Parece Mas Não É

Saída pela direita!

Há quem tema pela segurança de um dos políticos mais importantes do Brasil. As mais diversas fake news chegam, principalmente, ao conhecimento dos moradores da capital do país. Afinal, é verdade ou mentira que ele deixará o Brasil? Para onde iria? Seria para a Europa, sobretudo para a França, um dos países que mais recebem perseguidos políticos no mundo? Lá encontraria segurança pessoal para si e sua família, além de jornais por meio dos quais poderia continuar exercendo influência política e se comunicando com seu grupo de apoio no Brasil. Ou iria para os Estados Unidos, país que também conhece bem, cujo presidente é um republicano com interesses na América Latina, cioso em manter a Doutrina Monroe – “a América para os americanos”? Seja qual for o destino, os donos do poder temem que, a qualquer momento, ele volte ao país.

O povo da capital está atento à saída do chefe do Executivo de forma tão repentina. Seu grupo político acredita ter apoio suficiente para que ele permaneça no Brasil e não seja preso nem perseguido por forças de segurança. Afinal, o país é muito grande, e há muitos lugares para se refugiar e organizar a resistência contra os que se julgam os novos donos do poder. Não se fala em ameaça de guerra civil, como já aconteceu no passado, mas o fato é que a nação está dividida entre apoiadores e opositores do governo, e pode haver conflito. Cabe às Forças Armadas, principalmente ao Exército, que tem o seu maior contingente na capital, sair às ruas não só para impedir manifestações de apoio ao líder, mas também para deixar bem claro que a decisão está tomada e não tem volta. Por vontade própria ou à força, o político precisa deixar o país.

Manifestações contra o governo ocorrem na cidade. Tudo se resolve aqui. O resto do país assiste, surpreso, às notícias que chegam da capital e mal acredita no que lê. Um grupo de militares, comandado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, herói da Guerra do Paraguai, toma uma das praças do Rio de Janeiro. Ele proclama a República, pondo fim à Monarquia, que durou 67 anos. A repercussão é mínima. Sobra para José do Patrocínio, da sacada da Câmara Municipal da cidade, ler a ata da Proclamação da República. O que fazer com o idoso e doente imperador e sua família, da qual fazia parte a princesa Isabel, então herdeira do trono? Pedro II e seus familiares são embarcados à força no navio Alagoas e partem para o exílio. Destino: a França. Erudito, poliglota, mas alquebrado pela idade, morre aos 66 anos em Paris. Nem mesmo sua morte desanima os monarquistas, que não se conformam com o advento da República dos Estados Unidos do Brasil.

Prof. Heródoto Barbeiro âncora do Jornal Nova Brasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História. Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e mídia training. Canal no Youtube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br