Salário emocional ganha força como fator decisivo para o engajamento no trabalho
Em episódio do podcast “Você Está Contratado!”, Fabiana Galetol destaca que reconhecimento, autonomia e conexões humanas são tão importantes quanto a remuneração financeira para manter profissionais motivados.
O que faz um profissional acordar motivado para trabalhar todos os dias? O salário? Os benefícios? O plano de carreira? Segundo Fabiana Galetol, executiva responsável pela área de Gestão de Pessoas e Responsabilidade Social da Pluxee, a resposta vai além dos números.
Participando do podcast “Você Está Contratado!”, apresentado por Marcelo Nóbrega e Jederson Beck, Fabiana compartilhou dados de pesquisas realizadas pela empresa e defendeu a importância do chamado “salário emocional” como elemento fundamental para o engajamento dos colaboradores.
“O salário nominal paga as contas. Mas o que mantém um colaborador engajado e o que faz você acordar feliz todos os dias está no emocional“, afirmou.
O fim do funcionário médio
Durante a conversa, Fabiana apresentou os resultados de um amplo estudo realizado em parceria com a Ipsos, que ouviu mais de 10 mil pessoas ao redor do mundo. No Brasil, foram entrevistados 1.500 profissionais de diferentes estados e setores.
A pesquisa identificou oito perfis distintos de engajamento, derrubando a ideia de que existe um “funcionário médio” para o qual as empresas podem criar soluções padronizadas.
Segundo ela, cada profissional possui motivações, necessidades e expectativas diferentes. Por isso, líderes e organizações precisam compreender melhor seus colaboradores para desenvolver estratégias mais assertivas de retenção e desenvolvimento.
Entre os grupos identificados, os chamados “intencionais” representam cerca de 23% dos entrevistados. São profissionais que buscam propósito, coerência e significado em suas atividades. Para eles, discursos vazios ou desalinhados da prática têm pouco efeito.
Vida pessoal em primeiro lugar
Outro dado que chamou atenção foi a mudança de prioridades dos trabalhadores. A pesquisa mostrou que 57% dos entrevistados colocam a vida pessoal acima da vida profissional, enquanto apenas 12% afirmam priorizar o trabalho em relação à vida fora da empresa.
Para Fabiana, essa transformação exige uma nova postura das lideranças.
“Cada pessoa se engaja de uma forma diferente e isso muda conforme o momento de vida. O que era importante para mim no início da carreira não é necessariamente o que é importante hoje”, explicou.
Conexões humanas fazem a diferença
Embora 63% dos profissionais afirmem trabalhar principalmente para pagar as contas, os fatores emocionais continuam exercendo forte influência sobre a permanência nas empresas. O levantamento revelou que 57% dos entrevistados consideram as relações com colegas de trabalho um importante fator de motivação.
Além disso, três pilares apareceram de forma recorrente como determinantes para o engajamento:
- Reconhecimento;
- Cuidado e acolhimento;
- Autonomia.
Segundo Fabiana, colaboradores que se sentem invisíveis ou desconectados tendem a se afastar emocionalmente da organização, mesmo sem pedir demissão imediatamente.
“Um colaborador que não se sente pertencente ou não percebe que sua presença faz diferença acaba se desengajando aos poucos”, observou.
Trabalho remoto exige liderança mais presente
Ao abordar o trabalho remoto e híbrido, a executiva destacou que o desafio não está no modelo em si, mas na capacidade da liderança de criar conexões. Para ela, visibilidade não significa apenas presença física.
“Participação, pertencimento, autonomia e reconhecimento são os elementos que fazem uma pessoa se sentir vista dentro da empresa”, afirmou.
A discussão ganha relevância diante do crescimento dos problemas relacionados à saúde mental. Segundo dados citados por Fabiana, o Brasil segue entre os países com maiores índices de ansiedade do mundo, cenário que reforça a necessidade de ambientes corporativos mais saudáveis.
Benefícios além do vale-refeição
A Pluxee, empresa global presente em 28 países, tem apostado em uma visão ampliada de benefícios corporativos. Além de alimentação e mobilidade, a companhia oferece aos seus colaboradores apoio psicológico, nutricional, jurídico e financeiro, incluindo programas de educação financeira.
A executiva ressaltou que problemas financeiros frequentemente impactam a saúde mental, a produtividade e até os índices de rotatividade das empresas. Durante a pandemia, por exemplo, a procura por suporte psicológico cresceu significativamente. Posteriormente, atendimentos relacionados a questões financeiras e jurídicas também ganharam relevância.
Felicidade também é estratégia de negócios
Outro estudo citado no episódio foi o Índice de Felicidade da Pluxee, que mede o bem-estar dos trabalhadores em diferentes países. Embora o Brasil tenha apresentado evolução recente, o país ainda aparece abaixo da média global em felicidade no ambiente de trabalho.
Mais uma vez, os fatores decisivos não estão apenas na remuneração, mas em aspectos como reconhecimento, autonomia, propósito e qualidade das relações humanas. Para Fabiana, empresas que enxergam saúde, bem-estar e engajamento como temas estratégicos tendem a obter melhores resultados.
“Falar de saúde e bem-estar é falar de negócio. Pessoas engajadas performam melhor, permanecem mais tempo e contribuem mais para os resultados das organizações”, destacou.
Conhecer as pessoas para tomar melhores decisões
Ao encerrar a entrevista, Fabiana deixou uma mensagem para líderes e gestores:
“Quanto mais conhecemos as pessoas, melhor tomamos decisões. Entender o que engaja cada colaborador permite criar ações mais assertivas, ambientes mais saudáveis e negócios mais fortes.”
A conversa reforça uma tendência cada vez mais evidente no mercado: em um cenário de profundas transformações no mundo do trabalho, compreender as necessidades humanas deixou de ser apenas uma questão de recursos humanos e passou a ser uma estratégia essencial para a sustentabilidade dos negócios.
Assista ao episódio completo:









