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Serginho em A Fazenda: Juninho Bill avalia o peso de ser alvo da casa

Ex-participante acredita que a oposição dos colegas favorece o ator junto ao público, mas aponta riscos nas falas impensadas e diferenças na forma de buscar apoio.

Juninho Bill foi o primeiro a me fazer acompanhar A Fazenda. Serginho Hondjakoff é o segundo. Esse interesse me levou a procurar Juninho para conversar sobre a participação do ator na edição de 2026. Afinal, quem já viveu o confinamento pode acrescentar uma perspectiva que a televisão, sozinha, não oferece.

Na avaliação do cantor, em exclusividade para o portal Younik, Serginho começou perdido, tentando fazer amizade e evitando atritos, sem compreender completamente a dinâmica da competição. “Todo mundo quer causar, todo mundo quer aparecer falando, gritando, acusando o outro de alguma coisa”, afirma Juninho, ao descrever sua percepção sobre o ambiente do programa.

Para ele, a resistência dos colegas acabou favorecendo Serginho diante de quem assiste. Juninho cita as imitações do jeito de falar e de andar do ator como situações que podem despertar solidariedade. É a leitura de um ex-participante sobre o efeito de um grupo se voltar contra alguém. O cantor, porém, também identifica um risco no comportamento do próprio Serginho: falar sem pensar e provocar desconforto dentro e fora da casa.

As controvérsias envolvem acusações de racismo e intolerância religiosa feitas por colegas, além do relato de Ana Bruna sobre um abraço que a deixou desconfortável. Serginho contestou acusações e pediu desculpas por atitudes que possam ter constrangido as mulheres. Em 29 de setembro, a produção informou que analisou as imagens do episódio com Ana e não considerou necessária sua expulsão naquele momento. Galisteu, entretanto, advertiu o ator sobre falas e atitudes próximas do limite.

Juninho acredita que acusações também podem ser usadas pelos participantes para colocar o público contra um adversário. Essa é sua interpretação sobre o jogo, e não uma comprovação de que os relatos sejam falsos. Ao abordar o desconforto relatado por Ana, ele ressalta: “Se a menina se sente desconfortável, ela tem que falar”. A decisão de manter Serginho no programa tampouco encerra a discussão sobre seu comportamento.

A experiência de Juninho ajuda a entender outro aspecto dessa exposição: a pressão para entrar em conflitos. Ele conta que chegou a um momento em que decidiu preservar a maneira como se comportava ali, pensando também na família e nos amigos. “Eu não quis mostrar uma coisa que eu não sou”, diz. Ao sair, encontrou no reconhecimento do pai e dos filhos um motivo de alívio, mesmo sem ter conquistado o prêmio.

Há ainda uma diferença que ele faz questão de apontar entre sua participação e a de Serginho. Enquanto percebe o ator recorrendo à própria trajetória para buscar apoio, Juninho afirma que procurou conquistar votos pelo que mostrava durante o confinamento. Para ele, a história anterior ao reality e a atuação dentro dele são coisas que o público pode avaliar separadamente.

É nessa tensão que a participação de Serginho merece ser acompanhada: o carinho por um artista, a solidariedade diante do tratamento que recebe e a avaliação de suas atitudes podem coexistir. Juninho oferece uma leitura favorável ao ator em vários momentos, mas também aponta comportamentos que podem prejudicá-lo. Para quem começou a assistir por causa de Serginho, há mais a observar do que simplesmente escolher um lado.

Fernando Vítolo é comunicador, escritor e entrevistador. Há mais de uma década trabalha contando histórias, conectando pessoas e produzindo conteúdo multiplataforma. @fernando.vitolo