Em entrevista a Heródoto Barbeiro, no Jornal NovaBrasil, Rodolfo Fiori destacou o potencial da inteligência artificial para simplificar o atendimento ao cidadão e automatizar tarefas repetitivas no setor público
A digitalização dos serviços públicos pode beneficiar municípios de todos os portes, reduzir custos administrativos e tornar mais rápido o atendimento à população. A avaliação é de Rodolfo Fiori, CEO da Gove, entrevistado pelo jornalista Heródoto Barbeiro no Jornal NovaBrasil.
Segundo Fiori, tanto as grandes cidades quanto os pequenos municípios podem adotar novas tecnologias na administração pública. O avanço da digitalização, no entanto, precisa ser acompanhado por medidas que garantam o acesso de toda a população aos serviços.
Entre as barreiras estão páginas que não funcionam adequadamente em celulares, conexões de internet de baixa qualidade e dificuldades enfrentadas por cidadãos que não sabem ler. “Mesmo com a digitalização dos serviços, é necessário remover barreiras de inclusão”, afirmou.
A proposta defendida pelo executivo é que o poder público passe a oferecer serviços de maneira mais proativa, considerando acontecimentos na vida do cidadão ou de uma empresa. Dessa forma, a administração poderia antecipar necessidades sem depender do preenchimento de formulários extensos, de cadastros repetidos ou da apresentação das mesmas informações em diferentes canais.
Redução de custos e ganho de eficiência
Durante a entrevista, Heródoto Barbeiro questionou se a adoção dessas tecnologias seria viável para municípios com orçamentos limitados. De acordo com Fiori, a digitalização pode reduzir os custos da máquina pública ao facilitar a comunicação com a população e permitir que a administração compreenda melhor quais serviços são necessários em cada momento.
O uso de inteligência artificial também pode beneficiar diretamente os servidores públicos. Processos repetitivos e de grande volume podem ser automatizados, fazendo com que solicitações cheguem aos funcionários acompanhadas de uma análise preliminar, da validação de documentos ou até mesmo de um pré-parecer jurídico.
A decisão final, entretanto, continua sob responsabilidade do servidor. Cabe ao funcionário público examinar as informações produzidas pela tecnologia, validá-las e decidir se o serviço deve prosseguir.
“O cidadão ganha porque o acesso fica mais fácil e ele não precisa se deslocar. O governo reduz gastos com comunicação e o servidor ganha tempo”, resumiu Fiori.
Implantação começa por áreas específicas
A implementação da tecnologia não costuma ocorrer simultaneamente em toda a prefeitura. Segundo o CEO da Gove, o trabalho geralmente começa em uma secretaria específica e depois é ampliado para outras áreas da administração.
As secretarias municipais de Fazenda estão entre as que mais procuram esse tipo de solução, principalmente pela necessidade de facilitar o pagamento de tributos e automatizar tarefas internas. A implantação da tecnologia em alguns serviços de uma secretaria leva, em média, cerca de dois meses, conforme explicou Fiori.
O processo também exige treinamento dos servidores responsáveis por utilizar as novas ferramentas.
Sistemas antigos ainda são obstáculo
Um dos principais desafios encontrados pelas prefeituras é a integração entre diferentes sistemas. Muitos órgãos públicos ainda dependem de plataformas antigas, conhecidas como sistemas legados, que nem sempre permitem a comunicação e o compartilhamento adequado de dados.
Fiori observou que parte desses sistemas está sob responsabilidade de empresas que não demonstram interesse em construir as integrações necessárias. Como consequência, a administração precisa dedicar mais tempo para garantir que os dados estejam acessíveis aos gestores antes de aplicar ferramentas de inteligência artificial.
Superada essa barreira, a expectativa é que os municípios consigam responder com mais rapidez às demandas da população, simplificando o acesso aos serviços e liberando os servidores de atividades manuais e repetitivas.










