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Umiharu completa 18 anos e leva ao SescTV três filmes sobre transformação social, direitos humanos e sustentabilidade

Fundada pela atriz e cineasta Gisela Arantes, a Umiharu celebra sua trajetória com uma programação especial em outubro. Os três documentários estarão disponíveis gratuitamente e abordam temas como equidade de gênero, exploração sexual e transformação social.

A atriz e cineasta Gisela Arantes, conhecida também por sua participação no programa infantil Glub Glub, tem motivos de sobra para comemorar. Sua produtora, a Umiharu, completa 18 anos de atuação e celebra a data com a exibição de três filmes no SescTV durante o mês de outubro. A programação reúne produções que representam a trajetória da empresa e sua proposta de utilizar o cinema para provocar reflexões, ampliar o conhecimento e estimular mudanças na sociedade.

Fundada em 2008, a Umiharu nasceu com uma missão que permanece presente em seus projetos: democratizar o acesso aos bens culturais e abordar questões que precisam ganhar espaço no debate público. Inicialmente, a produtora concentrou suas atividades em projetos socioculturais envolvendo educação, teatro e outras manifestações artísticas. Com o passar dos anos, encontrou no audiovisual uma maneira de ampliar o alcance de suas iniciativas.

“A Umiharu nasceu com o objetivo de agregar valor às pessoas, levar conhecimento e democratizar o acesso aos bens culturais, com temas de impacto na atualidade, que a sociedade quer e precisa discutir”, explica Gisela. Para ela, a linguagem cinematográfica permite combinar informação, sensibilidade e beleza, criando oportunidades para que o público reflita sobre assuntos complexos e encontre inspiração para agir.

Essa proposta ganhou força com a aproximação de organizações e iniciativas internacionais. Ao longo de sua trajetória, a produtora passou a contar com apoios importantes, como os do Pacto Global da ONU, da ONU Mulheres e da Childhood. Seus projetos também estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente nas áreas de responsabilidade social, preservação ambiental, direitos humanos e educação.

A escolha dos temas segue uma combinação de inquietação pessoal, relevância social e pesquisa. Gisela conta que cada produção começa com uma ideia original, posteriormente aprofundada com o apoio de especialistas que ajudam a identificar personagens, histórias e movimentos das localidades selecionadas. O objetivo é encontrar pessoas e experiências capazes de traduzir grandes questões sociais em histórias acolhedoras que estabeleçam uma forte conexão com o público.

Três filmes, três experiências que marcaram a produtora

A programação comemorativa do SescTV começa no dia 3 de outubro com Mulheres Iluminando o Mundo, produção que representa um dos maiores desafios enfrentados pela equipe. Desenvolver, filmar e concluir um documentário durante a pandemia de Covid-19 exigiu adaptações que ultrapassaram o planejamento original, especialmente diante dos protocolos sanitários e da ausência de recursos adicionais para custear todas as medidas necessárias.

Apesar das dificuldades, a experiência trouxe resultados que surpreenderam a própria produtora. O lançamento online, imposto pelas circunstâncias daquele período, associado ao ecossistema digital elaborado para o projeto, acabou ampliando as possibilidades de circulação do conteúdo e a realização de debates e atividades complementares. Segundo Gisela, o conjunto dessas iniciativas alcançou mais de 7 milhões de pessoas.

“Imagine desenvolver, filmar e realizar todo o processo durante a pandemia da Covid-19! Nem tínhamos valores extras para os numerosos protocolos que os cuidados exigiam”, recorda a diretora, que destaca a importância da experiência para compreender o potencial de alcance de seus projetos.

O segundo filme, Mundo Sem Porteira, será exibido a partir de 10 de outubro. A produção trouxe um aprendizado especialmente significativo para Gisela ao abordar a exploração sexual e a maneira como suas vítimas são representadas no audiovisual.

O desafio, segundo ela, estava em oferecer protagonismo às pessoas que sofreram essa violência sem submetê-las novamente à exposição de suas dores. A experiência também exigiu um olhar cuidadoso sobre a complexidade das relações humanas, evitando dividir os personagens em categorias simplistas de bons e maus.

“Aprendi a importância de dar protagonismo às vítimas de exploração sexual, sem expô-las novamente às suas dores. Ao mesmo tempo, enxerguei em cada personagem a sua humanidade”, afirma.

Já Mulheres Luz da Transformação, com estreia no SescTV marcada para 17 de outubro, representa outro momento importante na trajetória pessoal e profissional da cineasta. A experiência fortaleceu seu envolvimento com a defesa da equidade social e de gênero e ampliou sua compreensão sobre a responsabilidade de quem dispõe dos meios necessários para dar visibilidade a essas questões.

“Compreendi que, se eu tinha essa ‘voz’ de comunicação, o que eu precisava fazer era ‘falar'”, resume Gisela.

Os três documentários ajudam a compreender o caminho percorrido pela Umiharu ao longo de quase duas décadas. São produções que abordam questões distintas, mas compartilham o compromisso de apresentar histórias capazes de estimular o conhecimento, a reflexão e o envolvimento da sociedade.

Os próximos capítulos da Umiharu

Enquanto celebra seus 18 anos e a chegada dos três filmes ao SescTV, a produtora já trabalha no desenvolvimento de um quarto documentário da série.

O novo projeto pretende apresentar experiências de impacto relacionadas à sustentabilidade econômica, à responsabilidade ambiental e à transformação social. A proposta é aproximar ciência, memória e emoção para discutir possíveis caminhos de enfrentamento das desigualdades e destacar o papel da educação climática.

Gisela pretende aprofundar temas que ganharam importância em sua trajetória, especialmente a equidade social e de gênero, os direitos universais e o protagonismo de iniciativas voltadas à sustentabilidade. O desenvolvimento do novo filme ainda está em fase de prospecção.

“Queremos criar e realizar um cinema que apoie o desenvolvimento sustentável e a cultura de paz, e que possa beneficiar um público plural, amplo e abrangente”, afirma.

Para a produtora, o aniversário de 18 anos representa a oportunidade de ampliar o diálogo com o público e levar suas produções a pessoas que ainda não tiveram contato com elas. A exibição gratuita dos documentários no SescTV faz parte desse esforço de democratização cultural que motivou a criação da Umiharu em 2008 e continua orientando seus próximos projetos.

Serviço: programação especial da Umiharu no SescTV

Os três filmes terão exibição gratuita durante o mês de outubro de 2026, com estreias aos sábados e reapresentações ao longo da programação.

Mulheres Iluminando o Mundo

  • Estreia: 3 de outubro, às 22h.
  • Reapresentações: 5 de outubro, às 23h, e 9 de outubro, à 0h.

Mundo Sem Porteira

  • Estreia: 10 de outubro, às 22h.
  • Reapresentações: 12 de outubro, às 23h, e 16 de outubro, à 0h.

Mulheres Luz da Transformação

  • Estreia: 17 de outubro, às 22h.
  • Reapresentações: 19 de outubro, às 23h, e 23 de outubro, à 0h.

Onde assistir: o acesso é gratuito. Os filmes poderão ser acompanhados pelo SescTV, conforme a disponibilidade da operadora, pelo site sesc.tv e pelo aplicativo Sesc Digital.

Para conhecer a produtora: www.umiharu.com.br.

Fernando Vítolo é comunicador, escritor e entrevistador. Há mais de uma década trabalha contando histórias, conectando pessoas e produzindo conteúdo multiplataforma. @fernando.vitolo