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Música

Lucas Jack trocou a advocacia pelo piano. Agora, busca espaço na era da música infinita

Inspirado no pop rock dos anos 1970 e 1980, o músico fala sobre a escolha de viver da arte e o desafio de fazer uma canção permanecer na memória.

Quando era criança, Lucas Jack procurava pianos em bares, hotéis e igrejas. O instrumento que tinha em casa era velho e desafinado; cada piano que encontrava oferecia um som diferente. Na pequena igreja que frequentava em Michigan, ele aproveitava a chave que recebera para cortar a grama, entrava depois do serviço e passava horas tocando e cantando sozinho. A música já ocupava boa parte de sua vida, mas demorou a se tornar profissão.

Lucas estudou Direito e trabalhou como advogado em Chicago. A mudança veio quando ele e a futura esposa se preparavam para morar no Texas. Perguntado se faria o exame necessário para advogar no estado, respondeu que iria tocar música. “Simplesmente saiu de mim”, contou em entrevista à Younik. Ela apoiou a decisão, e a carreira dela lhe deu a segurança financeira para se dedicar integralmente à música a partir de 2011.

O som que Lucas escolheu fazer remete ao pop rock dos anos 1970 e 1980: piano, baixo, bateria, guitarra e vozes que o ouvinte consegue distinguir. É essa combinação que ele busca em Time Machine, seu álbum mais recente. “Naquela época, minha música seria considerada pop. Hoje, acho que ninguém a chamaria assim”, diz. Seu interesse não está em reproduzir uma década, mas em preservar a sensação de ouvir pessoas tocando juntas.

Isso não o impede de brincar com outras referências. No clipe de I’mma Do It, gravado em um dia com um antigo companheiro de banda, Lucas aparece em uma sequência de treinamento inspirada em filmes como Rocky e Karatê Kid. O humor recupera um lado de sua trajetória que vinha dos tempos da faculdade de Direito, quando sua banda subia ao palco com fantasias e bigodes postiços.

Para ele, porém, lançar música hoje exige conviver com uma contradição. As plataformas permitem descobrir praticamente qualquer artista a qualquer momento, mas a oferta incessante também torna mais difícil criar uma lembrança duradoura. Lucas recorda os poucos CDs que ouvia repetidamente na infância: ainda sabe cantar suas letras. Agora publica vídeos e mantém suas músicas nos serviços de streaming porque é onde pode encontrar ouvintes, embora procure limitar o tempo que passa nas redes.

No fim da conversa, ele olhou ao redor do próprio estúdio, cheio de pianos, instrumentos e microfones. A criança de Michigan, acredita, ficaria orgulhosa de vê-lo ali: depois de anos escrevendo canções ruins para aprender a escrever as boas, ele sabe fazer a música que deseja. “Ainda gostaria de encontrar uns dez milhões de fãs”, brinca. O piano, pelo menos, ele já encontrou.