Economia ao Natural

Empresas que desenvolvem pessoas crescem de forma diferente

Mais do que salários: por que empresas que desenvolvem pessoas constroem equipes mais fortes

Em conversa no podcast Roda de Significado, do Instituto Economia ao Natural, Andrea Cervieri e Eduardo Pereira, da Volo Logística, defendem que o desenvolvimento humano deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade para empresas que desejam crescer de forma sustentável.

Durante muito tempo, a gestão empresarial concentrou seus esforços em processos, indicadores, metas e tecnologia. Embora todos esses elementos continuem sendo importantes, cresce a percepção de que nenhuma estratégia é sustentável quando ignora quem realmente faz a empresa acontecer: as pessoas.

Ao longo do episódio, os convidados compartilharam experiências sobre como a empresa vem investindo no desenvolvimento humano por meio da metodologia da Escola de Oportunidade e os impactos que essa transformação tem gerado na cultura organizacional.

O colaborador não quer apenas executar tarefas

Segundo Eduardo Pereira, um dos maiores resultados percebidos após a implantação da metodologia foi a mudança de postura das equipes.

“As pessoas deixam de estar ali apenas para cumprir uma função. Elas passam a enxergar um significado maior no trabalho e começam a buscar crescimento também como seres humanos.”

Para ele, quando o colaborador desenvolve autoconhecimento, aumenta naturalmente seu senso de responsabilidade, empatia e participação dentro da empresa.

Propósito não é meta

Um dos pontos mais discutidos durante a entrevista foi a diferença entre propósito e objetivo. Andrea Cervieri explicou que muitas pessoas, quando perguntadas sobre seu propósito, respondem com metas como comprar uma casa ou conquistar um cargo melhor.

“Isso é um objetivo. Propósito é algo muito maior. É aquilo que dá direção para todas as áreas da vida.”

Ela ressalta que descobrir esse propósito é um processo gradual e que cada pessoa amadurece em um ritmo diferente.

“O propósito evolui junto com a pessoa.”

O ambiente influencia quem as pessoas se tornam

Outro tema importante foi o papel da empresa na criação de um ambiente seguro para o desenvolvimento das equipes.

Segundo Andrea, colaboradores que antes eram retraídos passaram a participar das reuniões, apresentar ideias e se posicionar com muito mais segurança depois de iniciarem esse processo de desenvolvimento.

“Quando a empresa cria um ambiente de acolhimento, as pessoas se sentem autorizadas a mostrar quem realmente são.”

Na visão dos entrevistados, criar esse espaço é responsabilidade da liderança.

Empresas não contratam apenas profissionais

Fernando Vítolo levantou uma questão importante durante a conversa: é possível separar completamente vida pessoal e vida profissional? A resposta dos convidados foi praticamente unânime: não.

Eduardo explicou que tudo aquilo que acontece na vida do colaborador inevitavelmente impacta sua atuação no trabalho.

“Não existe deixar os problemas pessoais do lado de fora da empresa. O papel da liderança é conhecer as pessoas, entender suas jornadas e apoiá-las.”

Para Andrea, a vida funciona como um sistema integrado. Se uma das áreas está profundamente desequilibrada — família, saúde, espiritualidade, trabalho ou relacionamentos — esse impacto inevitavelmente aparecerá também no ambiente corporativo.

Questionar pode ser sinal de engajamento

Outro ponto interessante debatido foi a mudança de cultura em relação aos questionamentos dos colaboradores. Enquanto muitas empresas enxergam perguntas como sinal de resistência ou insubordinação, na Volo elas são interpretadas como demonstrações de interesse.

“Quando alguém pergunta ‘por quê?’, normalmente está tentando compreender melhor o significado daquela tarefa.”

Segundo Eduardo, isso ajuda a evitar o chamado “modo automático”, no qual as pessoas apenas executam ordens sem entender seu propósito.

Desenvolvimento humano também é estratégia

Ao comparar treinamentos corporativos tradicionais com a metodologia aplicada pela Escola de Oportunidade, Andrea destacou que muitas empresas falam sobre valores, mas poucas conseguem transformá-los em prática cotidiana.

Segundo ela, desenvolver propósito, autoconhecimento e coerência entre valores e comportamentos gera uma transformação que vai além do ambiente de trabalho.

“A empresa cresce junto com as pessoas.”

Para os convidados, investir apenas em tecnologia não é suficiente para construir organizações saudáveis. É necessário desenvolver líderes, fortalecer relações e criar ambientes onde as pessoas encontrem significado no que fazem.

O futuro das empresas passa pelas pessoas

Ao final da conversa, Fernando Vítolo provocou uma reflexão importante.

Hoje, grande parte das discussões corporativas está concentrada em inteligência artificial, automação e inovação tecnológica. No entanto, talvez o verdadeiro diferencial competitivo continue sendo o mesmo de sempre: pessoas preparadas para crescer junto com a organização.

Na visão de Andrea Cervieri e Eduardo Pereira, empresas que desejam resultados sustentáveis precisam compreender que o desenvolvimento humano não é um benefício opcional. É parte da estratégia.

E quanto antes essa transformação começar, maiores serão os impactos na cultura, no engajamento e nos resultados do negócio.

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