Inteligência Artificial

TI é o novo RH?

O mais novo episódio do podcast Você Está Contratado? trouxe uma reflexão direta sobre o futuro das empresas, da tecnologia e da liderança. Com o tema “TI é o novo RH”, os apresentadores Fernando Vítolo, Marcelo Nóbrega e Jederson Beck receberam Marcos Yajima, profissional reconhecido entre os destaques em Inteligência Artificial de 2026 pela Sevent Experience.

Durante a conversa, Yajima compartilhou experiências práticas da implementação de IA na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e fez um alerta importante: empresas não devem adotar inteligência artificial apenas porque “todo mundo está fazendo”.

“Não colocar IA porque é legal, porque está todo mundo fazendo. Pensa antes de fazer, veja se é necessário e se a empresa tem maturidade para isso”, afirmou.

IA não resolve bagunça

Um dos pontos centrais do episódio foi a crítica ao uso precipitado da tecnologia. Segundo Yajima, a inteligência artificial não é uma solução mágica capaz de resolver problemas estruturais de uma empresa.

“Se você tem processos bagunçados, você vai informatizar a bagunça”, resumiu.

Para ele, antes de qualquer implementação, é preciso que os processos estejam organizados, mapeados e funcionando adequadamente. Só depois disso a IA pode entrar como aceleradora de produtividade, análise de dados e apoio à tomada de decisão.

O especialista destacou ainda que a IA não deve substituir o pensamento humano. Pelo contrário: ela precisa ser supervisionada constantemente.

“A IA não pode tomar a decisão por você. Quem toma a decisão é você. Ela pode alucinar, interpretar errado ou usar dados desatualizados”, explicou ao relatar casos reais de análises equivocadas feitas por ferramentas automatizadas.

Da área de suporte à área estratégica

Ao longo do papo, Marcos Yajima também abordou a transformação da área de tecnologia dentro das organizações. Segundo ele, o TI deixou de ser apenas um departamento operacional para assumir papel estratégico no planejamento das empresas.

“TI não é mais o departamento dos meninos que arrumam computador”, brincou.

Hoje, segundo o executivo, os profissionais de tecnologia precisam entender de negócios, processos, comunicação e principalmente de pessoas — o que aproxima cada vez mais o TI do RH.

A frase “TI é o novo RH”, mencionada no episódio a partir de uma fala atribuída ao presidente da NVIDIA, resume justamente essa nova realidade: profissionais de tecnologia precisam dominar soft skills, liderança e gestão humana além da parte técnica.

Soft skills viram diferencial

Yajima foi enfático ao afirmar que lidar com pessoas é muito mais desafiador do que lidar com computadores.

“Ferramenta eu aprendo. Faço um curso e pronto. O difícil é gerir pessoas”, afirmou.

Segundo ele, o mercado busca profissionais tecnicamente preparados, mas que também saibam conversar, interpretar demandas, trabalhar em equipe e resolver conflitos.

O episódio trouxe ainda reflexões sobre o impacto da IA na formação de novos profissionais. Para Yajima, existe uma preocupação crescente com a dependência excessiva das ferramentas de inteligência artificial.

“Tem gente pulando etapas importantes do aprendizado. A experiência não está na IA. Está nas pessoas que viveram aquilo”, destacou.

IA não substitui quem sabe usar IA

Outro ponto marcante da entrevista foi a visão de Yajima sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho. Para ele, a IA não necessariamente substituirá pessoas — mas profissionais que sabem usar IA podem substituir aqueles que ignorarem a tecnologia.

“A IA vai substituir as pessoas que não usam IA”, afirmou.

O especialista revelou ainda que utiliza diariamente diversas ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude, Copilot, Grok e Perplexity, comparando respostas e explorando diferentes aplicações para produtividade e análise.

Governança e responsabilidade no uso da tecnologia

A conversa também passou por temas como governança, LGPD e uso responsável da inteligência artificial nas empresas e universidades.

Na Santa Casa, segundo Yajima, há discussões constantes sobre normas, segurança e limites do uso da IA, especialmente em ambientes acadêmicos.

Ele reforçou que o uso indiscriminado pode gerar vazamentos de dados, decisões equivocadas e prejuízos futuros caso não exista controle e maturidade organizacional.

“Potência não é nada sem controle”, resumiu, fazendo referência a uma antiga campanha publicitária para ilustrar a necessidade de cautela na adoção das novas tecnologias.

Gravado nos estúdios da Younik, o episódio mostra como tecnologia, gestão e comportamento humano estão cada vez mais conectados — e por que o futuro das empresas dependerá tanto da inteligência artificial quanto da inteligência das pessoas.

Assista ao episódio na íntegra: