Tem gente que passa a vida inteira querendo ser escolhida. Escolhido para uma vaga de emprego, para liderar uma equipe, para comandar um projeto, para apresentar um programa, para representar uma turma, para virar síndico do prédio ou até para governar um país. Mas, no fim das contas, pouca gente entende uma verdade simples: ser escolhido não é sorte. É consequência.

É justamente essa provocação que move o novo livro A Arte de Ser Escolhido, escrito por Fernadno Vítolo e Heródoto Barbeiro. A obra, que será lançada em junho de 2026 pela Editora Amarilys, mistura humor, ironia, comunicação, comportamento e bastidores do universo político para discutir um tema muito maior do que eleições: confiança.
E não… o livro não é aquele típico manual engessado de campanha política cheio de palavras difíceis, gráficos misteriosos e frases que parecem saídas de uma reunião de marqueteiros às três da manhã. Pelo contrário. A proposta aqui é justamente desmontar, com sátira e inteligência, os mecanismos que transformaram a política — e muitas vezes a própria comunicação — em um enorme teatro de personagens fabricados.
A trama acompanha Capitu, uma capivara candidata a deputada. Sim, uma capivara. E talvez isso faça mais sentido do que muito candidato humano por aí.
A partir dessa personagem improvável, os autores discutem erros clássicos de quem quer conquistar apoio público: excesso de vaidade, discursos vazios, promessas impossíveis, personagens artificiais, redes sociais usadas como picadeiro e a velha mania de falar sem escutar ninguém.
O livro deixa claro que competência sozinha já não basta. Hoje, quem não sabe comunicar suas ideias corre o risco de ser atropelado por alguém que fala bonito, grava vídeos emocionados olhando para o horizonte e posta frases motivacionais com música épica ao fundo.

No prefácio da obra, o lendário executivo de televisão Boni define o livro como “o mais criativo manual de comunicação” que já leu. E vai além: afirma que os autores foram “maquiavélicos” ao escolher a sátira em vez da crítica direta para ridicularizar o processo eleitoral moderno.
Aliás, o livro faz justamente aquilo que muita gente evita: trata a política como ela realmente é. Não como deveria ser em um comercial bonito de campanha com crianças correndo em câmera lenta.
Já na apresentação, Sólon Cunha amplia ainda mais a discussão. Segundo ele, A Arte de Ser Escolhido não é apenas sobre vencer eleições, mas sobre legitimidade, reputação e responsabilidade. Em um mundo dominado por cortes de vídeo, redes sociais, inteligência artificial, viralizações instantâneas e crises fabricadas em tempo real, reputação virou patrimônio. E patrimônio difícil de reconstruir quando explode na internet.
O livro também mergulha no novo ecossistema da comunicação contemporânea: Instagram, TikTok, YouTube, podcasts, WhatsApp, LinkedIn, inteligência artificial e toda essa selva digital onde hoje qualquer frase mal colocada pode virar manchete, meme ou cancelamento em poucos minutos.
Mas há um ponto importante que atravessa toda a obra: tecnologia não substitui caráter.
Você pode ter IA escrevendo discursos, algoritmo impulsionando vídeos e equipe editando cortes emocionantes. Mas nenhuma ferramenta consegue fabricar propósito verdadeiro. E talvez seja exatamente aí que o livro acerta em cheio.
Outro aspecto curioso é que a obra não conversa apenas com políticos profissionais. Ela serve para qualquer pessoa que dependa da escolha dos outros. Líderes, gestores, empresários, síndicos, professores, criadores de conteúdo, palestrantes e até aquele cidadão que decide se candidatar à presidência da associação do bairro depois de reclamar do grupo do WhatsApp durante três anos seguidos.

Com linguagem leve, humor ácido e muitas provocações, A Arte de Ser Escolhido propõe uma reflexão desconfortável, porém necessária: antes de perguntar “como posso ser escolhido?”, talvez seja mais importante perguntar “por que alguém deveria confiar em mim?”.
No fim, o livro deixa uma mensagem simples, direta e quase cruel de tão verdadeira: Eleição não é sobre convencer. É sobre fazer sentido.









