
O podcast chegou ao Brasil em outubro de 2004, no mesmo ano em que a palavra começou a ser utilizada internacionalmente.
Qual foi o primeiro podcast brasileiro?
O Digital Minds, criado por Danilo Medeiros, é reconhecido como o primeiro podcast brasileiro. A data histórica de sua publicação é 21 de outubro de 2004.
O Flow inventou o podcast no Brasil?
Não. O Flow foi criado em 2018, quando o podcast já existia havia aproximadamente 14 anos no país. Sua contribuição foi popularizar um estilo de conversa longa transmitida em vídeo.
O Podpah trouxe o podcast para o Brasil?
Não. O Podpah surgiu em 2020, cerca de 16 anos depois do primeiro podcast brasileiro. O programa ampliou a popularidade do mesacast e alcançou novos públicos.
Podcast precisa ser uma conversa ao redor de uma mesa?
Não. O mesacast é apenas uma das possibilidades. Um podcast também pode utilizar entrevistas, documentários, narrativas, programas individuais, debates, reportagens e diferentes formatos editoriais.










