Com Christiane Pelajo, Maíra Donnici, Carolina Dostal e Fernanda Amorim, novo videocast reúne experiências pessoais, divergências e reflexões sobre o que realmente significa ser protagonista.
Ser protagonista significa ocupar posições de liderança, conquistar reconhecimento profissional ou estar sempre no centro das atenções? E quando assumir o comando da própria vida exige justamente o contrário: abrir mão das expectativas dos outros, abandonar um papel social ou dar espaço para que outras pessoas também brilhem?
Essas são algumas das questões que marcaram a estreia do Conexão Protagonistas, videocast apresentado por Christiane Pelajo, Maíra Donnici, Carolina Dostal e Fernanda Amorim. No primeiro episódio, as quatro profissionais partem de suas experiências pessoais e profissionais para discutir protagonismo, liderança feminina, autenticidade, privilégios e liberdade de escolha.
O resultado é uma conversa que vai além do universo corporativo e propõe uma reflexão sobre quem, afinal, está escrevendo o roteiro da nossa vida.
O protagonismo começa com uma escolha
O episódio começa com uma pergunta aparentemente simples: o que significa ser protagonista da própria história?
As respostas mostram que, mesmo compartilhando um projeto, as quatro apresentadoras possuem visões diferentes sobre o assunto.
Para Fernanda Amorim, o protagonismo começa pelo autoconhecimento e pela capacidade de assumir as rédeas da própria vida, identificando o propósito que orienta as decisões cotidianas.
Maíra Donnici associa o conceito à legitimidade de reconhecer e respeitar os próprios desejos. Carolina Dostal destaca a responsabilidade pelas decisões e pelos riscos assumidos.
Christiane Pelajo acrescenta uma perspectiva coletiva: o protagonismo não deveria ser entendido como uma jornada individual em busca dos holofotes.
“É impossível ser protagonista sem olhar pro outro. Protagonismo tem a ver com o coletivo”, afirma a jornalista.
A discussão levanta uma questão importante para o mundo corporativo: será que um líder precisa ser sempre o protagonista?
O maior problema do líder é o ego?
Uma das discussões mais provocativas do episódio surge quando as apresentadoras abordam o comportamento de executivos e a disputa por visibilidade no ambiente profissional.
“O maior problema do líder é o ego”, afirma Carolina Dostal, que trabalha com posicionamento e autoridade digital de executivos.
Segundo ela, existe uma diferença entre utilizar os canais digitais para compartilhar conhecimento e buscar exposição pessoal sem oferecer conteúdo relevante.
A discussão avança para a importância de formar equipes capazes de assumir responsabilidades e conquistar reconhecimento.
As apresentadoras defendem que exercer a liderança também exige reconhecer o protagonismo dos outros. Em determinadas situações, o papel de um líder pode ser justamente sair de cena.
Para Fernanda Amorim, que atua com comunicação corporativa e preparação de executivos, autenticidade e vulnerabilidade também são fundamentais para construir credibilidade.
Afinal, uma liderança não se sustenta apenas com técnicas de comunicação ou estratégias de visibilidade. É necessário acreditar naquilo que se comunica.
Quando ser protagonista significa contrariar as expectativas
A conversa ganha uma dimensão mais pessoal quando Maíra Donnici questiona se as próprias apresentadoras já viveram momentos em que deixaram de protagonizar suas histórias para atender às expectativas da sociedade.
A jornalista compartilha sua experiência ao perceber que seguia um roteiro familiar e social que não correspondia aos seus desejos. Romper com esse roteiro envolveu assumir sua escolha de se casar com uma mulher.
A revelação abre espaço para Christiane Pelajo falar sobre outra expectativa historicamente associada à vida feminina: a maternidade.
A jornalista conta que nunca teve o desejo de ser mãe e relembra um período em que precisou refletir novamente sobre essa decisão diante da possibilidade de não ter filhos.
Os relatos mostram que o protagonismo não está necessariamente associado à ambição profissional, ao sucesso financeiro ou à conquista de posições de destaque.
Em muitos casos, ele está relacionado à liberdade de fazer escolhas, inclusive aquelas que contrariam os modelos de sucesso tradicionalmente estabelecidos.
A reflexão também se estende às mulheres que precisam justificar suas conquistas profissionais ou que ainda sentem a necessidade de pedir licença para ocupar determinados espaços.
Protagonismo também depende de oportunidade
Outro ponto importante do episódio é o reconhecimento de que nem todas as pessoas partem das mesmas condições.
As apresentadoras refletem sobre suas próprias trajetórias e reconhecem que o acesso à educação, o apoio familiar e as redes de relacionamento tiveram influência em suas oportunidades.
“Como é que você vai ser protagonista quando você não tem ninguém para te estender a mão?”, questiona Maíra.
A discussão contrapõe a ideia de que o protagonismo depende exclusivamente de iniciativa individual. Afinal, assumir o controle da própria trajetória pode ser muito mais difícil quando faltam recursos, oportunidades e pessoas dispostas a abrir caminhos.
O debate também levanta outra questão: todas as pessoas precisam desejar posições de destaque?
Fernanda Amorim argumenta que escolher uma trajetória profissional sem ambicionar cargos de liderança também pode ser uma forma legítima de protagonismo.
Afinal, assumir o controle da própria vida significa necessariamente querer aquilo que os outros consideram sucesso?
É possível aprender a ser protagonista?
Uma das ideias discutidas pelas apresentadoras é a possibilidade de desenvolver o protagonismo ao longo da vida.
Para Carolina Dostal, esse comportamento pode ser aprendido e estimulado. O processo envolve reconhecer oportunidades, assumir responsabilidades e desenvolver confiança para tomar decisões.
A reflexão ganha relevância quando associada à educação e aos modelos sociais que, durante gerações, estimularam comportamentos diferentes entre homens e mulheres.
As participantes discutem como expectativas familiares e culturais influenciam a maneira como as mulheres se posicionam, buscam reconhecimento e assumem riscos.
Ao longo da conversa, elas também reconhecem que o protagonismo não é uma condição permanente. Existem momentos em que é necessário recuar, rever escolhas e até reconstruir a própria trajetória.
Dos livros para um ecossistema de conexões
O Conexão Protagonistas nasceu da experiência dos dois volumes do livro Protagonistas, que reuniram histórias de mulheres com diferentes trajetórias profissionais e pessoais.
A iniciativa ultrapassou as páginas e se transformou em um ecossistema voltado ao fortalecimento do protagonismo feminino, à troca de experiências e à criação de relacionamentos e oportunidades.
O videocast é uma das frentes desse projeto.
Com Christiane Pelajo, Maíra Donnici, Carolina Dostal e Fernanda Amorim, o programa pretende aprofundar discussões sobre carreira, negócios, liderança, ambição, inovação, saúde, longevidade e diversidade.
Durante o episódio de estreia, as apresentadoras antecipam alguns dos assuntos que serão abordados nas próximas conversas, incluindo o futuro do trabalho e os impactos da inteligência artificial sobre as profissões.
O programa também pretende receber especialistas e convidados para ampliar as diferentes perspectivas sobre esses temas.
E as apresentadoras deixam claro que as divergências entre elas fazem parte da proposta.
“A inovação nasce da diversidade”, resume Christiane Pelajo ao destacar a importância de trabalhar com pessoas que pensam de maneiras diferentes.
A estreia do Conexão Protagonistas deixa uma provocação para o público: talvez o primeiro passo para assumir o protagonismo não seja conquistar o papel principal, mas descobrir se estamos vivendo a história que realmente desejamos.
Assista ao primeiro episódio do Conexão Protagonistas










