No GRTB Cast, Sólon Cunha conversa com Thiago Paes e André Teixeira sobre como a colaboração entre Jurídico e Relações Trabalhistas pode ajudar a identificar falhas de gestão e evitar conflitos recorrentes.
A empresa recebe uma ação trabalhista, encaminha ao escritório de advocacia, acompanha a defesa e calcula o possível prejuízo. Enquanto isso, no departamento de onde saiu aquela reclamação, a rotina continua igual. O processo avança, mas o problema que o originou permanece — e pode produzir novas ações. Essa desconexão esteve no centro da participação do advogado e professor Sólon Cunha, criador do projeto CLT 4.0, no GRTB Cast, em conversa com Thiago Paes e André Teixeira.
Para Sólon, as empresas precisam enxergar nos processos uma fonte de informação sobre o próprio funcionamento. Pedidos recorrentes, depoimentos, departamentos envolvidos e decisões judiciais ajudam a revelar práticas que passam despercebidas nos relatórios internos. “As ações trabalhistas contam muito a história da empresa”, afirmou. A questão é transformar esse material em decisões de gestão, com a participação do Jurídico, dos profissionais de Relações Trabalhistas (RTs) e das lideranças.
O advogado ilustrou essa possibilidade com o caso de uma multinacional que acumulava cerca de 60 processos envolvendo alegações de assédio moral. Ao analisar o conjunto, percebeu que as ações se concentravam no mesmo departamento. O cruzamento com informações do RH revelou alta rotatividade e pouca participação nos treinamentos. Segundo seu relato, a investigação permitiu identificar uma forma de gestão incompatível com a cultura da organização e mudar aquele modelo.
O exemplo expõe o limite de tratar cada ação como um episódio isolado. Um escritório pode conduzir a defesa de determinado caso sem ter acesso ao que acontece em outros processos. A liderança pode considerar o assunto uma responsabilidade exclusiva dos advogados. E a área de Relações Trabalhistas, embora conheça a operação e os conflitos cotidianos, pode ficar distante das informações do contencioso. “Eu acho que não há um diálogo colaborativo”, observou Sólon durante a conversa.
Nesse encontro entre as áreas está uma oportunidade de prevenção. O Jurídico reúne elementos sobre as discussões judiciais e seus desdobramentos; os RTs contribuem com o conhecimento das relações de trabalho, das negociações e da realidade da empresa. Juntos, podem investigar por que determinados pedidos se repetem, onde os conflitos se concentram e quais práticas precisam ser revistas. Para isso, a colaboração também depende de gestores dispostos a compartilhar informações e participar da apuração dos fatos.
A formação das lideranças apareceu como parte essencial desse trabalho. Na avaliação apresentada no episódio, conhecer o impacto dos próprios comportamentos ajuda o gestor a compreender por que certas mudanças são necessárias. Falta de escuta, critérios pouco claros e condutas inadequadas podem alimentar conflitos que só recebem atenção quando chegam à Justiça. Analisar os processos permite levar essa discussão à liderança com situações concretas da própria organização.
Ao apresentar o CLT 4.0, Sólon explicou que o projeto nasceu para discutir o futuro do trabalho e suas transformações. A participação no GRTB Cast trouxe essa perspectiva para uma tarefa imediata: aproximar quem conhece os processos de quem pode atuar sobre suas causas. Uma ação encerrada resolve uma disputa. Aprender com ela pode ajudar a empresa a evitar a próxima.
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