Técnica pode auxiliar na redução de edemas e da sensação de peso, mas não substitui a investigação das causas do inchaço
O sapato começa a apertar, o anel deixa uma marca mais profunda e, no fim do dia, as pernas parecem mais pesadas. Diante desses sinais, muitas pessoas pensam imediatamente em agendar uma sessão de drenagem linfática. Antes disso, porém, existe uma pergunta mais importante: o que está provocando esse inchaço?
Permanecer muito tempo em pé ou sentado, enfrentar dias mais quentes e passar por alterações hormonais ou por determinados procedimentos cirúrgicos são algumas situações que podem favorecer o acúmulo de líquidos. Mas o edema também pode estar relacionado a problemas circulatórios, infecções e alterações cardíacas ou renais. Por isso, nem todo inchaço deve ser tratado da mesma maneira.
A drenagem linfática manual é realizada com movimentos leves, lentos e ritmados, direcionados de acordo com o trajeto do sistema linfático. Ao contrário do que algumas pessoas imaginam, a técnica não depende de força e não deve provocar dor ou deixar hematomas. O objetivo é favorecer a movimentação do líquido acumulado nos tecidos.
Em pacientes com linfedema, a drenagem pode integrar um tratamento mais amplo, conhecido como terapia descongestiva. Nesses casos, ela costuma ser associada a exercícios, compressão e cuidados com a pele, conforme explicam o Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos e o serviço público de saúde do Reino Unido. Isso significa que a drenagem não deve ser apresentada como uma solução isolada para todos os tipos de inchaço.
Drenagem não elimina gordura
Uma das confusões mais comuns acontece quando a redução temporária de medidas é interpretada como emagrecimento. A técnica pode diminuir o volume provocado pelo acúmulo de líquidos, mas não elimina gordura nem produz perda de peso duradoura. Também não existem evidências consistentes de que a drenagem promova uma “desintoxicação” em pessoas saudáveis, como esclarece a UCLA Health.
Reconhecer esses limites não diminui o valor da técnica. Pelo contrário: evita promessas exageradas e permite que ela seja utilizada de maneira mais responsável. Quando bem indicada, a drenagem pode auxiliar no controle de determinados edemas, reduzir a sensação de peso e proporcionar conforto e relaxamento.
A avaliação deve vir antes da massagem
Um atendimento responsável começa antes do primeiro movimento. O profissional precisa conhecer o histórico da pessoa, saber se houve cirurgias recentes, tratamentos oncológicos, episódios de trombose, infecções ou doenças cardíacas e renais. No período pós-operatório, a drenagem deve ser realizada somente após a liberação do profissional responsável pela cirurgia.
Também existem situações em que o procedimento não deve ser feito ou depende de autorização médica. Febre, infecções ativas, suspeita de trombose, insuficiência cardíaca descompensada e alguns quadros renais estão entre as condições que exigem atenção.
Um inchaço que surge repentinamente em apenas uma perna, especialmente acompanhado de dor, vermelhidão ou calor, não deve ser tratado inicialmente com massagem. Esses sintomas podem estar relacionados a uma trombose venosa profunda e precisam de avaliação médica. Falta de ar ou dor no peito tornam a procura por atendimento ainda mais urgente, conforme orienta o NHS.
Cuidar de si não significa apenas reservar um tempo para um procedimento. Significa também compreender o que o corpo está comunicando e escolher uma técnica adequada para cada necessidade.
A drenagem linfática pode fazer parte desse cuidado, desde que seja realizada por um profissional capacitado, com avaliação individual e objetivos realistas. Mais importante do que seguir uma tendência é saber por que o procedimento está sendo feito, quais resultados podem ser esperados e se ele é realmente indicado para aquele momento.
Margaret Razzante é esteticista e cosmetóloga, fundadora e diretora da Clínica Razzante.









