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Câncer colorretal: imunoterapia amplia tratamentos, mas diagnóstico precoce é decisivo

Médico com jaleco aponta para um modelo anatômico do intestino grosso durante explicação clínica.

Os avanços da cirurgia, da quimioterapia, das terapias-alvo e da imunoterapia ampliaram as possibilidades de tratamento do câncer colorretal. Em entrevista a Heródoto Barbeiro, no Jornal NovaBrasil, o oncologista Virgilio Souza e Silva, do A.C.Camargo Cancer Center, explicou que conhecer as características moleculares do tumor ajuda a escolher a terapia e reforçou a importância de detectar a doença precocemente.

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O câncer colorretal atinge o cólon e o reto e está entre os tumores mais frequentes no Brasil. Na conversa com o jornalista, Virgilio ressaltou que os avanços da medicina não se limitam ao desenvolvimento de novos medicamentos: a equipe médica passou a analisar com mais detalhe o perfil biológico da doença antes de definir parte das estratégias de tratamento.

Especialista em oncologia clínica, o médico atua no A.C.Camargo Cancer Center e é vice-líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais da instituição.

Como a imunoterapia mudou o tratamento do câncer colorretal?

Segundo o oncologista, o conhecimento da biologia molecular do câncer tornou possível indicar terapias mais direcionadas. Ele citou a imunoterapia para determinados tumores com instabilidade de microssatélites, uma característica molecular que pode influenciar a resposta ao tratamento.

Isso não significa que a imunoterapia seja indicada para todas as pessoas com câncer de intestino. A escolha depende do resultado dos exames, das características do tumor, do estágio da doença e da avaliação da equipe responsável.

Virgilio também mencionou terapias-alvo e novas opções de quimioterapia como parte do conjunto de recursos que ampliou as alternativas para pacientes com doença localizada ou metastática. Na prática, o tratamento passou a ser mais individualizado, em vez de depender apenas do local em que o tumor surgiu.

Quem tem câncer de intestino precisa sempre de cirurgia?

Heródoto Barbeiro perguntou se todo diagnóstico de câncer colorretal leva necessariamente à cirurgia. O médico respondeu que não. O fator decisivo é o estadiamento, isto é, a avaliação da extensão da doença.

Em situações de doença localizada, a cirurgia pode fazer parte do tratamento inicial, conforme o caso. Depois da operação, os resultados anatomopatológicos ajudam a definir se haverá necessidade de uma terapia complementar, como a quimioterapia adjuvante.

Nos casos de doença avançada, por outro lado, é possível que a equipe comece com tratamento sistêmico, usando quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo, quando indicadas. A decisão é individual e não pode ser deduzida apenas a partir do diagnóstico de câncer colorretal.

Por que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

Ao longo da entrevista, Virgilio chamou a atenção para a frequência da doença entre homens e mulheres e para a necessidade de ampliar a conscientização da população. Quanto mais cedo um tumor é identificado, maiores podem ser as possibilidades de tratamento bem-sucedido.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), sangue nas fezes, mudança persistente do hábito intestinal, dor abdominal, anemia sem explicação e perda de peso estão entre os sinais que precisam ser investigados. Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas exigem avaliação profissional, especialmente quando persistem.

A colonoscopia e outros exames podem ser necessários conforme os sintomas, a idade, a história familiar e os resultados de testes anteriores. Pessoas com sinais suspeitos não devem esperar uma campanha de rastreamento para procurar atendimento.

SUS começa a ampliar o rastreamento do câncer de intestino

Em uma atualização relacionada ao tema da entrevista, o Ministério da Saúde anunciou em outubro de 2026 a distribuição inicial de testes imunoquímicos fecais (FIT) para rastreamento do câncer colorretal pelo SUS. A implantação será gradual, a partir de novembro, inicialmente em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.

O protocolo divulgado prevê o exame para homens e mulheres sem sintomas, de 50 a 75 anos. O teste procura pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes; um resultado alterado não confirma câncer e pode levar à indicação de colonoscopia para investigação. Essa informação complementa a entrevista e não foi apresentada pelo médico durante a conversa.

Alimentação e hábitos de vida também entram na prevenção

Questionado sobre o papel dos alimentos no desenvolvimento da doença, Virgilio destacou a importância de hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, atividade física e abandono do tabagismo.

O INCA orienta reduzir o consumo de carnes vermelhas e evitar carnes processadas, como salsicha, bacon e embutidos. A instituição também destaca a manutenção do peso saudável e a prática de atividade física como medidas que ajudam a reduzir o risco.

Esses cuidados não eliminam completamente a possibilidade de desenvolver câncer colorretal. Histórico familiar, idade e outras condições individuais podem exigir acompanhamento específico.

Assista à entrevista completa com Virgilio Souza e Silva

No Jornal NovaBrasil, Heródoto Barbeiro conversa com o oncologista sobre os avanços do tratamento do câncer colorretal, a importância da detecção precoce e os hábitos que ajudam na prevenção. Confira a entrevista completa no vídeo abaixo.