Em vídeo, Carlos Bezerra Jr. destaca acolhimento na Via Dutra e defende uma fé que se expressa no cuidado com o próximo, apesar das diferenças religiosas
Água, alimentos, atendimento de saúde e massagens nos pés de quem enfrentava quilômetros de caminhada. Em vídeo publicado nas redes sociais, Carlos Bezerra Jr. destacou uma iniciativa de igrejas evangélicas que montaram pontos de apoio na Via Dutra para acolher romeiros católicos a caminho de Aparecida, no interior de São Paulo.
Segundo o relato apresentado no vídeo, 946 peregrinos receberam atendimento. A estrutura oferecia água, frutas, massagens, livros e revistas. A mobilização ocorreu por ocasião do Dia de Nossa Senhora Aparecida e incluiu voluntários trabalhando durante a madrugada.
Em um dos trechos exibidos, um registro feito às 4h mostra a continuidade do acolhimento aos peregrinos. Para Bezerra, a cena representa uma expressão concreta do Evangelho: reconhecer as necessidades de outras pessoas e agir, mesmo quando existem diferenças de crença.
“Ninguém precisou mudar de religião para receber um copo d’água”, afirmou.
Convicções diferentes, cuidado compartilhado
Ao comentar a iniciativa, Bezerra observou que os voluntários poderiam ter se limitado às divergências religiosas em relação à peregrinação e à devoção católica. Em vez disso, segundo sua reflexão, perceberam pessoas com sede, fome, cansaço e pés feridos.
O autor do vídeo se identifica como evangélico e ressalta que o acolhimento não exige abandonar suas convicções.
“Eu sou evangélico, eu tenho as minhas convicções de fé, eu não abro mão delas”, declarou.
A partir dessa posição, ele questiona uma prática religiosa que restringe a solidariedade a quem compartilha as mesmas ideias. Para Bezerra, o cuidado demonstrado na estrada traduz a fé em uma atitude de serviço.
Referências ao Bom Samaritano e ao gesto de Jesus
Na reflexão, Bezerra recorre à parábola do Bom Samaritano para discutir a disposição de se aproximar de quem precisa de ajuda. A pergunta central, em sua leitura, passa pela escolha de quem cada pessoa está disposta a acolher.
Ele também relaciona o atendimento aos pés machucados dos romeiros ao episódio bíblico em que Jesus lava os pés dos discípulos.
“Tem gente muito preocupada em defender a fé, mas esquecendo de viver essa fé”, afirmou.
Ao encerrar o vídeo, Bezerra dirige uma pergunta ao público evangélico: “Se fosse a sua igreja naquela estrada, ela também se abaixaria para servir?”
Comentários destacam fraternidade entre cristãos
Entre os comentários publicados no vídeo, usuários destacaram a aproximação entre católicos e evangélicos e compartilharam lembranças de iniciativas semelhantes.
Rubinho Pirola, no perfil @rubinhopirola, relatou que comunidades evangélicas já realizavam esse tipo de acolhimento entre Uberlândia e Nossa Senhora da Abadia, aproximadamente entre 1979 e 1983.
O usuário @brenolima70 ressaltou os vínculos entre as duas tradições: “Católicos e Evangélicos somos todos irmãos, somos todos cristãos em Cristo Jesus.”
Já @alexandrecarlosrosa associou a iniciativa à superação de divisões: “Enquanto políticos erguem muros, o cristão de verdade constrói pontes entre as pessoas.”










