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Quando a música vira memória: a história por trás de “Groove Land”

Thiago Lima transforma memórias, amizade e recomeços em “Groove Land”, primeiro capítulo do álbum instrumental “Where Shadows Become Sound”

Após anos dedicados à produção musical de outros artistas, músico brasileiro radicado no Canadá lança projeto autoral que reúne influências do rock, jazz, R&B, música brasileira e formação clássica

Durante muitos anos, Thiago Lima esteve nos bastidores. Como produtor, gravou, mixou e ajudou outros artistas a encontrarem a melhor forma de contar suas histórias através da música. Mas, depois de uma longa trajetória ajudando outros músicos a expressarem suas identidades, chegou o momento de olhar para dentro e criar algo que fosse completamente seu.

Esse movimento deu origem a “Groove Land”, primeiro single do projeto “Where Shadows Become Sound”, álbum instrumental que nasce da mistura entre memória, amizade, identidade musical e da experiência de recomeçar a vida no Canadá.

“Depois de muitos anos nesse papel, percebi que também precisava criar algo que fosse 100% meu”, conta Thiago. “Eu já tinha muitas músicas e uma musicalidade acumulada, além de influências e experiências que ainda não tinham encontrado um espaço totalmente livre para aparecer.”

O ponto de partida veio de uma maneira inesperada. Durante uma sessão de estudo de guitarra, sem qualquer planejamento, surgiu uma melodia que chamou sua atenção. Aquela ideia inicial acabou se transformando em “Groove Land” e abriu caminho para outras composições.

“Não foi algo planejado; simplesmente aconteceu e falou diretamente comigo”, explica. “Aquela primeira melodia não era apenas uma música isolada; ela abriu a porta para todas essas histórias.”

A criação do projeto também está diretamente ligada à mudança de país. Ao chegar ao Canadá, Thiago precisou se adaptar a uma nova cultura, um novo mercado e uma nova rotina. Esse processo de reconstrução pessoal acabou influenciando sua música.

“Quando você muda de país e começa uma nova vida, praticamente precisa reaprender muitas coisas do zero. A cultura, o clima, o modo de vida e o próprio mercado de trabalho acabam transformando você”, afirma.

Foi nesse novo momento que ele voltou a se dedicar intensamente ao estudo do instrumento e encontrou uma oportunidade de unir técnica, experiência e sentimento. O próprio ambiente em que o projeto foi criado também teve papel importante: o Iguana Studios, em Toronto, onde Thiago trabalha, possui uma mesa SSL histórica que veio da Power Station, em Nova York, equipamento utilizado em gravações de grandes nomes da música mundial.

“Olhei ao redor e pensei: tenho os instrumentos, toda a estrutura e uma SSL histórica. Não tinha como estar diante de tudo isso e não aproveitar a oportunidade de fazer algo meu.”

Um álbum construído por amizades

Apesar de ser um projeto autoral, “Groove Land” nasceu cercado por pessoas que fazem parte da trajetória musical de Thiago.

O baterista Marcello OG foi um dos grandes incentivadores para que o músico finalmente lançasse seu próprio trabalho instrumental. “Você precisa fazer um disco instrumental e mostrar para as pessoas aqui no Canadá a sua musicalidade como guitarrista”, era o conselho que Thiago ouvia.

A conexão com Marcello e com o baixista Alex Aquino trouxe ao projeto algo que vai além da técnica musical: história.

Thiago e Alex tocaram juntos durante anos em uma banda, e mesmo gravando à distância, Alex registrou suas partes diretamente do Brasil, a conexão permaneceu.

“Eles não são apenas músicos que convidei para executar partes. São pessoas com quem tenho amizade, história e uma linguagem musical construída ao longo do tempo.”

Por isso, o álbum carrega também um sentimento de reencontro. Cada instrumento traz uma lembrança, uma fase da vida e uma relação construída ao longo dos anos.

Uma fusão de influências e emoções

Instrumental, mas longe de ser apenas uma demonstração técnica, “Where Shadows Become Sound” busca criar uma experiência emocional para quem escuta.

“A música consegue transmitir emoções, conduzir quem está ouvindo a determinado estado de espírito e despertar memórias, saudades e sentimentos”, afirma Thiago.

Sua sonoridade passa pela música fusion, combinando diferentes universos: rock, jazz, R&B, música brasileira, MPB e sua formação clássica.

A guitarra com distorção traz elementos do rock, enquanto os fraseados carregam influências do jazz e do R&B. O baixo fretless, presente na maior parte das músicas, também tem um significado especial para o músico.

“Todos esses elementos fazem parte da minha cozinha musical e, quando se encontram, formam a minha identidade.”

Para Thiago, em um momento em que muitas músicas são criadas rapidamente buscando apenas resultados comerciais, ainda existe espaço para trabalhos feitos com cuidado e profundidade.

“Acredito que ainda existe espaço para uma música que possa ser apreciada com calma, assim como apreciamos uma boa obra de arte, uma peça de teatro, um bom filme ou uma comida especial preparada por um grande chef.”

O começo de uma nova fase

“Groove Land” é apenas o primeiro capítulo de uma história que está sendo construída faixa por faixa. O álbum completo terá pelo menos dez músicas e será lançado gradativamente.

O projeto também já abriu espaço para novas colaborações, como a participação do baterista Vito Rezza, músico ligado à cena canadense de jazz e com raízes italianas.

“Cada músico que entra acrescenta sua história, sua linguagem e uma nova possibilidade para o projeto.”

Inicialmente criado sem grandes expectativas comerciais, o trabalho começou a ganhar uma nova dimensão quando Thiago percebeu que as pessoas estavam se conectando com sua música.

Agora, além das novas faixas, o músico pretende registrar também os bastidores do processo, mostrando as histórias por trás das gravações e dos músicos envolvidos.

“Desde que vim para o Canadá, sempre tive o desejo de não apenas trabalhar aqui, mas também contribuir com a cultura do país. Existe um público que aprecia música feita com cuidado e profundidade.”

“Groove Land” já está disponível nas principais plataformas digitais e marca o início de uma nova etapa na carreira de Thiago Lima: depois de anos ajudando outros artistas a contarem suas histórias, chegou a vez dele contar a própria.


Ficha técnica

Projeto/álbum: Where Shadows Become Sound
Primeiro single: Groove Land

Artista, composição, arranjos, produção e guitarras: Thiago Lima
Bateria em “Groove Land”: Marcello OG
Baixo em “Groove Land”: Alex Aquino
Participação no projeto: Vito Rezza (bateria)
Produção, gravação, mixagem e masterização: Thiago Lima
Estúdio: Iguana Studios – Toronto, Canadá
Produção executiva: Vic Branco
Distribuição digital: DistroKid

Ouça “Groove Land”:
distrokid.com/hyperfollow/thiagolima2/groove-land

Fernando Vítolo é comunicador, escritor e entrevistador. Há mais de uma década trabalha contando histórias, conectando pessoas e produzindo conteúdo multiplataforma. @fernando.vitolo