Parece Mas Não É

Ganhou, mas não levou

A eleição para a Presidência está, mais do que nunca, polarizada. Os planejadores das campanhas apostam na conquista dos votos dos estados com maior número de eleitores, ou seja, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O grupo no poder tem força política para apoiar um candidato cujo programa básico é manter a política que vem sendo praticada no Brasil há, pelo menos, 30 anos. Grupos ligados à esquerda acusam a elite de patrocinar o acúmulo da riqueza do país nas mãos de poucas pessoas e de manter a maioria da população em estado de miséria. Isso se aplica tanto para os trabalhadores dos centros industriais como aos dos latifúndios cujos produtos estão voltados para o mercado externo. Contudo, ninguém – nem a mídia nem os partidos da direita – acredita que haja condições para uma revolução socialista, como já ocorreu em outros continentes. “Vamos deixar como está para ver como é que fica”, dizem os caciques partidários.

Só mesmo se houvesse um racha entre as elites econômicas e políticas seria possível cogitar uma vitória da oposição. Segundo analistas, há um sério embate entre elas. Uma oligarquia dissidente tem-se fortalecido nas últimas eleições e ganhado o controle de alguns estados. Assim, o choque é entre as oligarquias tradicionais e as novas. Não há um programa que coloque em xeque a velha estrutura de privilégios nacionais, nem movimento popular urbano ou campesino capaz de impor mudanças estruturais no Brasil. O que o eleitor espera é que os nomes dos candidatos à Presidência da República sejam oficializados por seus partidos e que eles saiam em busca dos votos espalhados por todo o país. Os poucos críticos do sistema, especialmente no jornalismo, arriscam-se a afirmar que tudo é um circo combinado, e que os eleitores serão, mais uma vez, levados a praticar o voto de cabresto. Ou seja, quem tem o poder econômico manobra o processo eleitoral como bem lhe aprouver.

O resultado é o esperado e previsto por nove entre cada dez quiromantes e adivinhos. É verdade que os estados São Paulo e Minas Gerais romperam a velha aliança da Primeira República, conhecida como a “Política do café com leite”. O paulista Júlio Prestes, com o apoio do então presidente Washington Luís, tem quase 60% dos votos válidos e, com isso, derrota, em 1930, o candidato da Aliança Liberal e governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas. O presidente proclamado reúne-se com seus apoiadores na capital do Brasil e, logo depois, embarca em uma viagem ao exterior, durante a qual é recebido como o futuro novo chefe do Poder Executivo em Washington, Paris e Londres. Uma viagem, naquele momento, de ida sem volta.

* Prof. Heródoto Barbeiro âncora do Jornal Nova Brasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História. Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e mídia training. Canal no Youtube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br