Empresa aposta no desenvolvimento humano como caminho para fortalecer equipes, gerar significado no trabalho e construir uma cultura mais colaborativa
Durante muito tempo, falar sobre investimento em pessoas dentro das empresas esteve associado a treinamentos técnicos, metas e desenvolvimento de habilidades específicas. Mas algumas organizações têm ampliado esse olhar: antes de desenvolver competências, é preciso ajudar as pessoas a entenderem quem elas são, quais são seus valores e qual significado encontram no próprio trabalho.
Esse é o movimento realizado pela Granado, empresa que participa das iniciativas do Instituto Economia ao Natural por meio da Escola de Oportunidade. Em entrevista ao podcast Roda de Significado, do Instituto, as líderes Amanda Zanetti e Pâmela Granado compartilharam como a jornada de autoconhecimento e descoberta de propósito vem transformando a cultura da empresa. Segundo elas, um dos principais desafios identificados antes desse processo era a falta de significado no trabalho.
“As pessoas não sabiam o porquê de estarem aqui, para que elas estavam aqui e para quem elas estavam trabalhando. Essa falta de significado também afetava a vida delas”, explicou Amanda.
A partir dessa percepção, a Granado passou a fortalecer uma cultura baseada na ideia de que não existe separação entre vida pessoal e profissional. “Não existe vida e trabalho. Existe vida”, destacou a liderança durante a conversa.
O propósito como uma semente que gera frutos
Para a Granado, o propósito está relacionado a semear vidas e distribuir sementes que possam gerar crescimento e prosperidade. Mais do que entregar produtos, a empresa busca criar um ambiente onde as pessoas possam descobrir seus próprios potenciais.
“Nosso trabalho principal é distribuição de alimentos, mas também gostamos de distribuir sementes que geram riquezas. Essas sementes são o significado que plantamos dentro das pessoas”, afirmou Amanda.
Essa visão começa ainda no processo seletivo. Em vez de olhar apenas para currículo e experiência profissional, a empresa busca compreender quem é aquela pessoa e quais valores ela carrega. Uma das ferramentas utilizadas é a construção do chamado Código de Nobreza, uma reflexão sobre valores pessoais e atitudes.
“A gente deixa um pouco de lado o currículo. Não que ele não seja importante, mas queremos descobrir quem é aquela pessoa”, explicou Pâmela.
A metodologia compara os valores humanos às raízes de uma árvore: aquilo que sustenta a pessoa, mesmo que muitas vezes não seja visível. Já as atitudes representam a copa, aquilo que aparece para o mundo.
A Escola de Oportunidade e a descoberta do potencial
A chegada da Escola de Oportunidade trouxe uma nova camada para um movimento que a própria empresa já desenvolvia, chamado Escola Travessear. Inicialmente, houve uma dúvida sobre como integrar as duas iniciativas. Mas a percepção foi de que elas poderiam caminhar juntas.
“Não era trocar uma escola pela outra. Era aprimorar a nossa jornada”, contou Pâmela.
A proposta é criar um espaço para que colaboradores possam olhar para dentro, revisitar seus valores e compreender melhor seu propósito. Segundo Amanda, esse processo revela potenciais que muitas vezes permanecem escondidos pela rotina.
“Ninguém sabe o potencial que tem até sentar na cadeira e mergulhar em si mesmo.”
A Escola de Oportunidade também trabalha com pessoas de diferentes áreas e tempos de empresa, colocando lado a lado colaboradores recém-chegados e profissionais com anos de trajetória. O resultado é uma troca de experiências e uma construção coletiva da cultura.
Quando cultura e resultado caminham juntos
Um dos relatos apresentados durante o podcast mostra como a empresa percebeu impactos concretos após fortalecer sua cultura. Durante a implantação da Escola Travessear, a Granado estava entrando em um dos períodos mais intensos do ano: a campanha de Natal.
Mesmo assim, decidiu manter o projeto. O resultado surpreendeu a equipe: aquele período se tornou o melhor mês de faturamento da história da empresa.
“Quando a gente fala: vamos viver a nossa cultura, acreditar na cultura e colocar ela no dia a dia, a gente vê que os resultados vêm”, afirmou Pâmela.
Para a liderança, o resultado econômico aparece como consequência de um processo anterior: pessoas mais conscientes, engajadas e conectadas com aquilo que fazem.
Um novo olhar para liderança
Outro ponto destacado na conversa foi a transformação do papel dos líderes. Para a Granado, não basta apresentar uma cultura no papel. É preciso que os líderes vivenciem essa cultura antes de transmiti-la às equipes.
“A gente precisa viver e acreditar para poder gerar novos frutos”, explicou Amanda.
Esse movimento fortalece uma liderança mais próxima, que escuta, acompanha e ajuda os colaboradores a desenvolverem sua própria potência.
A história de Mansinho: quando uma pessoa descobre seu próprio valor
Entre os exemplos compartilhados pelas líderes está a história de Mansinho, colaborador responsável pela recepção das pessoas que chegam à empresa.
Inicialmente, ele acreditava que participar da Escola de Oportunidade seria uma perda de tempo. Mas, ao longo da experiência, passou a se envolver com as atividades e percebeu características pessoais que nunca havia valorizado. Ao final do encontro, ele compartilhou que não imaginava possuir tantos valores vindos de sua própria história e família.
Para a equipe da Granado, o caso representa exatamente o objetivo da iniciativa: ajudar cada pessoa a reconhecer a riqueza que já existe dentro dela.
Investir em pessoas não é custo, é construção de futuro
Questionadas sobre empresas que ainda enxergam desenvolvimento humano como despesa, Amanda e Pâmela defendem uma mudança de perspectiva.
“Não é custo. É investimento. Se a gente não acredita nas pessoas, elas também não vão acreditar na empresa.”
Para elas, uma organização cresce quando seus colaboradores conseguem enxergar significado no que fazem.
“Pode ser vendas, compras, limpeza ou recepção. Se a pessoa não sente significado naquilo que faz, será apenas mais um trabalho.”
Uma cultura que gera conexão
Além do desenvolvimento individual, a Escola de Oportunidade também trouxe mudanças na relação entre equipes. Colaboradores de diferentes áreas passaram a compreender melhor os desafios uns dos outros e perceberam como seus trabalhos estão conectados.
A iniciativa ampliou a comunicação, reduziu barreiras hierárquicas e criou um ambiente onde as pessoas passaram a compartilhar mais suas dificuldades e ideias. Ao resumir o impacto da Escola de Oportunidade na Granado, Amanda definiu:
“Acreditar na potência das pessoas eleva a chama que elas têm no coração.”
Para Pâmela, essa transformação vai além do ambiente profissional.
“É transformar a vida, seja no trabalho ou na vida pessoal. Essa transformação é única e abre muitas portas para quem participa.”
A experiência da Granado mostra que culturas fortes não são construídas apenas por processos e metas, mas por pessoas que encontram significado naquilo que fazem.
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