*Foto: ACSP_COCCID
Os anos passam e fica entre nós a saudade dos paulistanos que contavam terem visto um personagem que já não existe mais.
Nunca houve alguém mais pontual que ele, o acendedor dos lampiões a gás que iluminavam as ruas de São Paulo.
Pontualmente às seis da tarde, ele iniciava sua caminhada. Funcionário da San Paulo Gaz Company, ele percorria postes e esquinas.
Iluminar uma cidade que já era grande, mas incomparavelmente menor que a atual metrópole não era tarefa fácil.
O trabalho exigia uma grande equipe distribuída por rotas e cada profissional percorria extensos trechos a pé.
Munidos de uma vara com uma esponja na ponta, abriam o registro e acendiam a chama manualmente.
Ao amanhecer, faziam o percurso inverso para apagar as chamas, limpar os vidros e reabastecer os equipamentos.
Os últimos lampiões a gás de rua em São Paulo, foram desativados em dezembro de 1936, com a expansão da iluminação elétrica.
Em setembro de 2023 uma cerimônia noturna marcou a volta dos lampiões a gás para iluminar as dependências de um ponto histórico da metrópole.
Trinta e oito postes instalados no interior e em torno do Pátio do Colégio, deram claridade à nostalgia da Pauliceia Desvairada.
O mais pontual dos paulistanos, entretanto, ficou esquecido. Agora, quando o dia escurece, sensores eletrônicos acendem os lampiões.
O funcionário da companhia de gás virou parte da história de uma São Paulo que não é só nossa, mas também de nossos pais, avós e bisavós.
Geraldo Nunes é jornalista profissional, escritor e radialista premiado. Na saudosa Rádio Eldorado, além de repórter aéreo, apresentou o programa São Paulo de Todos os Tempos, onde se fez cronista da cidade, premiado pela APCA e com o Colar Guilherme de Almeida. Da Câmara Municipal recebeu a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo. Integra a Academia Paulista de História, Academia Cristã de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, é membro honorário da Força Aérea Brasileira – FAB.









