“A GENTE GANHOU?”: COMO A NOVA TEMPORADA DE MUNDO DA LUA CONQUISTOU O TROFÉU IMPRENSA
A segunda temporada de Mundo da Lua venceu o Troféu Imprensa do SBT na categoria de Melhor Conteúdo Infantil por escolha do júri. A premiação coroou uma produção cercada por pressão, expectativas, críticas nas redes sociais e uma verdadeira corrida contra o tempo nos bastidores.
Entre os roteiristas da nova temporada estava Fernando Vítolo, que recebeu no início de 2025 o convite de Flavio de Souza para integrar a equipe de roteiros da série. Segundo ele, tudo começou logo após as festas de fim de ano.
“No dia 9 de janeiro, ainda em clima de ressaca das festas, começamos a escrever as sinopses. Foi uma correria insana porque as gravações começaram no dia 15 de março e nós ainda não tínhamos todos os roteiros prontos”, relembra.
Além de criar os textos, Flavio também precisava atuar. Para quem acompanhou a série original, ele interpretava o inesquecível Tio Dudu. Isso significava dividir o tempo entre escrever, decorar falas e enfrentar longas jornadas de gravação.
“As gravações normalmente começavam às 8h da manhã e iam até 20h ou 21h. Era um processo muito intenso”, conta Vítolo.
Entre o fã e o roteirista

Escrever uma nova temporada de um clássico da televisão brasileira exigia equilíbrio emocional. Segundo Fernando, em muitos momentos ele se via dividido entre o fã apaixonado pela obra original e o profissional responsável por atualizar a série para uma nova geração.
“Sempre que o Flavio me perguntava algo, eu devolvia perguntando se ele queria minha resposta de fã ou de roteirista.”
No meio do processo, a equipe recebeu uma notícia que abalou os planos da produção: Mira Haar e Luciano Amaral não participariam da nova temporada.
“Fiquei muito chateado. O Flavio também. Até cogitamos mudar algumas coisas, mas já tínhamos dez dos 24 roteiros escritos e faltava apenas um mês para as gravações começarem.”
A internet reagiu — e forte
Assim que a ausência dos atores foi divulgada, as redes sociais foram tomadas por comentários, críticas e especulações. Muitos fãs questionavam os bastidores da negociação e chegaram a prever o fracasso da nova fase da série antes mesmo da estreia.
“Os haters fazem muito mais barulho do que as pessoas que gostam e apoiam. Infelizmente aconteceu isso.”
Fernando conta que chegou a ser cobrado diretamente por fãs nas redes sociais.
“Teve gente dizendo que eu precisava fazer alguma coisa. Mas eu era apenas um dos roteiristas.”
A nova temporada foi produzida pela Mixer Films em parceria com a TV Cultura, mantendo o envolvimento criativo de Flavio de Souza, criador da obra original.
A surpresa veio no Troféu Imprensa
Mesmo após a boa recepção de parte do público, a equipe não acreditava muito em uma vitória no Troféu Imprensa. A disputa incluía produções exibidas pela própria casa, como Sítio do Picapau Amarelo e Sábado Animado.
“Quando falei para o Flavio e para o João Daniel Tikhomiroff, da Mixer, a reação foi a mesma que a minha: parecia pouco provável a gente ganhar.”
Fernando admite que sequer tinha o hábito de acompanhar o Troféu Imprensa e não planejava assistir à cerimônia. Até que, em meio ao trabalho, o celular começou a disparar notificações.
“Meu WhatsApp começou a ser bombardeado de mensagens. Amigos e colegas me parabenizando. Aí pensei: ‘Ué? A gente ganhou?’”
Ao assistir à premiação, veio a confirmação. O voto decisivo foi do jornalista e crítico Chico Barney, que destacou a qualidade da produção mesmo sem o protagonista original.
A vitória acabou se tornando uma resposta simbólica a meses de dúvidas, críticas e inseguranças. Mais do que um prêmio, o Troféu Imprensa representou o reconhecimento de um trabalho feito sob enorme pressão — mas também movido por paixão, memória afetiva e respeito a um dos universos infantis mais importantes da televisão brasileira.









