Em entrevista a Heródoto Barbeiro, Dr. Alberto Duarte explica como novos dispositivos podem substituir a coleta venosa tradicional em alguns exames e abrir espaço para coletas domiciliares
Para muita gente, fazer um exame de sangue começa antes mesmo da coleta. Basta olhar para a agulha para aparecerem o suor frio, a tensão e, em alguns casos, até o desmaio. Em crianças, o procedimento pode ser ainda mais difícil, exigindo cuidado redobrado de quem coleta e, muitas vezes, a ajuda dos pais para manter o pequeno paciente tranquilo.
Foi a partir desse problema que o jornalista Heródoto Barbeiro conversou, no Jornal NovaBrasil, com o Dr. Alberto Duarte, diretor de análises clínicas. O médico explicou como novos dispositivos de coleta de sangue podem reduzir o desconforto e facilitar determinados exames, sobretudo quando não é necessário retirar grandes volumes.
A proposta é diferente da coleta venosa convencional. Em vez de introduzir uma agulha na veia e preencher tubos de sangue, o equipamento utiliza uma pequena lanceta aplicada, por exemplo, no ombro. Ao ser acionada, ela faz uma perfuração rápida e o sistema cria um vácuo que conduz o sangue para um pequeno tubo acoplado ao dispositivo.
Depois, esse tubo pode ser fechado e encaminhado ao laboratório para análise.
Menos desconforto e possibilidade de coleta em casa
Segundo Alberto Duarte, uma das vantagens está na sensação durante a coleta. O procedimento é descrito como uma picada rápida e, na maior parte dos casos, praticamente indolor.
Isso pode fazer diferença principalmente para quem tem medo de agulha e para crianças, grupo em que a coleta convencional nem sempre é simples.
Outro ponto levantado pelo médico é a possibilidade de levar parte das coletas para dentro de casa.
Como o dispositivo é mais simples de utilizar e não depende necessariamente da punção de uma veia, ele pode permitir uma descentralização do serviço. Em alguns casos, o paciente poderia fazer a coleta em ambiente domiciliar e enviar o material ao laboratório.
Tecnologia ainda não substitui todos os exames de sangue
A novidade, porém, tem limites.
Alberto Duarte chama atenção para o pequeno volume de sangue obtido por esses dispositivos. Isso significa que eles não substituem a coleta tradicional quando o paciente precisa realizar uma bateria extensa de exames, como acontece em muitos check-ups.
A tecnologia tende a ser mais útil em testes específicos e situações de monitoramento. Durante a entrevista, o médico citou exames para acompanhamento de carga viral em pacientes transplantados, dosagens de alguns marcadores tumorais e determinados exames bioquímicos.
Essa diferença é importante. A proposta não é aposentar de imediato a coleta venosa, mas criar outra opção para situações em que pequenas quantidades de sangue são suficientes.
Dispositivos ainda precisam passar por validação
O próprio Alberto Duarte adota cautela ao falar sobre a expansão da tecnologia.
Segundo ele, esses dispositivos estão chegando ao mercado e ainda precisam ser validados para que seu uso seja feito com segurança. A possibilidade de retirar a coleta do laboratório e levá-la para outros ambientes exige confiança no procedimento e na qualidade do material obtido.
Se essa validação avançar, a mudança pode ser especialmente relevante para pacientes que evitam exames por medo da coleta e para famílias que enfrentam dificuldade sempre que uma criança precisa fazer um exame de sangue.
A cena clássica da seringa, do garrote e da procura pela veia ainda está longe de desaparecer. Mas, para alguns exames, ela pode começar a deixar de ser a única opção.










