Ter um podcast é permitido ao médico. A questão é como falar de saúde e divulgar o trabalho profissional nesse espaço. As regras vêm do Código de Ética Médica e da Resolução CFM nº 2.336/2023, que trata da publicidade e propaganda médicas. O CRM do seu estado participa da fiscalização e pode orientar sobre dúvidas concretas. sistemas.cfm.org.br
Para planejar um podcast público, estes são os cuidados mais importantes.
1. Não exponha pacientes identificáveis
Você não deve contar um caso clínico com detalhes que permitam reconhecer a pessoa atendida. Retirar o nome pode ser insuficiente: profissão, cidade, idade e circunstâncias do atendimento também podem revelar sua identidade. O Código de Ética Médica veda a referência a casos identificáveis na divulgação de assuntos médicos mesmo com autorização do paciente. portal.cfm.org.br
Se um caso ajudar a explicar um tema, prefira uma situação hipotética ou uma pergunta frequente do consultório, sem reconstruir a história de alguém.
2. Não transforme o episódio em consulta
Um podcast aberto ao público pode explicar sintomas, exames e possibilidades de tratamento em termos gerais. Ele não é o lugar para concluir que um ouvinte tem determinada doença ou indicar uma conduta para a situação particular dele. A resolução do CFM proíbe oferecer, em atividades educativas para leigos, informações que levem a um juízo individual de diagnóstico, procedimento ou prognóstico. sistemas.cfm.org.br
Isso também vale ao responder perguntas recebidas nas redes sociais. Se a resposta depende do histórico e da avaliação daquela pessoa, é assunto para atendimento médico.
3. Não prometa resultados nem use o medo para chamar atenção
Frases como “este tratamento resolve o problema de todos” ou “faça isso e nunca mais terá a doença” não cabem em uma comunicação médica responsável. O CFM veda garantir, prometer ou insinuar bons resultados de tratamento, bem como divulgar conteúdo enganoso ou sensacionalista. sistemas.cfm.org.br
Um título pode despertar curiosidade sem alarmar. “Quando uma dor de cabeça merece avaliação?” é uma pergunta útil. Já uma chamada que faça o público acreditar que qualquer dor de cabeça indica uma doença grave pode produzir medo sem informar.
4. Não apresente qualificações ou métodos de forma enganosa
Ao se identificar no podcast e em seus canais, o médico deve informar corretamente seu registro no CRM. Especialidade e área de atuação anunciadas precisam estar registradas, com o respectivo RQE, quando aplicável. A resolução também veda atribuir capacidade privilegiada a equipamentos ou divulgar método ou técnica não reconhecido pelo CFM. sistemas.cfm.org.br
Vale conferir esses dados na descrição do programa, nos perfis em que ele é divulgado e nas peças de comunicação.
5. Tenha cuidado com produtos, patrocínios e entrevistas
Receber uma proposta comercial não significa que qualquer mensagem publicitária possa entrar no episódio. O CFM proíbe, entre outras práticas, participar de propaganda de produtos induzindo à garantia de resultados e conferir uma espécie de “selo de qualidade” que produza essa impressão. Conflitos de interesse devem ser declarados ao falar de medicina para o público leigo. sistemas.cfm.org.br
Há ainda uma diferença a observar entre o podcast do próprio médico e uma entrevista concedida a um canal de terceiros. A resolução prevê condições específicas para entrevistas em veículos e canais de comunicação de massa, inclusive quanto à divulgação de contatos. Por isso, a chamada final de um episódio deve ser planejada conforme o contexto em que o médico está falando. sistemas.cfm.org.br
É possível ter um podcast interessante seguindo essas regras?
Sim. O médico pode esclarecer dúvidas, conversar com especialistas e produzir conteúdo educativo. A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite publicidade e informações acadêmicas ou educativas nos canais próprios do profissional, desde que respeitados seus critérios. sistemas.cfm.org.br
Na Younik, conhecemos as regras de publicidade médica e as levamos em conta ao pensar o formato, as pautas e a edição de um podcast para médicos. O médico continua responsável pelo conteúdo profissional que divulga; quando houver uma situação específica ou dúvida de interpretação, a orientação do CRM é o caminho adequado.
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