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Economia

Bancos e fintechs devem reforçar vigilância contra dinheiro do crime, diz Rogério Melfi

Em entrevista a Heródoto Barbeiro no Jornal da NovaBrasil, diretor executivo da ABBAAS analisa os impactos da classificação de facções brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos

A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos amplia a atenção sobre as operações do sistema financeiro brasileiro. A medida, anunciada pelo governo norte-americano, foi tema da entrevista de Rogério Melfi, diretor executivo da Associação Brasileira de Banking as a Service (ABBAAS), a Heródoto Barbeiro, no Jornal da NovaBrasil.

Na avaliação de Melfi, esse cenário exige maior vigilância de bancos e fintechs, principalmente das instituições que mantêm operações internacionais. O executivo ressalta, porém, que a prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo já integra a rotina do setor.

“A gente já tem que fazer prevenção à lavagem de dinheiro e prevenção a financiamento de terrorismo”, afirmou. Segundo ele, a classificação das facções aumenta a necessidade de supervisão sobre os clientes e os recursos que circulam pelas instituições.

Esse acompanhamento envolve tanto a análise de quem abre uma conta quanto a verificação das movimentações realizadas ao longo do relacionamento com o cliente. Durante a entrevista, Melfi citou o envio de informações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e à Receita Federal entre os mecanismos utilizados no enfrentamento às operações ilícitas.

Transações internacionais exigem atenção adicional

Questionado por Heródoto sobre a diferença entre operações realizadas no Brasil e aquelas que envolvem outros países, Melfi explicou que os controles de prevenção fazem parte do cotidiano das transações domésticas. Pagamentos e saques, por exemplo, demandam atenção à origem e ao destino dos recursos.

Quando o dinheiro atravessa fronteiras, a análise ganha uma camada adicional: além das exigências brasileiras, é necessário considerar as regras aplicáveis no país de destino ou de origem dos valores.

Segundo o executivo, instituições com atuação global precisam observar essas diferenças para identificar operações que possam sofrer restrições em outra jurisdição. A preocupação alcança tanto os recursos enviados ao exterior quanto os recebidos no Brasil.

Restrições podem atingir a atuação no exterior

Outro ponto abordado foi a possibilidade de consequências para instituições brasileiras que permitam a circulação de dinheiro ligado às organizações criminosas.

Na análise de Melfi, os Estados Unidos podem restringir o acesso de uma instituição ao seu sistema financeiro diante do envolvimento com transações ilícitas relacionadas às facções. Esse tipo de medida, acrescentou, também poderia repercutir no relacionamento com instituições de outros países.

“Ela para de poder fazer transações com os Estados Unidos”, explicou ao descrever uma possível consequência.

O executivo também mencionou a atuação das autoridades brasileiras. Segundo ele, a comprovação de crimes ou de falhas nos controles pode levar a medidas no país, com participação do Banco Central e da Polícia Federal, conforme o caso.

Monitoramento precisa acompanhar o uso das contas

Para Melfi, um dos principais desafios é acompanhar continuamente o comportamento das transações. A análise deve buscar movimentações atípicas e sinais de que uma conta esteja sendo utilizada para fraudes ou outras atividades criminosas.

O executivo citou como exemplo o empréstimo ou aluguel de contas a terceiros. Nessas situações, o titular identificado pela instituição pode não ser quem efetivamente utiliza a conta para movimentar o dinheiro.

Por isso, o acompanhamento precisa ir além do cadastro inicial. Na avaliação de Melfi, observar pagamentos, recebimentos e saques no dia a dia é essencial para identificar possíveis irregularidades e impedir que os serviços financeiros sejam usados pelo crime organizado.