A internet acordou em estado de guerra civil. De um lado, jornalistas revoltados. Do outro, fãs da Virgínia Fonseca defendendo sua musa digital como se ela estivesse sendo convocada para jogar no lugar do Neymar. No meio disso tudo? Felipe Neto anunciando publicamente que não vai assistir à Copa do Mundo na Globo por causa da contratação de Virginia Fonseca como repórter dos bastidores do torneio para o “Domingão com Huck”.

A Globo decidiu apostar na influenciadora para cobrir o clima da Copa, mostrar bastidores, entrevistar jogadores, produzir conteúdo para redes sociais e, provavelmente, descobrir qual filtro deixa o gramado do estádio mais harmônico com o feed do Instagram.
E claro… de graça é que não foi.
A contratação abalou parte da internet. Jornalistas esportivos reclamaram que estão perdendo espaço para influenciadores. O que é curioso, porque faz anos que o jornalismo esportivo brasileiro virou uma mistura de debate de bar com programa de auditório. Falta só o Galvão Bueno tocar a buzina do Chacrinha.
Já Felipe Neto declarou que não acompanhará a Copa pela Globo. A pergunta que fica é: em plena era do YouTube, TikTok, streaming, cortes, reacts, memes e grupo de WhatsApp da família… alguém ainda “acompanha a Copa pela Globo” como em 2002?
Eu mesmo não sei o que é televisão aberta desde 2011, ano em que me casei. E calma… isso não é um pedido de socorro. Eu estou bem. Acho.
Quem também não gostou da novidade foi Juca Kfouri, que chamou a contratação de “esculhambação”. Meu amigo… a esculhambação começou quando o programa do Huck saiu do Caldeirão e virou Domingão. Desde a guerra dominical entre Faustão e Gugu, ninguém conseguiu mais sustentar o domingo do brasileiro sem parecer uma reunião de condomínio com trilha sonora.
Como diria o Chaves: “Eu preferia ter ido ver o Pelé”.
E sejamos sinceros: depois do fatídico 7×1 contra a Alemanha, muita gente nunca mais foi a mesma. O brasileiro perdeu a inocência. Alguns perderam a fé. Outros perderam a vontade de ver futebol. Hoje, muita gente acompanha a Copa apenas pelos memes. O jogo em si virou intervalo entre um GIF e outro do Neymar rolando no chão como se tivesse sido atingido por um míssil terra-ar.
A verdade é que a Globo está tentando desesperadamente pescar audiência jovem. E faz sentido. O jovem médio de hoje não sabe nem o número do canal da Globo na TV. Ele sabe o arroba. Sabe o link. Sabe o corte. Sabe onde assistir pulando propaganda.
Por isso entram influencers, creators, streamers e qualquer pessoa que tenha mais engajamento que um comentarista esportivo tentando explicar impedimento com um copo e uma colher.
A emissora já vinha flertando com esse universo ao trazer nomes da internet como Felca. Aliás… o Felca eu gosto. Não vou zoar ele não.

Agora fica a dúvida: será que, depois que a Virgínia entrou para a Globo, o Felca vai precisar deletar aquele vídeo falando da maquiagem dela? Porque uma coisa que a Globo domina desde os tempos do videotape é a arte de proteger seus queridinhos. E agora eles estão debaixo da mesma casa.
No fim das contas, a Copa de 2026 talvez nem seja sobre futebol. Vai ser sobre corte viral, publi, trend, react, dancinha, thread indignada e influenciador entrevistando jogador como se estivesse gravando stories na Farofa da Gkay.
E honestamente? Talvez seja exatamente isso que o público queira.
Ou talvez a gente só esteja envelhecendo mesmo.
Fernando Vítolo é comunicador, escritor e entrevistador. Há mais de uma década trabalha contando histórias, conectando pessoas e produzindo conteúdo multiplataforma. @fernando.vitolo









