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Protetor solar na pele madura: começar agora ainda faz diferença?

Mesmo quando rugas e manchas já estão presentes, a proteção diária ajuda a evitar novos danos, reduz o agravamento dos sinais do tempo e protege a saúde da pele

Com o passar dos anos, a pele carrega não apenas as marcas naturais do envelhecimento, mas também o resultado de toda a exposição ao sol acumulada ao longo da vida. Manchas, linhas mais profundas e perda de firmeza podem ser agravadas pela ação contínua da radiação ultravioleta.

Por isso, o protetor solar continua sendo importante na pele madura — inclusive para quem não teve o hábito de usá-lo anteriormente. Começar agora não apaga os danos que já ocorreram, mas ajuda a evitar que eles avancem e que novas alterações apareçam.

A radiação ultravioleta contribui para a degradação do colágeno e da elastina, estruturas responsáveis pela sustentação e elasticidade da pele. Esse processo, conhecido como fotoenvelhecimento, favorece o aparecimento de rugas, flacidez, manchas e diferenças de textura.

O protetor solar não recupera o colágeno perdido nem funciona como um tratamento capaz de eliminar rugas. Sua principal função é preventiva: diminuir o impacto de novas exposições e preservar melhor as estruturas que ainda estão saudáveis.

Um cuidado que vai além da estética

Na pele madura, usar protetor solar não deve ser visto apenas como uma preocupação com a aparência. A exposição solar excessiva é um dos principais fatores de risco para o câncer de pele, e seus efeitos são cumulativos.

Isso significa que pequenas exposições repetidas durante anos também contam. O rosto, as orelhas, o pescoço, o colo e as mãos merecem atenção especial porque permanecem frequentemente descobertos, mesmo fora de situações como praia ou piscina.

Também é importante observar manchas, pintas e feridas. Alterações de tamanho, formato ou cor, além de lesões que coçam, sangram ou demoram para cicatrizar, devem ser avaliadas por um dermatologista. Nem toda marca que surge com a idade deve ser tratada simplesmente como uma “mancha do tempo”.

Como escolher o protetor solar

A recomendação geral é procurar um produto de amplo espectro, que ofereça proteção contra os raios UVA e UVB, e tenha fator de proteção solar de, no mínimo, FPS 30.

A textura também faz diferença. Como a pele madura pode apresentar maior ressecamento e sensibilidade, fórmulas cremosas ou com ingredientes hidratantes tendem a proporcionar mais conforto. Para peles oleosas, existem versões mais leves e fluidas. Já pessoas com sensibilidade devem observar a presença de fragrâncias e outros componentes que possam causar irritação.

Nem todo protetor solar, entretanto, possui ação hidratante ou ativos de tratamento. Por isso, é importante verificar a fórmula e não substituir automaticamente os demais cuidados recomendados pelo dermatologista.

Aplicar uma vez pode não ser suficiente

O protetor deve ser utilizado diariamente nas áreas expostas, inclusive em dias nublados. Durante uma exposição prolongada ao sol, a reaplicação deve ser feita a cada duas horas e também depois de nadar, transpirar intensamente ou secar a pele com uma toalha.

O uso do produto também não elimina a necessidade de outras medidas de proteção. Chapéus, óculos escuros, roupas adequadas, procura por sombra e menor exposição nos horários de radiação mais intensa continuam sendo importantes.

Mais do que encontrar um produto cheio de promessas, o essencial é escolher um protetor adequado à pele e que possa ser incorporado à rotina. Na pele madura, consistência costuma fazer mais diferença do que qualquer suposta solução milagrosa.

Margaret Razzante é esteticista e cosmetóloga, fundadora e diretora da Clínica Razzante.